quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Qual é a melhor cidade polaca para constituir e expandir uma empresa?

O Banco Mundial publicou recentemente, no âmbito do programa "Doing Business", um estudo que avalia e compara as regulamentações de negócios em 18 cidades polacas (Białystok, Bydgoszcz, Gdańsk, Gorzów Wielkopolski, Katowice, Kielce, Kraków, Łódź, Lublin, Olsztyn, Opole, Poznań, Rzeszów, Szczecin, Toruń, Warsaw, Wrocław and Zielona Góra), quatro estádios do ciclo de vida de uma pequena e média empresa, nomeadamente na abertura da empresa, obtenção de alvará de construção, registo de propriedade e execução de contratos. As principais conclusões deste estudo são as seguintes (os sublinhados são meus):
  • " Polish entrepreneurs face different regulatory hurdles depending on where they establish their businesses. This is due to varying efficiency levels at the public agencies in charge of the 4 areas benchmarked—starting a business, dealing with construction permits, registering property and enforcing contracts—and discrepancies in the interpretation of national legislation.
  • It is easier to start a business in Poznań, deal with construction permits in Bydgoszcz, register property in Białystok, and enforce a contract in Olsztyn.
  • Smaller cities tend to do better overall across the 4 indicators: of the 18 cities measured, Bydgoszcz tops the aggregate ranking. However, several large cities rank at or near the top of individual indicators—for example, Poznań and Wrocław on starting a business and dealing with construction permits, respectively—proving that high demand for business services can be dealt with efficiently.
  • No single city does equally well on all 4 indicators. With the exception of Kielce, all cities do better than average on at least one indicator and 13 out of 18 rank in the top third on at least one indicator.
  • Reform-minded local officials can make tangible improvements by replicating measures already successfully implemented in other cities in Poland.
  • On all indicators, there are good practices to be found across Poland. If a hypothetical city were to adopt the best practices found across the 18 cities, it would rank 24th out of 189 economies globally—8 positions higher than Poland’s current ranking according to Doing Business 2015—placing the country ahead of France and the Netherlands".
Trata-se de um trabalho bastante útil (que pode ver aqui) para a avaliação de possíveis localizações na Polónia para a realização de operações de investimento estrangeiro.

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

África do Sul, Egipto, Nigéria, Quénia e Angola são os países africanos com maior número de milionários

Desde 2000, o número de indivíduos em África com activos iguais ou superiores a 1 milhão de USD cresceu 145%, de acordo com um estudo efectuado pela empresa New World Wealth. Este valor representa o dobro da média mundial para o mesmo período e estima-se que na próxima década o número de milionários africanos venha a crescer 45%. Estes milionários não estão distribuídos de uma forma homogénea pelos vários países do Continente e são originários da África do Sul (46 800), Egipto (20 200), Nigéria (15 400), Quénia (8 500) e Angola (6 400) e vivem, fundamentalmente, nas cidades de Joanesburgo (23 400), Lagos (9 100), Nairobi (6 200), Luanda (4 900) e Accra (2 250). Veja mais informações sobre este assunto aqui.

domingo, 5 de julho de 2015

Hino à Alegria (Beethoven), o espírito da construção europeia


A expansão das comunidades chinesas pelo mundo e as consequências na política externa de Pequim

Via "The Official Blog of Amb. David H. Shinn", um interessante artigo designado por "How Chinese Nationals Abroad Are Transforming Beijing's Foreign Policy" da autoria de Jonas Parello-Plesner e de Mathieu Duchatel, publicado na revista "Business Spectator", sobre a expansão das comunidades chineses pelo mundo e os seus efeitos na política externa de Pequim. Ou seja, para além da forte presença de empresas e de turistas chineses em todos os Continentes, estima-se que actualmente existam 5 milhões chineses a viver no exterior, incluindo 2 milhões em África. Esta situação está a obrigar as autoridades chinesas a reverem alguns dos seus conceitos fundamentais de política externa, passando agora a ser dado particular enfâse à "protecção dos seus nacionais no exterior", que passou a constituir uma prioridade do Partido Comunista chinês instituída no seu 18º Congresso, em 2012, e a considerarem os seus interesses no exterior como uma prioridade na política de segurança nacional. Em síntese, a recente expansão global dos interesses comerciais e económicos chineses  e o surgimento da China como um actor político, económico e militar cada vez mais preponderante, está a obrigar a significativas alterações e reajustamentos no posicionamento internacional deste país, obrigando, em alguns casos, e face a determinadas situações de risco ou de conflitos internacionais, ao estabelecimento de estratégias de intervenção para protecção dos seu nacionais que vivem no estrangeiro.

