domingo, 20 de maio de 2012

Bélgica, terra de emigração


A Bélgica é, sem dúvida,  um país de emigrantes. De acordo com um estudo realizado pelo Institut Itinera um quarto da população belga tem um familiar estrangeiro.  Nos últimos 10 anos, entraram na Bélgica cerca de 500 000 emigrantes, ou seja 4,5% da população do país, e nos últimos 20 anos cerca de 800 000 estrangeiros adquiriram a nacionalidade belga. A Bélgica acolhe proporcionalemnte mais emigrantes que todos os seus países vizinhos, superando também alguns países tradicionais de emigração como o Reino Unido, EUA ou o Canadá. De acordo com a Eurostat, em 2060, a população belga de origem estrangeira representará entre 30 e 50% da população total do país. Estes factos vão, com certeza, suscitar muitas comentários mas colocam, fundamentalmente, grandes desafios ao nível das políticas públicas de educação, emprego, segurança social, saúde, cultura e até ao nível da politica externa e de desenvolvimento internacional da Bélgica.

sábado, 19 de maio de 2012

Presidência do BERD escapa a alemães e franceses


Pela primeira vez desde a sua função o BERD - Banco Europeu para a Reconstrução e Desenvolvimento vai ter um Presidente que não é nem alemão, nem francês. Um tanto surpreendentemente, o britânico Sir Suma Chakrabarti (na foto), um especialista em questões de desenvolvimento e cooperação internacional, foi eleito, na Sexta-feira,  Presidente do BERD. Na mesma Assembleia Geral do BERD, foi decidido a criação de um fundo especial no valor de mil milhões de euros para apoiar as operações em quatro democracias árabes emergentes: Egipto, Tunísia, Marrocos e Jordânia. Neste quatro países, o BERD vai concentrar a sua actuação "sur le développement du secteur privé, la croissance des petites et moyennes entreprises, l'amélioration des services municipaux, le développement de secteurs financiers stables et l'amélioration des services de fourniture d'énergie". A prazo, o BERD poderá vir a investir cerca de 2,5 mil milhões de euros por ano nestes quatro países, sem diminuir o seu envolvimento nos países da Europa Central e Oriental e na Ásia em que opera actualmente.
Portugal faz parte do grupo de accionistas do BERD e tem um representante na administração executiva da instituição que é  actualmente Abel Mateus (substituiu João Cravinho). O alargamento da intervenção do BERD ao Egipto, Tunísia, Marrocos e Jordânia poderá abrir, a curto-médio prazo, oportunidades claras de negócios para as empresas portuguesas, algumas delas já presentes nos referidos países, sobretudo em Marrocos e na Tunísia.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Depois do Banco Mundial chega agora a vez do BERD escolher o seu próximo Presidente


Depois da recente eleição no Presidente do Banco Mundial, vai ser escolhido, próximos dias 18 e 19 de Maio, o próximo Presidente do BERD-Banco Europeu para a Reconstrução e Desenvolvimento, instituição financeira internacional, com sede em Londes. O BERD foi fundado, em 1991, com o objectivo de apoiar a transição para a economia de mercado dos antigos países comunistas da Europa Central e Oriental. Hoje o BERD tem 63 países accionistas, entre os quais Portugal, e alargou a sua intervenção aos países da Ásia Central e mais recentemente também a alguns países do Norte de África e Próximo Oriente, nomeadamente Tunísia, Marrocos, Egipto e Jordânia.

Os candidatos à presidência do BERD são:

- Bozidar Djelic (ex-Vice-Primeiro-Ministro da Sérvia);

- Jan Krzysztof Bielecki (ex-Primeiro Ministro da Polónia);

- Philippe de Fontaine Vive Curtaz (Vice-Presidente do Banco Europeu de Investimento, e de nacionalidade francesa);

- Suma Chakrabarti ("Permanent Secretary" no Ministério da Justiça do Reino Unido);

- Thomas Mirow (actual Presidente do BERD, de nacionalidade alemã).

