domingo, 3 de janeiro de 2010

Portugal em África: a necessidade de uma renovada aposta económica

Vamos começar o ano com um post sobre África, e nomeadamente sobre relacionamento económico da União Europeia com este Continente, tendo por base um excelente trabalho realizado conjuntamente pelos organismos de estatísticas da União Europeia (EUROSTAT) e da União Africana que marca o inicio da cooperação entre estas duas entidades.
De acordo com o referido trabalho, a partir de 2004, verificou-se um claro crescimento do comércio externo da União Europeia (EU) com África, tendo as importações da UE um valor superior às exportações para a referida área geográfica.
Em 2008, as exportações dos países da UE27 para África atingiram um valor de 120 mil milhões de euros, enquanto as importações alcançaram 158 mil milhões de euros. Nesse ano, a Líbia foi o primeiro fornecedor e a África do Sul o primeiro cliente africano da UE, enquanto Angola foi o 8º fornecedor e cliente dos países da EU27.
Os 10 principais parceiros comerciais do Continente Africano na UE27, em 2008, foram os seguintes países:

Principais fornecedores (valores em milhões de euros)
1º França – 25 322
2º Alemanha – 19 421
3º Itália – 17 981
4º Espanha – 11 022
5º Reino Unido – 10 594
6º Holanda – 10 070
7º Bélgica – 7 576
8º Suécia – 3 691
9º Portugal – 3 626
10º Áustria – 1 571

Principais clientes (valores em milhões de euros)
1º Itália – 38 271
2º França – 26 237
3º Espanha – 26 194
4º Alemanha – 18 676
5º Reino Unido – 14 210
6º Holanda – 13 504
7º Bélgica – 7 547
8º Portugal - 4 964
9º Grécia - 2 653
10º Áustria – 1 715


Por sua vez, os países que mais investiram no Continente Africano, em 2007, foram o Reino Unido (39% do total), França (22%), Alemanha (11%) e Espanha (5%), tendo os países da UE27 investido no total cerca de 17 615 milhões de euros (3,6% do IDE realizado extra-UE27).
A posição de Portugal, enquanto parceiro comercial do Continente Africano, é relevante (9º fornecedor e 8º cliente), apesar de uma mais desagregada destes dados nos levar a constatar a grande concentração das nossas relações comerciais, e nomeadamente das exportações, num número reduzido de países, com grande destaque para Angola. Por isso, tendo presente este facto e actual conjuntura internacional caracterizada por um renovado interesse no Continente Africano por parte dos países desenvolvidos e de países emergentes como a China, Brasil, Índia e das monarquias do Golfo, importa perceber qual vai ser o papel de Portugal, e das empresas portuguesas, neste novo enquadramento geo-estratégico.
Este novo cenário vem colocar-nos um conjunto de grandes desafios e interrogações para as quais devemos ter respostas inovadoras, rápidas e eficazes. Neste sentido, deixamos aqui um conjunto de questões que poderão servir para uma reflexão sobre os caminhos e as opções que se colocam aos agentes económicos portugueses em África, a saber: Que estratégias de promoção económica e comercial deverão ser adoptadas para se tirar o melhor partido deste novo cenário macroeconómico? De que modo os projectos empresariais podem também contribuir para combater a pobreza e melhorar as condições de vida das populações africanas? Como é que poderemos reforçar as sinergias entre as nossas politicas de cooperação/ajuda ao desenvolvimento e de apoio à internacionalização? Que condições e instrumentos deverão ser melhorados e/ou criados para facilitar a intervenção dos agentes económicos portugueses neste mercados? Onde e que meios deveremos ter no terreno para apoiar os empresários nacionais? Como é que podemos tirar melhor partido dos fundos e instrumentos financeiros existentes junto das várias entidades de financiamento multilaterais? Que tipo de parcerias podem ser criadas entre os agentes económicos dos países lusófonos para intervenção em terceiros mercados do Continente Africano?
Por último, não podíamos deixar de sublinhar que nesta reflexão, e pela sua preponderância estratégica para a economia portuguesa, as relações económicas e comerciais com Angola deverão merecer uma atenção muito especial!