domingo, 7 de junho de 2015

As oportunidades de negócios nos mercados da Parceria Oriental da União Europeia

A Parceria Oriental ("Eastern Partnership"), é uma iniciativa conjunta lançada, em 2009, pela União Europeia (UE) e por um conjunto de seis  países da Europa Central e Oriental e do Sul do Cáucaso (Arménia, Azerbaijão, Bielorrússia, Geórgia, Moldávia e Ucrânia). Esta parceria visa reforçar a presença da União Europeia nas suas fronteiras orientais, garantindo maior segurança e estabilidade numa região que tem atravessado, desde o desmembramento da União Soviética, um conjunto de conflitos e que enfrenta grandes desafios na via da democracia e do Estado de Direito.

O Eurostat acaba de publicar uma análise económica dos países da Parceria Oriental e das suas relações comerciais com os países da União Europeia (pode ver aqui). Se em 2004, as exportações de bens da UE para os países da Parceria Oriental, que têm uma população total de 75,2 milhões de habitantes, representavam 16 365 milhões de euros, em 2014 já atingiam 33 069 milhões de euros. Os principais mercados de exportação, em 2014, para as empresas europeias foram a Ucrânia (17 143 milhões de euros), a Bielorrússia, (7 464), Azerbaijão (3 482), Moldávia ( 2 355), Geórgia (1 911) e Arménia (714). Por sua vez, os maiores países europeus exportadores de bens para a Parceria Oriental foram, a larga distância dos restantes, a Alemanha (7 mil milhões de euros e 21% do total de exportações) e a Polónia (5,2 mil milhões e 16% do total das exportações). Seguiram-se a Itália (2,8 mil milhões de euros e 8% do total), a Lituânia (2,2 mil milhões de euros e 7% do total)  e a Hungria (2,1 mil milhões de euros e 6% do total). A posição portuguesa ainda é modesta, mas parece-nos que existem oportunidades de exportação que poderão ser potenciadas, sobretudo, pelas empresas nacionais com investimentos nos mercados da Europa Central e Oriental, pois já conhecem o ambiente de negócios desta região e algumas delas conseguiram estabelecer redes de relações com diversos "stakeholders" nestes mercados.

sábado, 2 de maio de 2015

Câmara de Comércio Polónia-Portugal recebeu prémio "Câmara de Comércio do Ano 2014"


Como já havia referido várias vezes neste blogue, como por exemplo  aqui,  aqui e aqui, a Câmara de Comércio Polónia-Portugal, com sede em Varsóvia,  e liderada, desde a sua criação, por Pedro Pereira da Silva (Grupo Jerónimo Martins), constitui um "case study" do associativismo empresarial português no estrangeiro pelo dinamismo da sua actividade e pela orientação estratégica que tem seguido no apoio à internacionalização de empresas portuguesas e polacas e na promoção dos interesses económicos e empresariais nacionais na Polónia. Desta vez, e na IV Reunião Anual da Câmaras de Comércio Portuguesas que teve lugar no Harvard Club, em Nova Iorque, a Câmara de Comércio Polónia-Portugal recebeu o prémio "Camara de Comércio Portuguesa do Ano 2014". Esta é a primeira edição deste prémio lançado pela Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa e pela CIEP-Confederação Internacional dos Empresários Portugueses, com o apoio da AICEP e da Secretaria de Estado das Comunidades. Parabéns a toda a Direção e associados da Câmara de Comércio Polónia-Portugal!

terça-feira, 31 de março de 2015

As exportações de mercadorias dos Países da União Europeia em 2014


A Eurosat acaba de publicar uma análise sobre o comércio internacional de mercadorias da União Europeia, em 2014 (que pode ver aqui), que conclui que a os EUA  (15% do total de comércio de mercadorias) e a China (14% do total) continuam a ser os principais parceiros da UE. Seguem-se a Rússia (8% do total) e a Suíça (7%).

Já em relação às exportações de mercadorias dos 28 estados-membros da União Europeia, que atingiram 4 636 mil milhões de euros, destinaram-se, em cerca de 63% do total (2 934 mil milhões de euros), a outros estados-membros da União Europeia (comércio intra-União Europeia). Conforme se pode constatar da leitura do quadro acima apresentado (clicando no quadro aumenta-se a sua dimensão), mais de 75% das vendas de mercadorias de 7 estados-membros da União Europeia Europeia, nomeadamente a Eslováquia (84%), Luxemburgo (83%), República Checa (82%), Hungria (80%), Polónia (77%), Holanda (76%) e Eslovénia (75%), foram direccionadas para outros estados-membros da União Europeia. Por outro lado, apenas o Grécia (48% do total), Malta (48%) e o Reino Unido (48%) venderam mais mercadorias para países extra-comunitários, em 2014, do que para os seus parceiros comunitários. Portugal, apesar da estratégia de diversificação de mercados seguida nos últimos anos, continua a ter as suas exportações de mercadorias ainda muito concentradas nos países da União Europeia (71% do total) e num valor superior às exportações espanholas para o mesmo espaço económico (64% do total).