Diversos observadores têm vindo a abordar a necessidade deste processo ser mais aberto, transparente e baseado no mérito dos candidatos, como, aliás, se chamou também a atenção no caso da eleição para o cargo de Presidente do Banco Mundial. Até agora a presidência desta instituição tem sido dominada pelo Eixo Franco-Alemão, tendo tido 3 presidentes de origem francesa - Jacques Attali/1991-1993; Jacques de Larosière/1991-1998 e Jean Lemierre/2000-2008 - e dois de origem alemã - Horst Köhler/1998-2000 e Thomas Mirow/2008-Até ao presente. Será que é desta vez que o BERD vai ter um Presidente fora do Eixo Franco-Alemão?

Blogue Notas Verbais - Fortissima Diplomacia Económica


Agradeço a referência que aqui  nos faz o Notas Verbais sempre atento às questões da diplomacia económica e comercial. Muito obrigado.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Quem faz a promoção internacional da Comunidade de Madrid?


A PROMOMADRID é a agência da Comunidade de Madrid que tem por missão a promoção económica externa e o desenvolvimento internacional desta Comunidade espanhola. Cada uma das 17 Comunidades autónomas de Espanha dispõe de uma entidade directamente dependente do governo regional e com características semelhantes à da PROMOMADRID. O vídeo que agora apresentamos é uma das ferramentas utilizadas por esta agência para promover o investimento estrangeiro na Comunidade de Madrid. Tem excelente qualidade e é do melhor que se faz, em termos internacionais, nesta área de actividade.

domingo, 6 de maio de 2012

A dimensão económica da Francofonia



No próximo mês de Julho, vai ter lugar, no Québec (Canadá), mais uma edição do "Forum Mondial de la Langue Française", dinamizada pela Organisation Internationale de la Francophonie. Paralelamente a esta iniciativa, vai também realizar-se o "RIFÉ 2012-Rencontre Internationale de la Francophoine Économique" que pretende reflectir sobre as melhores estratégias para a afirmação e reforço da dimensão económica internacional dos países francófonos ou com alguma ligação à francofonia. O programa do "RIFÉ 2012" está muito bem estruturado, conta com um conjunto de excelentes conferencistas e um leque bastante representativo de participantes que se propõem analisar e discutir as seguintes temáticas: "faire des affaires en français"; "développer l’entrepreneuriat francophone"; "structurer les secteurs économiques prioritaires" e "valoriser la francophonie économique". Um evento que nos deve fazer reflectir sobre a  estratégia, o posicionamento e também a dimensão económica de uma outra organização: a CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa).

terça-feira, 1 de maio de 2012

A "nova" Líbia e as oportunidades para a economia da Tunísia


A Líbia pós-Gadaffi pode ter um papel determinante na melhoria da situação económica e social de alguns países vizinhos, sobretudo da Tunísia. Com efeito a situação de instabilidade que a Líbia atravessa tem permitido o crescimento significatico da exportações de produtos tunisinos, sobretudo agro-alimentares, para a Líbia; a presença de 700 000 a 900 000 refugiados líbios tem originado o aumento do consumo interno e a procura de alojamento na  hotelaria tunisina   (a atravessar uma grave crise); e o processo de reconstrução da economia líbia pode trazer, a curto-médio prazo, oportunidades de negócios para as empresas e para os trabalhadores tunisinos que no período de Gadaffi já constituiam uma das principais comunidades emigrantes no país. Para apoiar algumas destas iniciativas, o governo de Tunis, através do Instituto de Promoção das Exportações (CEPEX), acaba de inaugurar uma nova delegação em Benghazi e a principal associação patronal tunisina, UTICA, pretende abrir um escritório em Tripoli de modo a poder apoiar a internacionalização das empresas suas associadas. Estas e outras conclusões, mas também os desafios que se colocam à Líbia e aos seus vizinhos, sobretudo à Tunísia,  constam de um relatório recente do Banco Africano de Desenvolvimento designado por “New Libya, New Neighborhood: What Opportunities for Tunisia?” e que pode ver aqui.

P.S. - Esta crescente interdependência entre as economias líbia e tunisina, a par da proximidade histórica, cultural e linguística existente entre os dois países, pode também trazer oportunidades de negócios na Líbia para algumas das empresas portuguesas instaladas da Tunísia. Estas já conhecem a região, e o respectivo ambiente de negócios, e isoladamente ou em parceria com os seus sócios tunisinos deverão estar atentas à evolução da economia líbia.

