A crise internacional de 2008/2009 parece não ter afectado a capacidade financeira dos fundos soberanos do Médio Oriente que viram, desde 2007, os seus activos crescerem cerca de 60% e atingirem actualmente um valor de 1.600 mil milhões de USD. Entre os fundos soberanos mais robustos contam-se os da Arábia Saudita
(680 mil milhões de USD), Abu Dhabi (425 milhões de USD), Koweit (400 mil
milhões de USD), Qatar (175 mil milhões de USD), Oman (16 mil milhões de USD) e
Bahrein (11 mil milhões de USD). Estas são entidades com uma intervenção
geográfica global e que procuram oportunidades de investimento em múltiplos sectores e empresas. Por isso,
deveriam fazer parte do "road map" de instituições internacionais a serem abordadas e visitadas regularmente pelos decisores económicos portugueses, sobretudo os que estão ligados às médias e grandes empresas nacionais mais internacionalizadas.
Globalização, comércio e investimento internacional. Tendências, estratégias e negócios em mercados internacionais. Desenvolvimento e cooperação internacional. E outras coisas mais.
segunda-feira, 13 de janeiro de 2014
sábado, 11 de janeiro de 2014
Programa "Os Europeus", SIC Notícias
Num país onde o debate e a discussão de temas europeus não têm merecido, infelizmente, grande atenção no espaço público, saúdo com grande satisfação o aparecimento de um novo programa semanal da SIC Notícias, designado "Os Europeus", que se propõe acompanhar a vida da Europa e da União Europeia.
Nova pauta aduaneira angolana
Uma nova pauta aduaneira está, desde o início do ano, em vigor em Angola. Esta nova pauta aduaneira veio introduzir algumas significativas alterações no regime de importação angolano com o aumento das taxas e dos direitos aduaneiros sobre um conjunto de produtos importados do exterior e que na maior parte dos casos já são produzidos nesse país. Com esta medida, as autoridades angolanas pretendem, fundamentalmente, proteger e promover o desenvolvimento da sua indústria, através da substituição das importações pela produção local. É uma decisão que vai ter consequências importantes na estruturação do tecido empresarial angolano, mas também ao nível do comércio externo deste país, quer no que se refere à tipologia dos produtos importados, e respectivos países fornecedores, quer no que diz respeito aos produtos que a médio-longo prazo passarão a ser exportados pelas empresas angolanas. Ou seja, esta nova pauta aduaneira vai ter implicações directas no perfil das exportações portuguesas para Angola e até nas estratégias de internacionalização de algumas empresas nacionais que desenvolvem negócios nesse país.
segunda-feira, 6 de janeiro de 2014
Espanha e o impasse nas obras de alargamento do Canal do Panamá
A suspensão das obras de alargamento do Canal do Panamá que estão a ser realizadas por um consórcio de empresas liderado pela construtora espanhola Sacyr, e que integra a empresa italiana Impregilio, a belga Jan de Nul e a panamiana Cusa, está a causar profundas preocupações nos governos panamianos e espanhol. Em causa está o facto da Autoridade do Canal do Panamá não reconhecer trabalhos extra no valor de 1.600 milhões de USD que na opinião do consórcio construtor de devem à existência de falhas geológicas não previstas no caderno de encargos desta obra. Com efeito, este é um dos maiores e mais
relevantes contratos de engenharia internacionais, com um valor de 5 250
milhões de USD, e tem uma importância estratégica para as empresas envolvidas, mas
também para a sustentabilidade da presença espanhola no Panamá e para própria
imagem global da "Marca Espanha". Para a Sacyr, o Panamá representa 25% da sua
facturação e para a FCC, outra empresa espanhola envolvida na construção do Metro
da Cidade do Panamá, este país constitui o seu 2º mercado internacional detendo
uma carteira de projectos de 2.500 milhões de USD e cerca de 2 400 empregados
no país. Para além destas duas empresas, estão também presentes no Panamá cerca de 300
firmas espanholas de vários sectores de actividade (o stock de investimento
directo estrangeiro espanhol no país é de 3.000 milhões de USD e permitiu a
criação de 15 000 empregos) que podem ver os seus negócios afectados se não for
encontrada uma rápida resolução para este diferendo. Para já, o governo
espanhol encarregou a Ministra do Fomento, Ana Pastor, de assegurar a liderança de uma equipa
de mediação com o objectivo de tentar chegar a um acordo em relação a este assunto, facto que vem colocar, uma vez mais, em
evidência o papel que o Estado pode desempenhar no apoio à internacionalização das empresas que
actuam nos chamados "mercados públicos", e particularmente em economias emergentes. A prazo, veremos também se o eventual atraso na concretização deste projecto não terá consequências em outras geografias, e nomeadamente em Portugal.
