Portugal e a América Latina


Francisco Seixas da Costa, actual Embaixador de Portugal em Paris, no seu blogue Duas ou Três Coisas faz uma excelente análise do relacionamento politico de Portugal e de Espanha com os países da América Latina, a propósito da última Cimeira Ibero-Americana realizada em Lisboa. Atrevia-me a acrescentar à referida análise uma chamada de atenção para a necessidade de nos empenharmos mais no desenvolvimento da dimensão económica e empresarial desta comunidade de países ibero-americanos. Este alerta é particularmente válido para o caso de Portugal.

No âmbito da estratégia de internacionalização da economia portuguesa, o Brasil e, num segundo nível de prioridade, o México, Chile, Argentina e a Venezuela, deverão constituir países de aposta de uma renovada abordagem da América Latina por parte das empresas portuguesas.

Pela importância económica e estratégica do Brasil no contexto mundial, pensamos que está na hora das empresas portuguesas iniciarem ou reforçarem a intervenção neste importante mercado com novas estratégias, novos recursos, novos protagonistas e também com as lições e experiências retiradas do último grande "impulso" de internacionalização para este país, realizado durante os governos de António Guterres. Este novo ciclo de internacionalização para deverá ser equacionado, quanto antes, pois apesar do sucesso de alguns investimentos portugueses no Brasil, das experiências bem sucedidas de intervenção conjunta de empresas portuguesas e brasileiras em terceiros mercados e da forte componente institucional e "sentimental" que caracteriza o relacionamento entre os dois países, Portugal continua a ser um parceiro comercial pouco relevante do Brasil. De acordo com os dados da Eurostat para o 1º semestre de 2009, Portugal foi, entre os países da UE27, o 13º fornecedor do Brasil (com exportações no valor de 102 milhões de euros), sendo ultrapassado por países como a Irlanda (103 milhões de euros), Dinamarca (133 milhões de euros), Suécia (274 milhões de euros), Áustria (283 milhões de euros) e Finlândia (296 milhões de euros).
Há, por isso, muito para fazer!

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