Em memória de Victor Cavaco (1968-2011)


Hoje, dia 1 de Maio,  o Victor faria 44 anos. Deixou-nos, em Novembro do ano passado, depois de uma dura luta contra um cancro. Foi muito triste ver partir alguém tão próximo. Como o Octávio aqui recordou, estivemos juntos em muitos momentos e partilhámos vários projectos, desde os tempos da Associação de Estudantes do ISCTE. O Victor deixou-nos uma grande saudade. Até sempre Victor.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

O papel dos imigrantes no desenvolvimento empresarial e na promoção das exportações



aqui fizemos referência à relevância que é dada pelas autoridades irlandesas à sua Diáspora, nomeadamente à comunidade de origem irlandesa residente nos EUA. Mas desta vez o "Immigrant Council of Ireland", vem chamar a atenção para a relevância económica e empresarial das comunidades imigrantes residentes na Irlanda quer ao nível do mercado interno, enquanto criadores de empresas e geradores de novos negócios, quer ao nível do mercado externo, enquanto  promotores da internacionalização e das exportações, utilizando o conhecimento e os "networks" que dispõem nos seus países de origem. De acordo com Ivan Light, professor na University of California “historically, migrants have been key agents of enterprise, both for the countries from which they come and the countries to which they move. They are well endowed to do the work of linking and integrating economies (...) Quite often, they are bi- or multi-lingual; they develop strong understandings of multiple cultures and business environments; they have international networks; and they can perceive business opportunities that might not be obvious to those not coming from migrant backgrounds.” Denise Charlton, Chief Executive do "Immigrant Council of Ireland", acrescenta que em cidades como Amsterdão (Holanda), Estrasburgo (França) e Viena (Áustria), empresas detidas por imigrantes representam cerca de 40% do volume de negócios realizados pelas empresas nessas cidades, enquanto que em Copenhaga (Dinamarca), Frankfurt (Alemanha) e Zurique (Suíça) este valor é inferior, mas mesmo assim bastante significativo (cerca de 20%). Julgo que no caso português, onde constituem primeiras prioridades a criação de emprego e a promoção das exportações e onde existem comunidades imigrantes bastante relevantes oriundas, fundamentalmente, dos PALOP, mas também do Brasil, Ucrânia, Moldávia, entre outras, se justifica uma reflexão aprofundada  sobre o potencial económico e empresarial desta Diáspora.

domingo, 22 de abril de 2012

Será a China capaz de construir marcas globais?


A China é o principal exportador mundial. Durante algum tempo foi perspectivada como "The factory of the world". Mais recentemente como "The market of the world". Durante muito anos, houve uma especial preocupação no Ocidente em analisar o processo de evolução e transformação tecnológica da economia chinesa. Hoje, a atenção está especialmente focada em perceber como é que a China vai utilizar esta capacidade industrial e tecnológica na expansão e  internacionalização das suas empresas e das suas marcas. Ou seja, será que nas próximas décadas marcas como a Lenovo, Huawei ou Haier poderão vir a ter a notoriedade que hoje têm marcas como a Microsoft, Nokia ou HP? Esta é uma questão que tem vindo a ser estudada pelo Institute of Development Studies (University of Sussex), no âmbito do projecto "Global brands from China", tendo a equipa de investigadores, liderada por Lizbeth Navas-Aleman, chegado, até agora, às seguintes conclusões:
"The project focused on firms in the city of Ningbo, in China's two most exported industries: garments and home appliances. It looked at three ways Chinese firms could acquire branding capabilities:
  • Learning by exporting.
  • Learning at home (through domestic markets).
  • Multichain models (combining exports and domestic or regional sales).
Key Findings
  • Domestic firms have brands – Both sectors showed a high use of branding in domestically oriented firms. This was due to a fiercely competitive national market, requiring after-sales services, networks and investment in innovation.
  • The West has less influence over brands than expected – Chinese brands are developing independently from Western buyers and markets, boosted by soaring domestic demand and expanding regional markets.
  • Brands are mostly initiated and grown from within firms – The influence of the founder or the design team was apparent.
  • Firms value branding – The vast majority of firms in both sectors recognise the long-term value of brands, with plans to develop or launch brands over the next three years.
  • Home appliance buyers expect brands – Firms reported pressure from buyers to develop their own brands. In contrast, garment buyers focus on quality, rather than branding."
Veja mais informações sobre este assunto aqui.

terça-feira, 17 de abril de 2012

Banco Mundial: a tradição cumpriu-se!