São Tomé e Príncipe – CNN’s Dream Destination for 2014
São Tomé e Príncipe faz parte de “short list” de destinos de sonho para 2014 do canal global de televisão CNN. Uma merecida distinção que poderá trazer
efeitos bastante positivos e estruturantes para o sector turístico
são-tomense.
domingo, 5 de janeiro de 2014
quarta-feira, 1 de janeiro de 2014
Letónia é o novo membro da Zona Euro
A Letónia é o 18º país membro da União Europeia a aderir à Zona Euro. Passou a ser o 2º país Báltico e o 4º país ex-comunista da Europa Central e Oriental a adoptar a moeda única, depois da Eslovénia, em 2007, da Eslováquia, em 2009, e da Estónia, em 2011. Que outros países da Europa Central e Oriental se seguirão na adesão à Zona Euro? É ainda uma grande incógnita, pois se existem países que estão longe de cumprir os critérios exigidos para essa adesão, como a Hungria ou a Roménia, outros acreditam que têm vantagens em preservar, pelos menos por enquanto, as suas moedas nacionais, como são os casos da Polónia e da República Checa. De qualquer modo, e 15 anos depois do lançamento do Euro, em 1999, são já 333 milhões os europeus que utilizam a moeda única.
P.S. - Depois de uma "ausência" de cerca de 4 meses, volto aos meus "posts". É uma actividade sempre estimulante que espero que não venha a ser prejudicada, nos próximos tempos, por falta de tempo e/ou de motivação. Boas leituras e votos de um excelente ano de 2014!
quarta-feira, 25 de dezembro de 2013
terça-feira, 10 de dezembro de 2013
sexta-feira, 2 de agosto de 2013
Break Time
Pela necessidade de um profundo envolvimento em outras actividades, iremos fazer um intervalo nas nossas notas até ao final do corrente ano. Até lá, andaremos pelo Twitter em @ruipauloalmas. Muito obrigado pelas vossas leituras, e também pela compreensão, e um resto de um excelente ano de 2013.
quinta-feira, 1 de agosto de 2013
Observatório da Emigração: Entrevista à investigadora Cláudia Pereira sobre a emigração portuguesa no Reino Unido
Foto: The Guardian
O Observatório da Emigração foi criado em 2008, com base num protocolo
entre a Direcção-Geral dos Assuntos Consulares e Comunidades Portuguesas
(DGACCP) e o CIES/ISCTE – Centro de
Investigação e Estudos de Sociologia/ISCTE –
Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE-IUL) com o objectivo de “produzir e disponibilizar informação sobre a
evolução e as características da emigração e das comunidades portuguesas e
contribuir para a definição de políticas públicas neste domínio”. Trata-se de um
projecto bastante interessante que tem como coordenador cientifico Rui Pena
Pires (CIES, ISCTE) e que tem contribuido para uma maior conhecimento das actuais caracteristicas da diáspora portuguesa. Reproduzo aqui uma entrevista realizada, no âmbito do
referido Observatório, à investigadora Cláudia Pereira sobre a problemática e caracterização da emigração portuguesa no Reino Unido.
UNCTAD - "Economic Development in Africa Report’2013: Intra-African Trade Unlocking Private Sector Dinamism"
A UNCTAD acaba de publicar o estudo “Economic Development in Africa Report’2013 - Intra-African Trade: Unlocking Private Sector Dinamism”, dedicado ao tema das relações comerciais intra-africanas, fazendo uma reflexão sobre como a forma como é que o sector
privado africano pode contribuir para o crescimento e reforço deste tipo de
relações comerciais.
De
acordo com este trabalho, “Intra-African trade presents opportunities for
sustained growth and development in Africa. It has the potential to reduce
vulnerability to global shocks, contribute to economic diversification, enhance
export competitiveness and create employment. (…) The report argues that for
African countries to reap expected gains from intra-African trade and regional
integration, they will need to place the building of productive capacities and
domestic entrepreneurship at the heart of the policy agenda for boosting
intra-African trade. In this context, the report recommends that African
Governments should promote intra-African trade in the context of developmental
regionalism. In particular, it stresses the need for a shift from a linear and
process based approach to integration, which focuses on elimination of trade
barriers, to a more development-based approach to integration, which pays as
much attention to the building of productive capacities and private sector
development as to the elimination of trade
barriers.”
domingo, 28 de julho de 2013
terça-feira, 23 de julho de 2013
"Futre e os chineses" - FC Barcelona abre representação comercial em Hong Kong
A intervenção do ex-futebolista Paulo Futre sobre o potencial económico do mercado chinês para a sustentabilidade comercial e financeira do Sporting Clube de Portugal mereceu, em tempos, um amplo destaque na opinião pública portuguesa (ver vídeo acima). Nesta linha de "argumentação", a imprensa espanhola de hoje dá conta da próxima abertura de uma representação comercial do FC Barcelona em Hong Kong com o objectivo de mobilizar/angariar patrocinadores e publicidade e de desenvolver as propostas de negócios "on line" do clube catalão na China. Neste sentido, como é que os principais clubes de futebol portugueses tencionam tratar as potencialidades de negócio oferecidas pelo mercado chinês?
