Globalização, comércio e investimento internacional. Tendências, estratégias e negócios em mercados internacionais. Desenvolvimento e cooperação internacional. E outras coisas mais.
segunda-feira, 24 de dezembro de 2012
quinta-feira, 20 de dezembro de 2012
Argélia: mercado de elevado potencial na outra margem do Mediterrâneo
O Presidente francês, François Hollande iniciou ontem uma visita oficial à Argélia. É um momento muito significativo para a politica externa francesa, tendo em atenção as fortes interdependências existentes entre os dois países e as cicatrizes ainda existentes da luta de libertação da Argélia que opôs a França e os movimentos independentistas argelinos. François Hollande está acompanhado por 9 ministros, cerca de 30 grandes empresários, 90 jornalistas e também de uma comitiva bastante representativa de entidades ligadas ao sector da cultura e das artes (significativo também este último dado...a politica externa não se deve limitar ou até ficar refém dos sucessos ou insucessos da diplomacia económica).
No âmbito desta visita, a Renault anunciou que vai abrir uma unidade de montagem de automóveis na Argélia que irá produzir, já a partir de 2014, cerca de 25 000 automóveis/ano da marca Renault Symbol, uma viatura derivada da do Renault Logan. Do lado argelino, Issad Rebrab , líder do Grupo Cevital, o primeiro grupo privado do país com negócios no sector agro-alimentar, distribuição e material eléctrico e electrónico e uma facturação anual de 3 mil milhões de euros, refere que tem a firme intenção de realizar grandes investimentos em França, alguns deles em parceria com entidades do Qatar, pois "L’Algérie n’a pas de problème d’argent. L’Etat et les entreprises sont mêmes en situation de surliquidités. Mais il nous manque la technologie et le savoir faire technique. Je souhaite racheter des entreprises françaises, qui ensuite transfèreront leur savoir-faire en Algérie. Pour autant, elles ne délocaliseront pas leur production, qui restera en France. En revanche, si elles sont en sureffectifs, elles pourront transférer une partie de leur personnel dans nos sociétés en Algérie" (estes objectivos não encaixam perfeitamente nos planos de expansão internacional de algumas empresas portuguesas?).
No âmbito desta visita, a Renault anunciou que vai abrir uma unidade de montagem de automóveis na Argélia que irá produzir, já a partir de 2014, cerca de 25 000 automóveis/ano da marca Renault Symbol, uma viatura derivada da do Renault Logan. Do lado argelino, Issad Rebrab , líder do Grupo Cevital, o primeiro grupo privado do país com negócios no sector agro-alimentar, distribuição e material eléctrico e electrónico e uma facturação anual de 3 mil milhões de euros, refere que tem a firme intenção de realizar grandes investimentos em França, alguns deles em parceria com entidades do Qatar, pois "L’Algérie n’a pas de problème d’argent. L’Etat et les entreprises sont mêmes en situation de surliquidités. Mais il nous manque la technologie et le savoir faire technique. Je souhaite racheter des entreprises françaises, qui ensuite transfèreront leur savoir-faire en Algérie. Pour autant, elles ne délocaliseront pas leur production, qui restera en France. En revanche, si elles sont en sureffectifs, elles pourront transférer une partie de leur personnel dans nos sociétés en Algérie" (estes objectivos não encaixam perfeitamente nos planos de expansão internacional de algumas empresas portuguesas?).
Em face deste quadro de referência, da existência de um grande e ambicioso plano de investimentos públicos que está a ser implementado neste país do Norte de África - "Tout le pays est en construction (...) Car Abdelaziz Bouteflika, le président algérien, a lancé un programme titanesque de grands travaux: 2,1 millions de logements, 4 500 kilomètres de routes, 2 200 kilomètres de voies ferrées, 17 barrages, 1.100 établissements scolaires, 300 hôpitaux...Soit 286 milliards de dollars dépensés entre 2010 et 2013...." -, e apesar de alguns condicionalismos existentes ao nível do ambiente de negócios local, não estará na altura dos agentes económicos portugueses voltarem a acompanhar com mais atenção o mercado argelino, a exemplo do que se verificou no passado recente?
P.S. - Sobre este assunto veja também este excelente artigo de Alexandre Kateb publicado no dia 18.12.12, no jornal francês "La Tribune", com o titulo "Pourquoi l' Algérie n' est pas encore une puissance émergente".
