Via blogue EcoAmericano do jornal espanhol El País uma análise muito oportuna de Alejandro Rebossio sobre as relações económicas da Finlândia com os países da América Latina. Em 2013, e pela primeira vez, o governo finlandês estabeleceu um plano de actuação específico para esta região do Continente americano onde já estão instaladas cerca de 160 empresas de capitais finlandeses. O stock de investimento finlandês na região já atingiu um montante de 6 mil milhões de euros. Como se constata, até países com poucas afinidades históricas e culturais com a América Latina, como é do caso da Finlândia, estão a apostar no incremento das relações económicas e comerciais com esta região devido, fundamentalmente, às oportunidades de negócios existentes nos mercados latino-americanos. Face a esta tendência e a este tipo de desafios que surgem num contexto de alguma instabilidade económica e política na União Europeia, vai ser particularmente interessante perceber qual vai ser a "reacção" de alguns dos parceiros históricos e tradicionais dos países da América Latina. Referimo-nos a Portugal e a Espanha, cada um deles com os respectivos interesses, mas com níveis de envolvimento e de compromisso diferentes.
Globalização, comércio e investimento internacional. Tendências, estratégias e negócios em mercados internacionais. Desenvolvimento e cooperação internacional. E outras coisas mais.
domingo, 8 de junho de 2014
sexta-feira, 2 de maio de 2014
Balanços do alargamento de 2004 da União Europeia - convergências a Leste, divergências a Sul
Ontem, dia 1 de Maio de 2014, celebrou-se o 10º
aniversário da adesão à União Europeia (UE) de 8 países da Europa Central e Oriental
(PECO), nomeadamente a Eslováquia, Eslovénia, Estónia, Letónia, Lituânia, Hungria,
Polónia e República Checa (em 2004, também Chipre e Malta passaram a integrar a
UE). Num breve balanço destes 10 anos de adesão dos PECO, Zsolt Darvas, do “think
tank” Bruegel chega a um conjunto de interessantes conclusões:
Estes são alguns factos que evidenciam a rápida
transformação económica e social verificada nos últimos anos nos PECO e sua convergência, em termos do rendimento "per capita", em relação aos
países mais dinâmicos da UE, mas também os desastrados resultados das prioridades
financeiras e orçamentais que desde 2008/2009 vêm sendo seguidas pela UE em
relação a alguns países do Sul da Europa, entre os quais Portugal, que têm levado ao empobrecimento e a perdas substanciais dos rendimentos das populações destes países.
terça-feira, 22 de abril de 2014
África em mudança
A última
edição do Africa’s Pulse (veja aqui), newsletter bi-anual do Banco Mundial,
destaca um conjunto de factos relacionados com a evolução económica e social
recente do Continente Africano, nomeadamente (os sublinhados são meus):
- “O crescimento económico na África Subsariana (ASS) continua a
expandir-se, com os 4,7 por cento de 2013 a subirem para uma previsão de 5,2 por
cento em 2014. Este desempenho está a ser incentivado por uma subida do
investimento em recursos naturais e infraestruturas, e um robusto consumo das
famílias”.
- “Os fluxos de capital para a África Subsariana continuaram a crescer,
atingindo uma percentagem calculada em 5,3 por cento do PIB regional em 2013,
consideravelmente acima da média de 3,9 por cento dos países em
desenvolvimento. Os fluxos entrados na região em investimento líquido direto
estrangeiro (IDE) cresceram 16 por cento, atingindo um quase-record de USD43 mil
milhões em 2013, graças ao impulso de novas descobertas de petróleo e gás em
muitos países, incluindo Angola, Moçambique e Tanzânia”.
- “A globalização de serviços é potencialmente uma fonte importante de
crescimento para países em desenvolvimento. A tecnologia e a terceirização estão
a permitir que serviços tradicionais ultrapassem velhos constrangimentos, como a
distância física e geográfica. Os serviços modernos, como o desenvolvimento de
software, centrais de atendimento e processos administrativos
deslocalizados, pode ser negociados tal como produtos manufaturados de valor
acrescentado, permitindo aos países em desenvolvimento concentrar o seu enfoque
nesses serviços, na inovação e tecnologia, usando os serviços como importante
alavanca de crescimento”.
- “Embora as exportações da África Subsariana continuem concentradas em
alguns poucos produtos estratégicos, os países da região fizeram substanciais
progressos na diversificação dos seus parceiros comerciais”, refere
Francisco Ferreira, Economista Chefe do Banco Mundial para a Região
África. “Ao longo da última década, as exportações para mercados
emergentes, como os BRIC – Brasil, Rússia, Índia e China – cresceram de forma
robusta, devido principalmente à prolongada fase de procura de matérias-primas.