Como se tem verificado nos últimos 60 anos, a tradição cumpriu-se! O Banco Mundial vai continuar a ser dirigido por uma personalidade norte-americana e que vai ser, desta vez, Jim Yong Kim (na foto), professor de saúde pública e presidente da Dartmouth University (EUA). Nesta eleição foi derrotada  a candidata nigeriana Ngozi Okonjo-Iweala, depois da desistência do colombiano Jose Antonio Ocampo . Ou seja, o bloco EUA/Europa que controla mais de metade dos votos necessários para a eleição do Presidente do Banco Mundial continua a impor as suas regras, não restando alternativa às economias emergentes do que apresentar os seus candidatos, esperando um dia romper esta tradição. Nestas alturas, surge novamente em debate a questão da necessidade de reforma das instituições de Bretton Woods, criadas num contexto histórico e económico que já tem muito pouco a ver com a realidade de hoje. Será que algum dia as economias emergentes vão conseguir impor essas reformas?

domingo, 15 de abril de 2012

A (nova) diplomacia económica e comercial espanhola e as campanhas de imagem-país

Em Espanha, o governo saído das últimas eleições continua a apostar no reforço da diplomacia económica e comercial, desta vez sob a liderança do Ministro das Relações Exteriores e Cooperação, José Manuel García-Margallo. O ministro espanhol numa intervenção recente referiu que pretende implementar, entre outras medidas, acções de formação em comércio externo dirigidas a diplomatas e duplicar "la potencia de fuego comercial" da acção externa espanhola, questionando o facto de não existirem adidos comerciais/conselheiros comerciais em 47 embaixadas e 54 consulados de Espanha. Acrescentou ainda que uma outra prioridade passa pelo relançamento da promoção da marca "Espanha", pois a percepção externa do seu país no exterior não reflecte o estado actual e o potencial da economia espanhola. Neste último caso, a linha de argumentação é simples e causal: o Estado  realiza campanhas de promoção da imagem do país no exterior;  a notoriedade do país é melhorada; as empresas que têm ou pretendem ter actividade internacional vão sair beneficiadas desta imagem reforçada do seu país de origem.

Em relação a este tipo de campanhas de "imagem país", geralmente com custos bastante elevados, julgo que os resultados têm ficado muito aquém dos esperados,  sobretudo quando estas acções são realizadas por países desenvolvidos, como é o caso de Espanha. Creio que o que pode melhorar efectivamente a imagem e a notoriedade de um país no estrangeiro é o dinamismo, protagonismo e a expansão internacional de empresas e instituições de referência. Para o caso espanhol, a imagem actual imagem do país tem beneficiado bastante da actividade no exterior de empresas e instituições como a Telefónica, Banco Santander, BBVA, Zara, Repsol, Iese, Esade, Real Madrid, FC Barcelona, Abertis, entre outras. Neste sentido, e existindo uma preocupação em melhorar a imagem externa de determinado país, parece-me que os esforços governamentais e institucionais devem focar-se, fundamentalmente, no apoio directo às empresas e às suas marcas no seu processo de internacionalização, criando condições para que estas aumentem a sua competitividade, alarguem a sua intervenção e se tornem verdadeiros "campeões globais".

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Entrevista da Embaixadora Margarida Figueiredo ao jornal "Público"


Margarida Figueiredo foi a primeira Embaixadora "full rank" portuguesa, juntamente com Ana Martinho, e a primeira mulher licenciada a entrar no Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE). Foi uma grande Embaixadora de Portugal na Polónia. Em Varsóvia, liderou uma excelente equipa que tive o privilégio de integrar. O jornal "Expresso" numa reportagem que realizou na altura fez-lhe a seguinte descrição "É uma diplomata atípica. Veste-se informalmente, fuma como um turco e é terrivelmente eficaz". Reformou-se recentemente do MNE e no passado Domingo, concedeu uma interessante entrevista ao jornal "Público" que pode ler aqui.