P.S. - Sobre este assunto veja também este excelente artigo de Alexandre Kateb publicado no dia 18.12.12, no jornal francês "La Tribune", com o titulo "Pourquoi l' Algérie n' est pas encore une puissance émergente".
quinta-feira, 13 de dezembro de 2012
Escolas de gestão: mudanças de liderança e prioridades de desenvolvimento
Duas das principais escolas de gestão portuguesas mudaram recentemente de liderança. Refiro-me à ISCTE Business School que passou a ser dirigida por Mohamed Azzim e à Faculdade de Ciências Económicas e Empresariais da Universidade Católica Portuguesa (Lisboa) que passou a ser liderada por Francisco Veloso. Na actual conjuntura económica e com a crescente internacionalização das principais escolas de gestão internacionais, as duas instituições de ensino portuguesas têm importantes desafios no curto prazo. A Yale School of Management passou recentemente por um processo semelhante, sendo agora dirigida por Edward Snyder que, logo que tomou posse, definiu um conjunto de prioridades para a sua escola que nos chegaram via blog de Juan Luis Manfredi e que passamos a apresentar de seguida:
"1. Una escuela de negocios debe especializarse. No cabe que un nuevo competidor ofrezca otra vez el mejor MBA, el mejor club de antiguos alumnos o el mejor campus. El margen de diferenciación en ese entorno es limitado. Hay que buscar otras áreas de desarrollo, probablemente vinculadas los sectores económicos propios del entorno.
2. El profesorado. Hay que diversificar perfiles y contenidos. Ni en la vida ni en los negocios todo gira en torno a las finanzas, el marketing o la economía real. Las escuelas necesitan contratar nuevos perfiles que expliquen cómo funcionan los mercados, las tendencias, los nuevos medios, la comunicación estratégica o la diplomacia corporativa. Esa diversidad enriquecerá la experiencia educativa.
3. La inteligencia económica. Una escuela de negocios debe ser un centro de estudios y análisis de las realidades económicas e industriales. Hay que aprovechar el impulso y los intereses académicos para realizar estudios prospectivos, conocer las dinámicas de cambio de una economía y mostrar el conocimiento. Es, además, la mejor carta de presentación ante los futuros alumnos y ante la industria.
4. La oferta académica no puede ser rígida. Este verano hemos visto el auge de los MOOC. Pero, en general, lo que vemos es un cambio absoluto en el sistema y los valores de la educación superior: la disrupción tiene causas concretas. Para una escuela de negocios, estos cambios pasan necesariamente por diversificar la oferta y ampliar los cursos a tiempo parcial, compatibles con otras actividades.
5. No existe nada parecido a ser global. Una empresa tiene que comenzar por países, zonas geográficas o destinos concretos. Según Snyder, es más interesante comenzar por países como Vietnam o Polonia antes que lanzarse al mercado chino. Éste es amplio y diverso, mientras que aquellos son mercados con población joven y con una alta demanda de bienes y servicios".
Serão algumas destas prioridades válidas para as escolas de gestão portuguesas? Parecem-me que sim, até porque a concorrência nesta área é bastante grande e estas escolas terão que apresentar factores de diferenciação face às suas congéneres nacionais e internacionais.
segunda-feira, 10 de dezembro de 2012
ICEX (Espanha) – Ferramentas de apoio ao investimento directo no estrangeiro
Com o objectivo de apoiar as empresas espanholas interessadas em realizar operações de investimento directo no estrangeiro (IDE), o ICEX, organismo espanhol congénere da AICEP, sistematizou recentemente no seu portal institucional um conjunto de informações bastante relevantes sobre o referido tema, a saber:
- Um directório das empresas espanholas com investimentos no estrangeiro.
- Um guia das principais agências internacionais envolvidas na captação e promoção do investimento estrangeiro, com informações sobre sistemas de apoios e incentivos ao IDE.
- Um simulador dos custos de instalação de empresas em mercados internacionais com dados bastante detalhados sobre todos os encargos relacionados com esse tipo de operações.