Os BRIC receberam apenas 9 por cento das exportações da África Subsariana em
2000, mas, uma década depois, representavam 34 por cento do total das
exportações (…) O Dr. Ferreira explica que o total de exportações para os BRIC
ultrapassou as exportações da região para o mercado da União Europeia (UE) em
2010 e continua a crescer. Em 2012 as exportações da região para os BRIC
atingiram USD 145 mil milhões. Só a China, representava cerca de um quarto (23,3
por cento) do total de exportações de mercadorias. Como é evidente, esta mudança
de parceiros comerciais aponta também a vulnerabilidade da região a qualquer
abrandamento nos BRIC, em particular na China ”.
A referida publicação acrescenta ainda que os principais riscos ao
crescimento e ao desenvolvimento desta região estão fundamentalmente
relacionados com a instabilidade política, as alterações dos preços das
matérias-primas e a volatilidade local dos preços dos alimentos. Mas são os
desafios suscitados pela rápida mudança e transformação económica e social do
Continente Africano e os substanciais progressos que os países africanos estão a
realizar na diversificação dos seus parceiros comerciais que nesta altura devem
merecer a necessária atenção por parte dos actores nacionais envolvidos na realização de
negócios e na implementação de actividades de cooperação para o desenvolvimento com esta
região.
quinta-feira, 10 de abril de 2014
Why British (and Portuguese) businesses should consider exporting to Poland?
O "The Guardian", um dos mais importantes e influentes jornais britânicos,
publicou há dias um artigo chamando a atenção para a relevância dos mercados da
Europa Central e Oriental, e particularmente do mercado da Polónia, como
destinos preferenciais para operações de investimento e de exportação das
pequenas e médias empresas do Reino Unido. As razões para esta recomendação estão relacionadas, fundamentalmente, com
o facto da Polónia constituir um “fast-developing country benefiting from post-communist economic
liberalisation, with a growing appetite for western products" e estar classificado "among
the top 20 most attractive markets globally for retail brands. The fast
developing tastes and stable economy mean that if retail is your business,
Poland is a great country to target. With internet
penetration of 65% in Poland, there are more than 24
million internet users in Poland. That potential can be accessed by simply
translating and localising your website for the Polish
market”. Veja o artigo aqui.
sexta-feira, 21 de março de 2014
Volkswagen anuncia um grande investimento na Polónia
A Volkswagen (VW) acaba de anunciar um novo investimento (de raiz) na Polónia, país onde já possui uma unidade industrial
localizada na cidade de Poznán (foto acima). Em Poznán são actualmente
fabricados os modelos comerciais Candy e T5 desta marca de automóveis. O novo projecto industrial vai
arrancar na cidade de Września (região da Wielkopolska),
no âmbito da zona económica especial de Wałbrzych, tem um valor estimado de 800
milhões de euros e irá empregar cerca de 2 300 trabalhadores. A construção desta
nova unidade industrial vai iniciar-se ainda este ano e espera-se que, a partir
de 2016, se inicie a produção do modelo VW Crafter. Em 2009, prevê-se que venham a ser fabricadas 100 000 unidades/ano de VW Crafter.
Este é (mais) um sinal claro da forte
competitividade e da capacidade de atracção de investimento directo estrangeiro,
nomeadamente do sector automóvel, dos mercados da Europa Central e Oriental e
particularmente do mercado polaco. A localização geográfica, a dimensão do
mercado interno e dos mercados regionais onde está integrada, a existência de um robusto e diversificado “cluster automóvel” e os baixos custos de factores de
produção, quando comparados com os mesmos custos na Alemanha ou na Áustria,
fazem da Polónia um destino preferencial, em relação a outros destinos europeus, para os investimentos na indústria
automóvel.
domingo, 16 de março de 2014
Festa da Francofonia em Portugal (7 a 27 de Março de 2014)
Está a decorrer em Portugal, até ao dia 27 de Março, a Festa da Francofonia, numa organização de diversas embaixadas de países ligados à francofonia, em colaboração com outras entidades públicas e privadas. São várias as iniciativas de promoção da cultura e dos valores da francofonia que estão a decorrer em várias cidades portuguesas e que estão integradas nas comemorações anuais do Dia Internacional da Francofonia (dia 20 de Março). Neste âmbito, achei particularmente interessante, e muito oportuno, o artigo de opinião publicado este fim-de-semana no Expresso por um conjunto de embaixadores do "eixo da francofonia" acreditados em Portugal sobre a importância da língua francesa e do seu valor económico.
sexta-feira, 14 de março de 2014
Razões para apoiar o Manifesto dos 70
As "7 razões para apoiar o Manifesto dos 70" apresentadas por Paulo Pedroso, via blogue Banco Corrido, e que subscrevo na globalidade:
"1. A nossa dívida cresceu de forma descontrolada por causa da crise económica internacional e da incapacidade de resposta adequada à nova situação por parte da Europa em geral e da zona Euro em particular, com especiais responsabilidades da parte do governo alemão na gestão errada do processo.