O investimento directo estrangeiro em França em 2011: a crise económica não afectou a atractividade externa da economia francesa


A AFII - Agência Francesa para os Investimentos Internacionais (Invest in France) acaba de publicar o seu relatório anual de actividades referente ao ano de 2011 ("Les investissements étrangers créateurs d' emploi en France en 2011"). Trata-se de um excelente documento de acompanhamento da competitividade internacional e da atractividade externa da economia francesa. Do relatório deste ano há reter as seguintes principais conclusões:

"... la France a maintenu son attractivité en 2011: elle a attiré 698 nouveaux investissements étrangers, à l’origine de 27 958 emplois.

Il s’agit du deuxième meilleur résultat, en nombre de projets, enregistré depuis plus de dix ans. Treize décisions d’investissement ont ciblé la France, chaque semaine en moyenne, l’année dernière.

Ces investissements, recensés par l’AFII et les agences régionales de développement économique, sont le fait d’entreprises étrangères de toutes tailles : PME, pour 28% des projets, ETI (34%) et grandes entreprises (39%).

Les sociétés nord-américaines et européennes sont à l’origine de 85% des nouveaux investissements. Les investisseurs étrangers viennent de quarante pays. 60% des projets sont d’origine européenne. Les entreprises venant d’Amérique du Nord comptent pour 25% du total, celles d’Asie pour 11 %.

Quatre pays (l’Allemagne, les Etats-Unis, l’Italie et la Suisse) sont à l’origine de 52 % des nouveaux investissements créateurs d’emploi en France annoncés en 2011.

Les Etats-Unis retrouvent leur position de premier pays d’origine. Avec 149 décisions d’investissement en 2011, contre 139 l’année précédente, les Etats-Unis comptent pour 21% de l’ensemble des nouveaux investissements étrangers créateurs d’emploi. Cette croissance est liée à la forte progression des investissements dans la fonction de production (+ 75% par rapport à 2010), en particulier dans les secteurs des médicaments et biotechnologies appliquées, équipements médicaux, chimie et plasturgie, matériels aéronautiques et ferroviaires.

L’Allemagne occupe la première place européenne, avec 120 projets d’investissement en 2011, en retrait par rapport à 2010. Cette évolution s’explique en partie par un recul des investissements dans les secteurs de l’énergie-recyclage (12 projets en 2011, contre 53 en 2010), en contraste avec les secteurs, toujours dynamiques, des logiciels et prestations informatiques, des machines et équipements mécaniques, des constructeurs automobiles et équipementiers.

Les investissements provenant des pays émergents se maintiennent, avec des origines plus diverses qu’en 2010. Les BRICS assurent 6% de l’ensemble des projets en 2011, contre 4% en 2006, et 1% en 2003.

Parmi les pays émergents, la Chine est à l’origine de 23 projets d’investissement en 2011, qui vont générer près de 700 emplois. L’Inde conserve sa seconde place parmi ces pays, avec 12 décisions d’investissement, tandis que la Russie (5) et le Brésil (4) voient leurs entreprises confirmer leur intérêt pour des implantations en France. Trois entreprises turques ont annoncé de nouveaux investissements en France".

Em síntese, apesar da crise económica, a França continua a ser um destino competitivo e atractivo para o investimento estrangeiro que continua a ter origem, fundamentalmente, nos países da Europa e da América do Norte. Por sua vez, os países emergentes ainda têm um peso pouco relevante enquanto investidores em França, mas esta posição tenderá a alterar-se no curto-médio prazo. Por sua vez,  as operações de investimento directo estrangeiro são realizadas, em termos muito semelhantes, por grandes empresas, algumas delas multinacionais, e por pequenas e médias empresas.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Quem vai ser o próximo Presidente do Banco Mundial?