Trata-se, efectivamente, de um conjunto de ferramentas bastante úteis para suporte e apoio à decisão das empresas espanholas interessadas em promover a sua internacionalização via investimento directo estrangeiro.
terça-feira, 27 de novembro de 2012
Acordos bilaterais entre agências de cooperação: nova estratégia de alargamento das políticas públicas de cooperação e desenvolvimento internacional?
As agências espanhola (AECID) e sul-coreana (KOICA) de cooperação e desenvolvimento internacional assinaram há dias um acordo que prevê a colaboração mutúa das duas entidades na coordenação das suas actividades em diversos países em vias de desenvolvimento. Entre os países elegidos, numa primeira fase, para a realização dessas acções conjuntas de cooperação contam-se o Paraguai, Bolívia, Peru, Filipinas e Moçambique. Poderá ser esta estratégia - o estabelecimento de parcerias com agências congéneres de cooperação para a actuação conjunta em mercados específicos - uma via para o reforço e alargamento da actuação do Camões - Instituto da Cooperação e da Língua (resultante da fusão dos antigos IPAD e Instituto Camões) nos mercados prioritários para a cooperação portuguesa?
domingo, 4 de novembro de 2012
Uma avaliação do World Bank Development Report' 2013 realizada por Jan Svejnar/Columbia University
Jan Svejnar é Director do Center on Global Economic Governance da SIPA/School of International and Public Affairs-Columbia University e faz, no video acima apresentado, uma interessante avaliação do World Bank Development Report'2013, este ano dedicado ao tema do emprego.
sábado, 3 de novembro de 2012
Os escritórios de advogados portugueses e a internacionalização empresarial
Os escritórios de advogados portugueses têm hoje um papel muito activo na promoção da internacionalização das empresas nacionais. Actualmente, os escritórios de advogados portugueses dinamizam, com bastante regularidade, acções na área da promoção da internacionalização que vão desde seminários e workshops de divulgação de mercados internacionais, elaboração de guias de negócios e outros materiais informativos, captação e assessoria a investidores estrangeiros, até ao apoio e co-organização de missões empresariais. Os escritórios de advogados portugueses constituem hoje, aquilo a que em marketing internacional, se costuma designar por "external internacionalization triggers", isto é agentes ou factores externos à empresa que estimulam o inicio do processo de internacionalização empresarial. A jusante de todo este processo estes mesmos escritórios acompanharam a internacionalização de muitos dos seus clientes e estaleceram parcerias e/ou criaram sucursais em diferentes mercados, sobretudo naqueles que têm constituído os principais destinos do investimento directo português no estrangeiro (Brasil, Espanha, Palop, Norte de África, China e Macau e Países da Europa Central e Oriental). Este fenómeno passa-se também em outros países, como por exemplo em França.
Mas este inteligente posicionamento dos escritórios de advogados vem colocar também novos desafios aos actores tradicionais do sistema português de apoio á internacionalização empresarial. Refiro-me às associações empresariais (regionais, sectoriais, multisectoriais), câmaras de comércio bilaterais, instituições bancárias e seguradoras, empresas de consultadoria e entidades públicas envolvidas na promoção económica externa do país. Também nesta área a crise por que passa actualmente a economia portuguesa irá potenciar a clarificação do papel destes diferentes actores, saindo "vencedores" os que conseguirem antecipar tendências e se posicionarem correctamente neste sistema, o mesmo é dizer os que conseguirem reflectir e actuar estratégicamente numa área cada vez globalizada e mais exigente em termos de recursos e de conhecimentos.
A Guide to China´s Leadership Changes
Entre os dias 08 e 14 de Novembro de 2012, vai ter lugar o 18º Congresso Nacional do Partido Comunista Chinês que irá escolher uma nova liderança politica para o país. Thomas König do ECFR’s China Programme, explica num excelente trabalho as características deste processo, apresenta os seus principais protagonistas e descreve, de um forma bastante clara, os maiores desafios do novo governo chinês:
" Background:
The once-in-a-decade selection of China’s leadership will take place at the 18th National Congress of the Communist Party of China, which starts on November 8th and is likely to end on 14th November. The selection comes at a tumultuous time for China. The Bo Xilai and Wang Lijun scandal made headlines across the world. Tensions have been escalating with neighbours over the contested Senkaku/Diaoyutai islands. And as a forthcoming ECFR report will argue, China is moving into the third phase of its development since the Revolution – what we call China 3.0.