2. A estratégia assente na austeridade está a criar dificuldades adicionais ao país e não a contribuir para a resolução dos seus problemas. Não apenas depende de tornar permanentes medidas que se anunciaram como transitórias como exigirá recorrentemente medidas mais restritivas e asfixiará o investimento público e privado, retirando oxigénio à economia no presente e potencial ao seu crescimento no futuro. Mais, degradará os serviços públicos, já em risco progressivo de paralisia e baixará persistentemente o nível de vida dos portugueses em geral e da classes médias em particular, ao mesmo tempo que aumenta a precariedade social de diversos estratos sociais vulneráveis à acção ou omissão de acção por parte do Estado.
3. Os problemas estruturais do país não se resolvem sem uma nova estratégia económica e sem a canalização de recursos para um novo perfil de investimento, que mude os factores em que somos internacionalmente competitivos. Essa canalização de recursos é impossível se o Estado estiver duradouramente em contenção e o crédito for persistentemente escasso e caro. Voltar a investir é uma prioridade urgente para Portugal.
4. Não haverá recursos para alimentar um novo ciclo de investimento sem abaixamento dos juros, prolongamento dos prazos de amortização da dívida e todas as outras medidas que sejam necessárias para a redução do esforço nacional com encargos da dívida a um patamar comportável e sustentável no médio prazo.
5. As medidas a tomar para a gestão da dívida devem ser coordenadas no espaço europeu e entre países da zona Euro. É neste espaço que deve ser encontrado o mecanismo institucional de gestão do risco da dívida pública. E é urgente que sejam adoptados os mecanismos adequados ao bom funcionamento, em todas as suas dimensões, vários dos quais continuam a faltar, a ser insuficientes ou a estar mal orientados.
6. Entre esses mecanismos avulta a necessidade de adoptar um processo especial de restruturação das dívidas públicas dos países do Euro que se encontraram sobreendividados pela conjugação da crise económica internacional com a resposta europeia a ela e cuja margem de acção em matéria de política económica está circunscrita pela pertença ao Euro.
7. Não é cedo para gritar que o rei vai nu, conceber estratégias alternativas e lutar para que sejam adoptadas. A dimensão do processo institucional a desencadear implicará tempo de efectivação e discussão transparente. As tentativas europeias de gerir a crise pelo silêncio, pela calada da noite e ao fim-de-semana, para evitar os mercados e as opiniões públicas, trouxe-nos aqui. Não é credível que os mercados não saibam já que as dívidas têm que ser reestruturadas. E parece racional que considerem que a criação de um clima europeu para a sua reestruturação ordenada e no quadro institucional da União Económica e Monetária dá mais garantias de mitigação de riscos do que a entrega à agonia dos países atingidos pela crise internacional e a incapacidade de resposta adequada europeia. "
domingo, 2 de março de 2014
"Putinism: the ideology", Conferência da Profª. Anne Applebaum na London School of Economics and Political Science (LSE), em 28.01.2013
Uma notável conferência que nos permite compreender melhor o que está em causa no actual conflito político e militar entre a Rússia e a Ucrânia.
sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014
Também a Polónia aposta em África
Este é o video promocional lançado pelo governo polaco, no âmbito do programa "GoAfrica", para incentivar o reforço das relações económicas e empresariais com o Continente Africano, pois "Poland, one of the biggest countries of the European Union, cannot lag behind other European players that are already present in Africa".
terça-feira, 4 de fevereiro de 2014
BRIC's, CIVETS, MINT's....