segunda-feira, 23 de março de 2015

Lee Kuan Yew

Faleceu Lee Kuan Yew, o primeiro chefe de Governo de Singapura, tendo ocupado o lugar de primeiro-ministro durante três décadas (1955 e 1990), e o principal responsável pela transformação desta antiga colónia britânica num dos mais prósperos e desenvolvidos países do mundo. O jornal britânico The Guardian dedica-lhe um longo artigo (que pode ver aqui) e a Lee Kuan Yew School of Public Policy da National University of Singapore, considerada a primeira escola asiática de políticas públicas e a 22ª no mundo, presta também um importante tributo ao seu inspirador e principal referência. Aliás, num momento particularmente relevante para a sociedade e para a economia de Singapura, o actual Reitor da Lee Kuan Yew School of Public Policy, Kishore Mahbubani, acaba de publicar um livro que dá pelo nome de "Can Singapore Survive?" que pretende contribuir para uma reflexão, agora ainda mais justificada depois do desaparecimento do mais marcante líder politico e estadista deste país, sobre os principais desafios, obstáculos e oportunidades que se colocam  nos dias de hoje a esta pequena cidade-estado.

domingo, 22 de março de 2015

Análise do comércio internacional de armamento (2010-2014)

O Stockholm International Peace Research Institute acaba de publicar um relatório designado por "Trends in International Arms Transfers'2014" (pode ver aqui), da autoria de Pieter Wezeman e Siemon Wezeman, que faz uma análise sintética das principais tendências e dos principais importadores e exportadores de armamento no mundo. De acordo com este relatório, os cinco principais exportadores de armas, no período 2010-2014, foram os EUA, Rússia, China, Alemanha e França, enquanto os cinco principais importadores foram a Índia, Arábia Saudita, China, Emirados Árabes Unidos e Paquistão.

Os desafios dos investimentos chineses na Europa

Os principais determinantes do investimento chinês na Europa passaram da procura de recursos para a procura de activos e de mercados, de acordo com a opinião de Louis Brennan, professor no Trinity College (Dublin), expressa num "paper" publicado pelo Columbia Center on Sustainable Development (pode ver aqui). Mas a Europa, com os seus mercados e marcas sofisticadas e as suas potencialidades de desenvolvimento de tecnologias inovadores, coloca também sérios desafios aos investidores chineses, face à grande "distância psicológica" existente entre a Europa e a China e às diferentes formas de acolhimento que tiveram nos países onde se instalaram (desde a resistência e a apreensão até a situações de boa recepção).  Estas diferenças culturais e institucionais entre a Europa e a China estão a obrigar as empresas chineses na Europa a adaptarem-se a novas normas e práticas e a ajustarem o seu estilo de organização e de gestão, passando do tradicional modo de organização hierárquico e de comando e controlo, para  formas de gestão mais compatíveis com a cultura de maior autonomia funcional prevalecente na Europa. Neste âmbito seria muito interessante analisar e avaliar este tipo de fenómeno em algumas das empresas portuguesas recentemente adquiridas por interesses chineses.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Os hispânicos e as indústrias culturais em espanhol nos EUA

Nos EUA vivem actualmente cerca de 54,1 milhões de pessoas com origens hispânicas que representam 17% da população do país. Em 2050, estima-se que os hispânicos venham a constituir 30% dos habitantes dos EUA. Nessa altura, os EUA serão o país do mundo onde mais se falará espanhol. Tendo em atenção esta realidade, o "think tank" espanhol Real Instituto Elcano realizou um estudo de caracterização do mercado norte-americano para as indústrias culturais em língua espanhola, designado por "Los latinos y las industrias culturales en español en Estados Unidos", tendo chamado a atenção para para o facto do "el mercado cultural “hispano-unidense”, como hemos querido llamarlo en este documento, sigue suponiendo un prometedor espacio de crecimiento para las industrias culturales en español de todo el mundo, pero sólo si se lo comprende en su complejidad y su heterogeneidad. La música, la radio, el cine, la televisión y la industria editorial son, precisamente por su carácter de industrias culturales, no sólo mercados de contenido, sino sobre todo espacios para la gestión de las identidades. Sólo un esfuerzo permanente por conocer y comprender las transformaciones de la comunidad latina en EEUU, sus consumos y prácticas de consumo cultural, puede garantizar una mirada lo suficientemente compleja sobre los “hispano-unidenses”, acorde con la realidad multicultural de un grupo sin el que no puede comprenderse el presente ni el futuro del que ya es el segundo país del mundo, tras México, en número de hablantes de español". Ou seja, existe um enorme potencial para as indústrias culturais hispânicas neste país, mas é necessário que se faça um maior esforço para compreender as dinâmicas, especificidades e as rápidas transformações por que passa a comunidade hispânica nos EUA.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Negócios em mercados emergentes: as dificuldades de um consórcio de empresas espanholas na Arábia Saudita