What happens on November 8th 2012?
Roughly 2,300 delegates from across the country will meet in Beijing. As well as municipalities, autonomous regions and provinces, among other things they will represent Taiwan, the People’s Liberation Army, Central State Owned Enterprises and Central Banks and Financial Institutions. They will review the Party’s performance over the last five years and select members for the (200 member) Central Committee. This will then convene to appoint the Politburo and the Politburo Standing Committee. Rumours suggest the Politburo Standing Committee will have seven rather than the current nine members this year. The delegates will also rubber stamp decisions made by the outgoing leadership and by Party elders.
What is the National Congress of the Communist Party of China?
Congresses are held every five years, and serve to appoint the central institutions of the Party (Central Committee, Politburo, Secretariat). The Congress’s final resolution establishes the Party’s policy lines and often revises the Party Constitution, offering leaders a chance to put their own imprints on it.
What is the National People’s Congress?
The National Congress is not the same as the National People’s Congress (NPC), which is China’s national legislature. The NPC only holds one session per year, in March. It appoints all high government positions, although these appointments are pre-cooked by the Party leadership. The NPC also debates and votes new laws, and although this process offers no room for rejection, debate and nay votes can reveal a degree of internal dissent. The Party leaders slated for government roles after the November 2012 Party Congress will formally take their roles at the end of the next NPC session, in March 2013.
Why is the 18th National Congress of the Communist Party of China so important?
It represents a significant clearing out of many of those with their hands on the levers of power. 14 of the 25 Politburo members are due to retire, and seven of the nine current Politburo Standing Committee members will step down. Three quarters of the Central Military Commission, along with large portions of China’s ‘cabinet’ – the State Council – will also be replaced. Put simply, 60-70% of China’s top leadership will retire.
The new generation includes many ‘princelings’, the offspring of prominent influential senior Party officials (for instance Xi Jinping, whose father Xi Zhongxun is a former Vice-Premier), and members of the Communist Youth League (previously led by President Hu Jintao and Vice Premier Li Keqiang). In contrast to previous ‘technocratic’ leaders (all nine spots on the current Politburo Standing Committee are held by engineers), this ‘fifth generation’ of Chinese leaders comes from diverse educational backgrounds, often studying social sciences or the humanities.
Who are the new Chinese leaders?
Xi Jinping is expected to succeed President Hu Jintao. He will become the General Secretary of the Chinese Communist Party during the Party Congress, and President of the People’s Republic during the NPC 2013 session. The timing of his succession to Hu Jintao at the head of the Party and State Military Affairs commission is still unknown. Xi is currently overshadowed by his wife, Peng Liyuan, a major general in the PLA and an incredibly popular folksinger.
In 1969, Xi was sent to work in poverty-stricken Yanchuan County in Mao Zedong's ‘Down to the Countryside Movement’, encouraging (ie forcing) ‘the urban masses’ to learn from the peasants. The time Xi spent in relative poverty is important to his image, and the Communist Party wants to portray him less as a privileged princeling, more as a man who has experienced the life of some of China's poorest. His rise through the ranks of the Party has been fast, and includes a stint at the Military Affairs Commission and other PLA positions, as well as leadership posts in Fujian, Zhejiang and Shanghai.
Li Keqiang is set to succeed Wen Jiabao as Premier of the State Council. He has a close relationship with Hu Jintao, because he was involved with the Communist Youth League when it was led by Hu. Li studied law and economics (holding a doctorate), and has long held tenure in the province of Henan, before running Liaoning. A vice-premier since 2008, his portfolio includes economic policy.
What are their challenges and what does it mean to the rest of us?
The new Chinese leadership will face several challenges in the coming decade:
- Social stability: There are around 300 million migrant workers currently struggling to integrate into urban China, and an increasing gap between the rich and poor. In 2011 there were around 180,000 ‘mass incidents’ (which involve more than 500 people and spill into public space). The Chinese government has significantly increased the public security budget, especially at the central government level where it rose by 68% between 2009 and 2011.
- Changing the economic growth mode: China will have to complete the transition from an export-led economy with notoriously high labour, energy and environmental costs, to an economy powered by domestic consumption and innovation.