Em 2001, Jim O´Neill, à época economista-chefe da Goldman Sachs, lançou o termo "BRIC" para designar as economias emergentes do Brasil,
Rússia, Índia e China. Em 2009, Robert Ward, director do “Economist
Intelligence Unit” chamou a atenção para as potencialidades dos "CIVETS", isto é, Colômbia, Indonésia, Vietname, Egipto, Turquia e África do Sul, mas alguns destes países viriam a não atingir o esperado protagonismo económico internacional. Mais recentemente, o mesmo Jim O´Neill avançou com o termo "MINT", ou seja, México, Indonésia, Nigéria e Turquia e considera que estes mercados apresentam
um elevado potencial de crescimento económico e de oportunidades para as
empresas dos países desenvolvidos. Sobre a crescente relevância internacional
destes mercados, o referido ex-economista-chefe da Goldman Sachs realizou uma serie de programas na “BBC Radio”,
designada por “MINT: The Next Economic Giants”, e o jornal “The Guardian”, no passado dia 10 de Janeiro, efectuou uma análise detalhada deste tema. Estas são designações que têm por base análises económicas com alguma profundidade e que nos ajudam a compreender melhor, e de uma forma simplificada, algumas tendências da economia global e as potencialidades e oportunidades de negócios existentes em alguns países. Estes são países que estão na agenda de internacionalização de muitas empresas europeias, constituindo importantes apostas no âmbito das suas políticas de diversificação de mercados e de clientes.
terça-feira, 21 de janeiro de 2014
Malta aposta num programa de concessão de "nacionalidade gold"
O governo de Malta lançou o “Malta Individual Investor Program”, iniciativa que vai permitir a qualquer cidadão estrangeiro, mediante o investimento de uma quantia mínima de 650 000 euros, obter um passaporte de Malta e desse modo a nacionalidade deste país da União Europeia (em Chipre, e num programa semelhante, são necessários 2,5 milhões de euros para a obtenção da nacionalidade cipriota). Este novo cidadão maltês pode depois solicitar
passaportes para a restante família, a preços de saldo: 25 000 euros para cada
filho menor e 50 000 euros para os filhos maiores, esposa, pais e sogros. De
acordo com o Primeiro-Ministro de Malta, pretende-se com este programa captar investidores
estrangeiros e celebridades e individualidades do “jet-set” internacional.
Portugal não foi tão longe com a sua política de “vistos gold”, em que
mediante determinadas condições, e com um investimento mínimo de 500 000 euros,
se pode obter um visto de residência em Portugal. Refira-se que em matérias de atribuição da
nacionalidade, os Estados-membros da União Europeia têm autonomia para definirem
as suas próprias regras e condições, não estando, por isso, limitados pelos condicionalismos da política de
emigração da União Europeia. Vai valer a pena daqui a uns tempos efectuar uma avaliação de algumas destas medidas nas suas múltiplas dimensões incluindo, obviamente, ao nível da imagem externa da política
europeia de emigração, por vezes tão restrita e brutal em relação a cidadãos de países terceiros e até, como vimos recentemente, a movimentos de cidadãos de
alguns países comunitários (casos da Bulgária e da Roménia) no espaço da própria União Europeia.
P.S. - Sobre a política de emigração da União Europeia ver aqui uma análise de Corinne Balleix recentemente publicada pela "La Documentation Française".
P.S. - Sobre a política de emigração da União Europeia ver aqui uma análise de Corinne Balleix recentemente publicada pela "La Documentation Française".
quinta-feira, 16 de janeiro de 2014
quarta-feira, 15 de janeiro de 2014
América Latina
Dois interessantes artigos relacionados com a
América Latina. O primeiro, da autoria do escritor mexicano Enrique Krauze e publicado no jornal El País, referente a um debate em que este recentemente participou, juntamente com o seu colega peruano Mario Vargas Llosa, na universidade norte-americana de Princeton, sobre a realidade política e económica da América Latina, os progressos atingidos e os desafios que colocam a alguns dos países mais relevantes dessa região. O segundo artigo, apresentado na Harvard Business Review Blog Network, destaca o crescente protagonismo da população de origem hispânica na economia norte-americana, prevendo-se que já no próximo ano venha a representar a maior componente da população activa do Estado da Califórnia e que, em 2050, constitua mais de metade da população activa dos EUA. Uma nota complementar: em face das diferentes visões sobre o processo de desenvolvimento político e económico e das rápidas transformações que se estão a verificar na América Latina, dever-se-á olhar para esta região com particular atenção, tentando também avaliar as consequências para a economia portuguesa das crescentes interdependências
que se vão estabelecendo entre esta região e os EUA.