Há dias o jornal espanhol "El País" dava conta das dificuldades enfrentadas actualmente por um consórcio de empresas espanholas a quem foi adjudicada, pelo governo da Arábia Saudita, a construção de uma linha de alta velocidade (AVE) entre Medina e Meca. É a maior obra realizada no estrangeiro por empresas espanholas e atinge um valor de 6 700 milhões de euros.  De acordo com as informações recolhidas pelo "El País", este podia constituir um excelente "case study" sobre os condicionalismos da realização de negócios em mercados emergentes, e nomeadamente de contratos públicos, envolvendo múltiplas dimensões e actores. Neste caso, são identificadas uma diversidade de dificuldades que merecem a devida reflexão, sendo certo que algumas delas seriam de algum modo "previsíveis". Assim, temos (traduções realizadas por mim) um" projecto ingovernável, onde é muito complicado pôr de acordo as 12 empresas espanholas"; a "complexidade de uma obra em pleno deserto e num país com uma cultura diferente"; a mudança do ministro dos transportes (o ministério dos transportes saudita é a entidade adjudicante da obra), engenheiro de formação, e que "ao contrário do comportamento habitual de outros príncipes árabes que nunca dizem não (...) este expressa a sua contrariedade de forma directa"; o longo periodo de negociação da obra (mais de 3 anos); a "falta de liderança num projecto que desde o principio tem estado muito politizado", com o ministro saudita dos transportes, a não querer falar com politicos, mas com técnicos, e pretendendo, sobretudo, ter um único  interlocutor; a pretensão das empresas espanholas de que o governo saudita reconheça e aceite o atraso nas obras, enquanto o governo saudita pretende que as empresas cumpram o prazo estabelecido para a conclusão das obras; os custos e as dificuldades para ultrapassaram os problemas técnicos resultantes das difíceis condições ambientais locais (clima e terrenos de areia)  e até das condições de trabalho, sobretudo para os trabalhadores expatriados  ("de vez em quando temos que enviar o pessoal aos Emirados Árabes Unidos para que tomem uma cerveja e vejam um filme");  a existência de um consórcio com um número muito alargado de empresas (os consórcios concorrentes não tinham mais de 4 empresas) e com perfis muito diferentes em termos de propriedade (empresas públicas e empresas privadas), dimensão e experiência internacional; e como se tudo isto já não bastasse, são ainda apontadas as dificuldades de "lobbying" da diplomacia económica espanhola que supostamente não geriu de uma forma regular e sustentada a relação com os seus interlocutores institucionais locais, sobretudo,  depois da saída do Rei Juan Carlos que teve um papel decisivo na adjudicação desta obra, devido às suas relações de amizade com a família real saudita (o antigo soberano espanhol teve de deslocar-se, agora e  de novo, a Riade). Como referi no inicio, este é um autêntico "case study" sobre a realização de contratos públicos em mercados emergentes, neste caso envolvendo os sectores consultadoria, construção civil e fornecimento de equipamentos, com implicações também ao nível da imagem e da notoriedade de um país (Espanha) numa região de elevado potencial económico. Veremos como é que todas estas dificuldades vão ser ultrapassadas!

domingo, 11 de janeiro de 2015

Mudanças no dispositivo francês de diplomacia económica: lançamento da "Business France"

Com efeitos a 1 de Janeiro de 2015, o governo de Manuel Valls decidiu efectuar a fusão das duas principais agências envolvidas na promoção internacional da economia e das empresas francesas, ou seja, a  "Invest in France-Agence Française pour les Investissements Internationaux" e a "Ubifrance" deram ligar à "Business France". A "Business France" vai ter como missão "favoriser le développement international des entreprises implantées en France, de promouvoir les exportations françaises et de développer l’attractivité du territoire national. Business France prendra ainsi toute sa part dans les efforts pour générer plus d’échanges et d’investissements durables, au service de la relance de l’économie française, du développement économique des territoires et de la création d’emplois". Nesta mudança do dispositivo francês de diplomacia económica vai também haver uma atenção muito especial ao apoio à internacionalização das pequenas e médias empresas, à divulgação da imagem global de França e à racionalização dos meios e das equipas das duas entidades agora extintas. A rápida transformação por que passa a economia internacional e a crescente concorrência entre países pela promoção das suas empresas e pelas captação de investimento internacional, obrigam os Estados, cada vez com maior frequência, a efectuarem mudanças e reajustamentos nas suas políticas de promoção económica internacional.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Votos de um Bom Ano de 2015!