- International affairs: The Xi-Li administration will need to improve relations with neighbouring countries, the US and the European Union. This will be difficult, as the coming Chinese leadership (out of necessity) will be primarily inward-looking, but forced to become more assertive externally. This tension is likely to affect any foreign engagement in the coming years. The EU-China relationship will continue to be dominated by economics. China’s domestic economic transformation will lead to a larger stake in Europe (particularly in FDI and financial inflows) and more interdependence, but as this could reinforce splits among EU member states it will need to be approached with more transparency and continued calls for reciprocal engagement."
Como já descrito no parágrafo anterior, importa perceber com mais profundidade qual vai ser a estratégia de relacionamento politico e económico das autoridades de Pequim com a União Europeia e o tipo de posicionamento que vai ser seguido pelas empresas chineses nos mercados europeus.
Australia in the Asia Century - White Paper
A profunda transformação que se está a verificar no Continente Asiático coloca grandes desafios, mas também oportunidades, à economia australiana e ao seu posicionamento geo-estratégico no contexto da região Ásia-Pacifico. Ciente deste facto, o governo de Camberra acaba de publicar um documento designado "Australia in the Asia Century - White Paper" que constitui "a roadmap to guide Australia to become a more prosperous and resilient nation, fully part of the region and open to the world" e que faz uma reflexão sobre qual deverá ser o lugar da Austrália neste novo enquadramento politico e económico. No caso português não se conhecem muitos trabalhos semelhantes nem para o Continente asiático, nem para outras áreas geográficas mais relevantes para os interesses nacionais, em termos politicos, económicos e empresariais. Algum dia as coisas mudarão? A seguir!
sábado, 6 de outubro de 2012
Oportunidades de Negócios nas Instituições da União Europeia
O Centro de Informação Europeia Jacques Delors, em Lisboa, lançou recentemente uma iniciativa de grande utilidade para a empresas portuguesas interessadas em explorar as oportunidades de negócios existentes no âmbito das instituições da União Europeia. Esse projecto designa-se "Oportunidades de Negócios na UE" e nesse site podem ser obtidas informações sobre os concursos públicos a decorrer nas instituições e organismos da União Europeia. Esta (ainda) é uma área de negócio pouco explorada pela maioria das empresas portuguesas, verificando-se algum desconhecimento sobre os procedimentos de acesso às referidas oportunidades, um deficiente acompanhamento dos concursos públicos e uma quase ausência de actividades de "lobby" junto das respectivas instituições. Espero que este importante sinal que é dado pelo Centro de Informação Europeia Jacques Delors traga bons resultados!
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Novo Blogue: O Retorno da Ásia
"O Retorno da Ásia" é um novo e muito interessante blogue dedicado à análise e reflexão de temas asiáticos da autoria de Enrique Martínez Galán e Luis Mah e que passarei a acompanhar com atenção.
Exposalão aposta no potencial dos mercados da diáspora portuguesa
Está a decorrer até ao final do dia de hoje, no recinto da Exposalão (Batalha), a 1ª edição da feira Intergal - Feira Internacional de Produtos Portugueses. Trata-se de um certame especialmente dirigido aos mercados da diáspora portuguesa e que conseguiu mobilizar, logo na edição de estreia, um número bastante significativo e diversificado de compradores internacionais. Na feira estão presentes pequenas e médias empresas de todo o país, fundamentalmente da área da alimentação e bebidas, muitas delas a darem os primeiros passos no seu processo de internacionalização. Depois do SISAB - Salão Internacional do Sector Alimentar e Bebidas , que já vai na 17ª edição, esta é a segunda iniciativa de promoção comercial realizada em Portugal que tenta explorar as oportunidades de negócios existentes junto da comunidade empresarial portuguesa radicada no estrangeiro. Um nicho de mercado de enorme potencial que urge ser melhor compreendido e explorado pelas empresas portuguesas.
sexta-feira, 28 de setembro de 2012
França apresenta prioridades para a área do comércio externo
Photo : Citizenside/Zaer Belkalai
Nicole Bricq (na foto) é a ministra francesa do comércio externo . Desta vez, e ao contrário do que se tem verificado nos últimos anos ao nível da orgânica do governo francês, a área do comércio externo foi elevada ao estatuto de ministério e goza de autonomia politica própria, deixando de estar na dependência do ministério da economia e finanças ou do ministério dos negócios estrangeiros. Como a politica também é feita de "sinais", este "estatuto de maioridade" que é dado ao sector do comércio comércio representa uma mensagem politica clara sobre a importância desta área de governação que é dada pelo chefe do governo francês aos empresários locais, e seus representantes, e aos restantes membros do governo.