segunda-feira, 13 de janeiro de 2014
Fundos soberanos do Médio Oriente escapam à crise internacional
A crise internacional de 2008/2009 parece não ter afectado a capacidade financeira dos fundos soberanos do Médio Oriente que viram, desde 2007, os seus activos crescerem cerca de 60% e atingirem actualmente um valor de 1.600 mil milhões de USD. Entre os fundos soberanos mais robustos contam-se os da Arábia Saudita
(680 mil milhões de USD), Abu Dhabi (425 milhões de USD), Koweit (400 mil
milhões de USD), Qatar (175 mil milhões de USD), Oman (16 mil milhões de USD) e
Bahrein (11 mil milhões de USD). Estas são entidades com uma intervenção
geográfica global e que procuram oportunidades de investimento em múltiplos sectores e empresas. Por isso,
deveriam fazer parte do "road map" de instituições internacionais a serem abordadas e visitadas regularmente pelos decisores económicos portugueses, sobretudo os que estão ligados às médias e grandes empresas nacionais mais internacionalizadas.
sábado, 11 de janeiro de 2014
Programa "Os Europeus", SIC Notícias
Num país onde o debate e a discussão de temas europeus não têm merecido, infelizmente, grande atenção no espaço público, saúdo com grande satisfação o aparecimento de um novo programa semanal da SIC Notícias, designado "Os Europeus", que se propõe acompanhar a vida da Europa e da União Europeia.
Nova pauta aduaneira angolana
Uma nova pauta aduaneira está, desde o início do ano, em vigor em Angola. Esta nova pauta aduaneira veio introduzir algumas significativas alterações no regime de importação angolano com o aumento das taxas e dos direitos aduaneiros sobre um conjunto de produtos importados do exterior e que na maior parte dos casos já são produzidos nesse país. Com esta medida, as autoridades angolanas pretendem, fundamentalmente, proteger e promover o desenvolvimento da sua indústria, através da substituição das importações pela produção local. É uma decisão que vai ter consequências importantes na estruturação do tecido empresarial angolano, mas também ao nível do comércio externo deste país, quer no que se refere à tipologia dos produtos importados, e respectivos países fornecedores, quer no que diz respeito aos produtos que a médio-longo prazo passarão a ser exportados pelas empresas angolanas. Ou seja, esta nova pauta aduaneira vai ter implicações directas no perfil das exportações portuguesas para Angola e até nas estratégias de internacionalização de algumas empresas nacionais que desenvolvem negócios nesse país.
segunda-feira, 6 de janeiro de 2014
Espanha e o impasse nas obras de alargamento do Canal do Panamá
A suspensão das obras de alargamento do Canal do Panamá que estão a ser realizadas por um consórcio de empresas liderado pela construtora espanhola Sacyr, e que integra a empresa italiana Impregilio, a belga Jan de Nul e a panamiana Cusa, está a causar profundas preocupações nos governos panamianos e espanhol. Em causa está o facto da Autoridade do Canal do Panamá não reconhecer trabalhos extra no valor de 1.600 milhões de USD que na opinião do consórcio construtor de devem à existência de falhas geológicas não previstas no caderno de encargos desta obra. Com efeito, este é um dos maiores e mais
relevantes contratos de engenharia internacionais, com um valor de 5 250
milhões de USD, e tem uma importância estratégica para as empresas envolvidas, mas
também para a sustentabilidade da presença espanhola no Panamá e para própria
imagem global da "Marca Espanha". Para a Sacyr, o Panamá representa 25% da sua
facturação e para a FCC, outra empresa espanhola envolvida na construção do Metro
da Cidade do Panamá, este país constitui o seu 2º mercado internacional detendo
uma carteira de projectos de 2.500 milhões de USD e cerca de 2 400 empregados
no país. Para além destas duas empresas, estão também presentes no Panamá cerca de 300
firmas espanholas de vários sectores de actividade (o stock de investimento
directo estrangeiro espanhol no país é de 3.000 milhões de USD e permitiu a
criação de 15 000 empregos) que podem ver os seus negócios afectados se não for
encontrada uma rápida resolução para este diferendo. Para já, o governo
espanhol encarregou a Ministra do Fomento, Ana Pastor, de assegurar a liderança de uma equipa
de mediação com o objectivo de tentar chegar a um acordo em relação a este assunto, facto que vem colocar, uma vez mais, em
evidência o papel que o Estado pode desempenhar no apoio à internacionalização das empresas que
actuam nos chamados "mercados públicos", e particularmente em economias emergentes. A prazo, veremos também se o eventual atraso na concretização deste projecto não terá consequências em outras geografias, e nomeadamente em Portugal.
São Tomé e Príncipe – CNN’s Dream Destination for 2014
São Tomé e Príncipe faz parte de “short list” de destinos de sonho para 2014 do canal global de televisão CNN. Uma merecida distinção que poderá trazer
efeitos bastante positivos e estruturantes para o sector turístico
são-tomense.
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