Começou a corrida à liderança do Banco Mundial (World Bank). Até agora este tem sido um lugar "reservado" aos EUA, no âmbito de um "acordo de cavalheiros" que tem permitido que a liderança do FMI (Fundo Monetário Internacional) seja ocupada por candidatos europeus. Desta vez, e depois do Presidente Obama ter designado Jim Yong Kim, professor de saúde pública e presidente da Dartmouth University (EUA),  como o candidato dos EUA à presidência do Banco Mundial, 11 directores executivos desta instituição internacional, oriundos de economias emergentes ou em vias de desenvolvimento, apresentaram as candidaturas da nigeriana  Ngozi Okonjo-Iweala e do colombiano José Antonio Ocampo (na foto). Joseph Stiglitz faz aqui uma interessante análise sobre o perfil dos vários candidatos. O jornal britânico The Guardian está a promover um inquérito à opinião dos seus leitores sobre este assunto e um conjunto de 100 reputados economistas já subscreveram uma petição defendendo a eleição de José Antonio Ocampo (veja aqui também). Parece haver unanimidade em relação à qualidade dos três candidatos. Resta agora perceber se vingará a tradição e o peso politico e accionista dos EUA e dos países desenvolvidos na instituição, e neste caso Jim Yong Kim será o próximo Presidente do Banco Mundial, ou se será dada uma oportunidade às chamadas economias emergentes para ocuparem um dos postos de internacionais de maior relevo, e aí o Okongo-Iweala e Ocampo disputarão a eleição. Um assunto a acompanhar com atenção.

How important is China as an export market?


Via Financial Times este interessante quadro sobre o peso das exportações para a China, no ano de 2011, num conjunto de países. No âmbito dos BRIC (Brasil, Russia, India e China), o mercado chinês é particularmente relavante para as empresas brasileiras (17,3% das exportações totais), seguidas das empresas indianas (8,8%) e das russas (6,8%). De salientar também, o peso da China nas exportações da Austrália (27,4%). No caso português, as vendas à China, em 2011, representaram 0,9% das exportações nacionais (0,6% em 2010, fonte INE).

sexta-feira, 30 de março de 2012

Sinais da globalização: Telefónica encerra "call centers" na América Latina e transfere esses serviços para Espanha


A multinacional espanhola Telefónica anunciou há dias a transferência para Espanha de um conjunto de "call centers" que possuía na América Latina a fim de tentar travar a fuga de clientes insatisfeitos com a qualidade dos serviços prestados. A grande questão em relação a esta noticia é sabermos se se trata de uma decisão pontual de uma determinada empresa ou se um movimento mais global de relocalização deste tipo de serviços para os países desenvolvidos. Neste caso, a relocalização não tem aparentemente a ver com os custos dos serviços prestados (mais baratos nos países em desenvolvimento onde normalmente estão localizados), mas com as exigências de uma maior qualidade e controlo sobre os mesmos. Se decisão que foi agora tomada pela Telefónica for seguida por outras empresas poderá vir a colocar em risco milhares de postos de trabalho em alguns dos países que mais se têm destacado no "outsourcing" de "call centers", como são os casos da Índia, Filipinas, China, Irlanda, México, Tunísia, Marrocos, Senegal e África do Sul. Mas, por outro lado, decisões deste género podem vir a constituir autênticos "balões de oxigénio", através da criação de emprego, para algumas das endémicas economias europeias. Em síntese, o carácter brutal da globalização ou, numa outra perspectiva, duas das faces da globalização!

terça-feira, 27 de março de 2012

Israel: the start-up nation?


Israel é um caso de sucesso mundial na criação de "start-ups". As explicações para este facto foram analisadas num livro da autoria de Dan Senor and Saul Singer, lançado em 2009, e designado por "The Start-Up Nation - The Story of Israel's Economic Miracle” . Na opinião dos autores deste livro "Israel is not just a country, but a comprehensive state of mind". Ou seja, "Israelis innovate because they have to. The land is arid, so they excel at water and agricultural technology. They have little oil, so they furrow their brows to find alternatives. They are surrounded by enemies, so their military technology is superb and creates lucrative spin-offs, especially in communications. The relationships forged during military service foster frenetic networking in civilian life. A flood of immigrants in the 1990s gave national brainpower a mighty boost. The results are the envy of almost everyone outside Silicon Valley" e também a liderança mundial do investimento per capita em venture-capital (veja quadro abaixo/fonte: The Economist).


Porém, algumas destas empresas "star-up born global" não chegam a atingir a "fase adulta" ou a média/grande dimensão. São rapidamente compradas por empresas e investidores estrangeiros, sobretudo norte-americanos! E este facto, entre outros, coloca novos desafios aos empreendedores israelitas: What's next for the Start-up nation (veja video acima)?