No passado dia 17 de Setembro, Nicole Bricq participou nas jornadas anuais da Ubifrance (entidade congénere da AICEP, com cerca de 1400 trabalhadores e presente em 60 países com uma rede de 80 escritórios) e apresentou aos quadros superiores da instituição as principais prioridades do governo francês para a área do comércio externo (antes, teve ainda tempo para referir que a situação económica francesa é grave - lá como cá ou mais cá que lá? - , que o país atravessa uma crise sem precedentes e que por isso é fundamental uma aposta reforçada na promoção do comércio externo e no apoio à internacionalização das empresas francesas ) que passo a citar:
"Votre cœur de cible, ce sont les ETI et les PME qui peuvent s’internationaliser durablement. Le Fonds stratégique d'investissement (FSI) a identifié plus de 800 ETI (entreprises de taille intermédiaire) stratégiques. Vous proposerez à chacune d’entre elles un programme de prospection et d’accompagnement personnalisé triennal et contractualisé", a indiqué la ministre qui a présenté ses priorités d'action.
En premier lieu, l'identification des filières prioritaires et un regroupement des entreprises travaillant sur ces marchés. Ce qui aurait pour avantage "une intervention collective sur les marchés à l'étranger". La ministre a également souhaité "un renouvellement du portage" avec un soutien accru des grands groupes aux PME pour mutualiser les moyens de commercialisation des produits sur les marchés étrangers.
Une meilleure adéquation de l'offre et de la demande. Nicole Bricq a annoncé la mise en œuvre "très prochainement de couples pays-produits [afin] de coupler l'offre commerciale de nos ETI avec les besoins des pays." Pour ce faire, elle a commandé à la Direction générale du Trésor une étude des zones de croissance et de leurs marchés porteurs sur trois grandes zones géographiques : "l'Europe, les grands pays émergents, ceux que j'appelle les émergents de taille intermédiaire : la Turquie, la Colombie, le Maroc… et les nouvelles terres de croissance en Afrique", a-t-elle précisé.
Les régions devront concourir aux "déclinaisons régionales de mon plan d'action", a annoncé Nicole Bricq qui a souligné leur rôle "majeur, central." La ministre compte fortement sur les régions pour qu'elles "repèrent, sélectionnent et préparent les entreprises capables d'aller vers l'international". Un partenariat État-régions a été signé le 18 septembre. Des plans régions seront proposés d'ici au 31 mars 2013 pour organiser un "dispositif d'appui au développement international des PME et des ETI" en relation avec les pôles de compétitivité, les chambres de commerce et d'industrie, les centres régionaux de la Banque publique d'investissement et Ubifrance qui "doit devenir un opérateur connu et reconnu par les régions", a-t-elle déclaré. Objectif du partenariat État-régions : porter à 10 000 le nombre de PME/ETI d'ici à trois ans.
Les acteurs d'Ubifrance se rendront sur le terrain pour fortifier la présence et le développement des entreprises sur les marchés étrangers. "La mission diplomatique que je mets en œuvre avec Laurent Fabius est une mission nécessaire mais pas suffisante", a précisé la ministre qui a exhorté les acteurs d'Ubifrance "à conduire une action de terrain" pour avoir une approche spécifique des entreprises. "
O plano é ambicioso ( "l'équilibre du commerce extérieur - hors énergie - en cinq ans") e as prioridades parecem correctas. Aguarde-se, agora, pela sua implementação que é a fase mais preponderante e determinante desta nova estratégia de promoção do comércio externo e de internacionalização de empresas francesas (lá como cá ou mais cá que lá?).
terça-feira, 18 de setembro de 2012
Cimeira UE-África do Sul
Está a decorrer durante o dia de hoje, em Bruxelas, a 5ª Cimeira União Europeia-África do Sul. É uma ocasião para a União Europeia e a África do Sul reforçarem as suas relações ao nível politico e económico, existindo um conjunto de temas de interesse comum, nomeadamente a situação económica mundial, os “dossiers” ambiente, comércio e cooperação internacional e também os temas relacionados com a situação em África e no Médio Oriente.