Lituânia: a adesão à Zona Euro e as relações com a Rússia


Depois da Estónia, em 2011, e da Letónia, em 2014, a Lituânia é, desde hoje, o último país Báltico a aderir à Zona Euro. A entrada da Lituânia na Zona Euro decorre numa altura de grande tensão entre a Rússia e os Países Bálticos (antigas repúblicas da União Soviética), e constitui mais uma etapa no processo de integração deste país a Ocidente (por contraponto ao facto de anteriormente pertencer ao chamado Bloco de Leste), depois da adesão, em 2004, à União Europeia e à NATO. Por ora, e de acordo com uma sondagem do Eurobarómetro de Dezembro de 2014, 63% da população lituana tem uma posição favorável à mudança de moeda e às consequências decorrentes desta opção, numa altura em que a economia lituana revela já sinais de se encontrar familiarizada com esta nova moeda (mais de 70% dos empréstimos bancários das empresas e das famílias são realizados em Euros). Por outro lado,  cerca de 50% das exportações lituanas já são destinadas aos países da União Europeia, tendência que se está a consolidar, depois da crise russa de 1998 ter forçado grande parte das empresas lituanas a reorientarem as suas prioridades em termos de mercados de exportação. No entanto, a Rússia continua a ser o primeiro cliente (19,8% do total, em 2013) e o primeiro fornecedor (28,1% do total, em 2013) da Lituânia. Mas a evolução da situação na Rússia deverá continuar a ser acompanhada com muita atenção pelas autoridades deste país de 3 milhões de habitantes (dos quais cerca de 5% são de origem russa), que adquire actualmente a totalidade das suas necessidades de gaz à Rússia, que viu recentemente algumas das suas empresas agrícolas impedidas de exportarem os seus produtos para este mercado na sequência do embargo russo a um conjunto de produtos agrícolas europeus, mas que quer continuar a reforçar ao seu posicionamento no âmbito da União Europeia e da NATO.

domingo, 14 de dezembro de 2014

As prioridades do processo de expansão internacional das universidades do Reino Unido

David Bell, Vice-Chanceler na Universidade de Reading, Reino Unido, num artigo de opinião que publicou recentemente com o titulo "Why Africa should be the next focus for UK global higher education drive" faz uma excelente análise do processo de internacionalização das universidades britânicas e dos desafios actualmente existentes nesta área. Desta análise retirámos algumas considerações que nos parecem bastante relevantes, a saber:

- "Until now, UK universities have focused on the emerging economies of Asia, with great success. This has brought Asian students to the UK in large numbers. It has also prompted British universities to set up new campuses overseas and initiate agreements with in-country institutions – the model known as transnational education".

-  "Transnational education is on the rise. In November, the Higher Education Funding Council for England reported on the increasing importance of overseas campuses and partnerships in sustaining the growth of UK universities. The Department for Business and Industry has also calculated that the sector is worth nearly half a billion pounds annually.Currently, South Africa is still somewhat off the radar of many UK universities. But some international providers, such as Australia’s Monash University, are already well embedded and seeing the extraordinary results. I am proud that my institution’s business school is among them".

-  "Given the strong historical ties to Britain, South African students might consider coming to UK universities to supplement their in-country education, before returning to lead change. Such transnational education can bring additional benefits for UK-based students too. As graduate employers increasingly look to attract a workforce with “global skills", providing opportunities for study and travel in both directions becomes more important. Transnational campuses in English-speaking countries could bring new opportunities for more adventurous anglophone undergraduates, in subjects beyond those that traditionally involve a year abroad".

Em síntese, parece-nos que esta reflexão de David Bell pode constituir um contributo importante para o debate que está a ter lugar em algumas universidades portuguesas (públicas e privadas) sobre o seu processo de expansão internacional, nomeadamente para os países lusófonos. Aliás, estamos em crer que este espaço de expansão natural das universidades portugueses vai passar a ser disputado, a muito curto prazo, por universidades de outros países, a exemplo do que verifica em outros sectores da actividade económica.