domingo, 21 de julho de 2013
2013 - Um ano marcante para os Países Bálticos
O ano de 2013 vai ser um ano marcante para os três países bálticos (Estónia, Letónia e Lituânia) que aderiram, em 2004, à União Europeia. Desde 1 de Julho de 2013, a Lituânia passou a ser o primeiro país báltico a assegurar a presidência rotativa da União Europeia e, em 2013, foi também formulado o convite para a Letónia passar a integrar, a partir de 1 de Janeiro de 2014, a Zona Euro, juntando-se, assim, à Estónia na partilha da moeda única europeia. Em face desta diversidade de desafios que irão afectar a situação económica e politica destes países nos próximos anos, o "think tank" francês "Notre Europe/Institut Jacques Delors", dirigido actualmente pelo ex-ministro e ex-comissário europeu António Vitorino, decidiu realizar um interessante estudo sobre esta realidade, designado por "Les États baltes dans l'UE: passé, présent et futur" , da autoria de Agnia Grigas, Andres Kasekamp, Kristina Maslauskaite, Liva Zorgenfreija e Jerzy Buzek, e que pode ver aqui.
sexta-feira, 5 de julho de 2013
Banco Africano de Desenvolvimento vai voltar a Abidjan (Costa do Marfim)
Na sequência de uma decisão do Conselho de Governadores do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) tomada na última Assembleia Anual, realizada entre os dias 27 e 31 de Maio de 2013, em Marrakech (Marrocos), esta entidade multilateral de financiamento vai voltar a localizar a sua sede em Abidjan (na foto), Costa do Marfim. A mudança de Abdijan para Tunis ocorreu no ano de 2003, na sequência da eclosão da guerra civil na Costa do Marfim. De acordo com a referida decisão, o início da deslocalização dos cerca de 1500 funcionários do BAD vai ter lugar em finais do corrente ano, esperando-se que este processo fique concluído até Novembro de 2014, altura em que esta instituição irá comemorar o seu 50º aniversário. Esta mudança está a ser preparada com bastante atenção pela administração do BAD - por exemplo, esta realizou há dias uma sessão de informação/formação para as empresas da Costa do Marfim sobre o tema “Comment devenir fournisseur de la BAD ?”- pois as mudanças irão ser grandes, mas em sentidos opostos, para Tunis e para Abidjan. Abidjan vai voltar a ocupar o lugar de importante plataforma económica e financeira africana, sendo esta decisão um sinal claro de confiança e de apoio às autoridades marfinenses, enquanto a saída de Tunis surge num momento particularmente difícil da vida politica e económica tunisina.
Face à relevância do BAD no apoio financeiro ao desenvolvimento de países africanos, de que têm beneficiado algumas empresas portuguesas, esta deslocalização para Abidjan pode levar à necessidade de algumas alterações na estrutura da diplomacia económica portuguesa na África Subsaariana, e nomeadamente na Costa do Marfim onde não existe, actualmente, nenhuma representação diplomática nacional.
quinta-feira, 4 de julho de 2013
Marcas globais e multinacionais de economias emergentes: "Never give up, no matter what"
Via The Economist: "Fortune magazine’s 2012 list of the largest 500 companies by sales revenue included 73 Chinese firms, more than from any other country except the United States, with 132. Yet Interbrand’s 2012 list of the 100 “best global brands” included not one Chinese firm". Este é um facto relevante, mas que com certeza irá mudar rapidamente, pois de acordo com a mesma revista "developing-country firms are swiftly learning the art of branding. A few emerging-market brands have already gone global: it is hard to watch a football match in Europe without having “Emirates” burned onto your retina. More are on the way: Haier of China (white goods), Concha y Toro of Chile (wine), and Natura of Brazil (beauty products). Westerners feeling besieged by the rise of the developing world comfort themselves with the thought that they still hold the high ground of premium-priced branded goods. But they should be in no doubt that emerging-market contenders are mounting their warhorses and readying their battering-rams". A seguir, pois as estas novas multinacionais "Never give up, no matter what"!
Ainda sobre a adesão da Croácia à União Europeia
Desde 1 de Julho, a Croácia é o 28º membro da União Europeia. Neste âmbito, o Eurostat publicou um estudo comparativo sobre os principais indicadores económicos e sociais da Croácia e da União Europeia(UE), que pode ver aqui, e dos quais se destacam os seguintes dados:
- A Croácia tem uma população de 4,4 milhões de habitantes (UE27 - 502 milhões de habitantes) com uma esperança média de vida e uma taxa de fertilidade sensivelmente inferiores à média da UE27.
- Um PIB per capita que representa 61% da média comunitária (UE27-100).
- O sector agrícola emprega cerca 11% da população activa.
- 60% das exportações croatas destinam-se à União Europeia.
Também o Institut Delors/Notre Europe, fez uma análise deste último alargamento da UE defendendo, todavia, alguns ajustamentos nas politicas de alargamento que constituem, actualmente, um dos principais pilares da dimensão externa da UE (pode ver aqui).
Para as empresas portuguesas, e depois da entrada da Eslovénia na UE, em 2004, abre-se um espaço de novas oportunidades de negócios que deverá também incluir outras repúblicas da ex-Jugoslávia, como a Sérvia, Montenegro, Macedónia e Bósnia e Herzegovina, algumas delas em adiantadas negociações de adesão à UE.
Subscrever:
Mensagens (Atom)