A União Europeia é o principal parceiro comercial da África do Sul (representa 28% das exportações sul-africanas), o primeiro investidor externo no país (77,5% do IDE na África do Sul tem origem nos países da UE27) e o principal parceiro sul-africano no âmbito da ajuda e cooperação internacional (70% do total de ajuda externa). Desde 2004, o comércio externo UE-África do Sul cresceu 128% e cerca de 3/4 do investimento directo estrangeiro realizado país foi concretizado por empresas da União Europeia.
Como é habitual neste tipo de iniciativas, o Eurostat publicou há dias um ponto de situação actualizado das relações comerciais e de investimento da União Europeia com a África do Sul. A leitura destes dados permitem tirar algumas ilacções sobre o posicionamento e a competitividade internacional das empresas da UE27 no país em análise mas também face às suas congéneres europeias. De acordo com a Eurostat, e durante o 1º semestre de 2012, a Alemanha é, de longe, o principal exportador para a África do Sul (4,3 mil milhões de Euros; 33% do total das exportações da UE27 para a África do Sul), seguida do Reino Unido (1,9 mil milhões de euros; 14% do total das exportações), enquanto o principal importador da UE27 de produtos “Made in South África” é o Reino Unido (2,9 mil milhões de euros; 30% do total das importações) e o 2º a Alemanha (2 mil milhões de euros; 21% do total das importações). A posição de Portugal é modesta - as exportações nacionais alcançaram 47 milhões de euros (18º fornecedor no âmbito da UE27) enquanto as importações se ficaram pelos 30 milhões de euros (15º cliente no quadro da UE27).
No entanto, abordagem do mercado sul-africano por parte de algumas empresas europeias tem sido perspectivada no contexto mais amplo da África Austral e da SADC - Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral. A África do Sul é a principal potência económica na África Austral, uma base de operações ("hub") muito relevante para algumas empresas internacionais com negócios na região e é também bastante significativo o número de firmas sul-africanas com investimentos directos em todos os países da SADC. Para o caso de alguns países europeus, entre os quais Portugal, há ainda a acrescentar o potencial económico das respectivas Diásporas que desde que devidamente utilizadas podem permitir o desenvolvimento de boas oportunidades de negócios. Por tudo isto, vale a pena colocar a África do Sul no grupo de mercados internacionais a acompanhar!
No entanto, abordagem do mercado sul-africano por parte de algumas empresas europeias tem sido perspectivada no contexto mais amplo da África Austral e da SADC - Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral. A África do Sul é a principal potência económica na África Austral, uma base de operações ("hub") muito relevante para algumas empresas internacionais com negócios na região e é também bastante significativo o número de firmas sul-africanas com investimentos directos em todos os países da SADC. Para o caso de alguns países europeus, entre os quais Portugal, há ainda a acrescentar o potencial económico das respectivas Diásporas que desde que devidamente utilizadas podem permitir o desenvolvimento de boas oportunidades de negócios. Por tudo isto, vale a pena colocar a África do Sul no grupo de mercados internacionais a acompanhar!
terça-feira, 11 de setembro de 2012
The Sinodependency Index
Depois do "Big Mac Index", a "The Economist" avançou recentemente com a criação do "Sinodependency Index" que tem por objectivo avaliar o nível de dependência das principais empresas multinacionais em relação ao mercado chinês. É um tema muito actual e premente e que merece a pena ser aprofundado, sobretudo quando se avalia o o potencial do mercado chinês, as consequências de eventuais reorientações da politica comercial do país ou até mesmo os efeitos na economia mundial de um possivel "arrefecimento" da economia chinesa. Integram este indicador todas as empresas da S&P 500 Index que foram analisadas em termos sectoriais. Intel, Apple, IBM, GE, Caterpillar, Boeing, Procter&Gamble, Johnson&Johnson, Philip Morris, 3M e AIG são algumas das empresas do S&P 500 Index com maior nivel de exposição e de relacionamento comercial com a China. Uma outra questão que merece a pena ser colocada nesta reflexão é a de sabermos se iremos assistir a uma cada vez maior interpenetração destas empresas na China, e até que nível, ou se pelo contrário esta relação será diluida face ao interesse e presença destas empresas em outros mercados internacionais emergentes (Indía, Rússia, Brasil, outros países asiáticos, África).
sexta-feira, 7 de setembro de 2012
Espanha: Madrid reforça centralidade económica e empresarial
Madrid não pára!
Em relação ao investimento directo no estrangeiro, as empresas da Comunidade de Madrid investiram 781,6 milhões de euros (55,8% do total), seguida da Comunidade da Cantábria (11,7%), Catalunha (11,3%) e do País Basco (5,7%).
Quanto ao investimento directo estrangeiro em Espanha, a liderança de Madrid ainda é mais significativa. Entre Janeiro e Março de 2012 foram investidos em Madrid 3 162 milhões de euros, o que representou 88,3% do total de IDE em Espanha (+73% em relação ao período homólogo do ano de 2011). Depois de Madrid, seguiu-se, a uma longa "distância", a Catalunha com 274 milhões de euros (7,7% do total).
No período 2003-2012, Madrid recebeu 92 414 milhões de euros de IDE, ou seja, 62% do total de IDE realizado em Espanha. Depois de Madrid, aparece novamente a Catalunha que recebeu ("apenas") 15% do IDE concretizado em Espanha no mesmo período.
Estes são dados que evidenciam a crescente centralidade económica e empresarial da Comunidade de Madrid no contexto de Espanha e diria até no âmbito da Península Ibérica. Numa evolução em sinal contrário surge a Catalunha. São muitos os sinais da debilidade da economia catalã. Resta saber se esta situação se tornará irreversível.
quinta-feira, 6 de setembro de 2012
Ainda sobre o discurso histórico de Bill Clinton na Convenção do Partido Democrata
Foto: Jason Reed/Reuters
Bill Clinton fez ontem um discurso histórico na Convenção do Partido Democrata. Paulo Pedroso chamou-lhe aqui uma "aula prática de política". Por seu lado, o jornal "El País" apelidou este discurso como "La irrupción del rey Clinton", considerando que nunca um ex-presidente dos EUA fez tanto - e tão bem - por um Presidente que busca a sua reeleição. Robert Reich que foi Secretário do Trabalho de Bill Clinton assinala no seu blogue que " Bill Clinton’s speech tonight at the Democratic National Convention was very long but it was masterful — not only in laying out the case for Barack Obama and against Mitt Romney and Paul Ryan, but in giving the American public what they most want and need in this election season: details, facts, and logic". E acrescenta que "The question is not how many undecided voters saw the speech (I doubt many did) but whether it galvanizes Democrats — giving them the clarity of conviction and argument they need over the next nine weeks to explain why Obama must be re-elected, and why a Romney-Ryan administration would be a disaster for this country". Pelo que conseguiu fazer no seu primeiro mandato, num contexto económico muito dificil, Obama merece ficar mais 4 anos na Casa Branca.
Singapura de olhos postos em África
Depois da China, Japão, Coreia do Sul, India e Taiwan, chegou agora também a vez de Singapura dar sinais claro do interesse em explorar as oportunidades de negócios existentes em África. Nos dias 29 e 30 de Agosto, as autoridades de Singapura, através do International Enterprise Singapore/Ministério do Comércio e Industria, realizaram a 2ª edição da Conferência “Africa Singapore Business Forum” e assinaram nesta ocasião um acordo com a IFC/World Bank "to jointly identify growth sectors in Africa for Singapore-based companies to invest in and to share business leads and opportunities through partnerships”.
Em 2011, o comércio externo Singapura-África atingiu S$ 13,8 mil milhões o que representou um crescimento de 11,8% para o período 2007-2011. Singapura foi, em 2011, o principal investidor em África no âmbito dos países do ASEAN (cerca de S$ 23,8 mil milhões, o que constituiu um aumento de 29% face ao ano de 2010), existindo 48 empresas com capitais de Singapura instaladas em 42 países africanos (em 2010, existiam 35 empresas em 29 países africanos). Neste âmbito, parece-me que existiem vários oportunidades de negócios a explorar envolvendo empresas portuguesas instaladas em África e empresas e entidades de Singapura, sobretudo nos sectores da banca, seguros, transportes, comunicações, "trading" e infra-estruturas.
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