quinta-feira, 26 de abril de 2012

O papel dos imigrantes no desenvolvimento empresarial e na promoção das exportações



aqui fizemos referência à relevância que é dada pelas autoridades irlandesas à sua Diáspora, nomeadamente à comunidade de origem irlandesa residente nos EUA. Mas desta vez o "Immigrant Council of Ireland", vem chamar a atenção para a relevância económica e empresarial das comunidades imigrantes residentes na Irlanda quer ao nível do mercado interno, enquanto criadores de empresas e geradores de novos negócios, quer ao nível do mercado externo, enquanto  promotores da internacionalização e das exportações, utilizando o conhecimento e os "networks" que dispõem nos seus países de origem. De acordo com Ivan Light, professor na University of California “historically, migrants have been key agents of enterprise, both for the countries from which they come and the countries to which they move. They are well endowed to do the work of linking and integrating economies (...) Quite often, they are bi- or multi-lingual; they develop strong understandings of multiple cultures and business environments; they have international networks; and they can perceive business opportunities that might not be obvious to those not coming from migrant backgrounds.” Denise Charlton, Chief Executive do "Immigrant Council of Ireland", acrescenta que em cidades como Amsterdão (Holanda), Estrasburgo (França) e Viena (Áustria), empresas detidas por imigrantes representam cerca de 40% do volume de negócios realizados pelas empresas nessas cidades, enquanto que em Copenhaga (Dinamarca), Frankfurt (Alemanha) e Zurique (Suíça) este valor é inferior, mas mesmo assim bastante significativo (cerca de 20%). Julgo que no caso português, onde constituem primeiras prioridades a criação de emprego e a promoção das exportações e onde existem comunidades imigrantes bastante relevantes oriundas, fundamentalmente, dos PALOP, mas também do Brasil, Ucrânia, Moldávia, entre outras, se justifica uma reflexão aprofundada  sobre o potencial económico e empresarial desta Diáspora.

domingo, 22 de abril de 2012

Será a China capaz de construir marcas globais?


A China é o principal exportador mundial. Durante algum tempo foi perspectivada como "The factory of the world". Mais recentemente como "The market of the world". Durante muito anos, houve uma especial preocupação no Ocidente em analisar o processo de evolução e transformação tecnológica da economia chinesa. Hoje, a atenção está especialmente focada em perceber como é que a China vai utilizar esta capacidade industrial e tecnológica na expansão e  internacionalização das suas empresas e das suas marcas. Ou seja, será que nas próximas décadas marcas como a Lenovo, Huawei ou Haier poderão vir a ter a notoriedade que hoje têm marcas como a Microsoft, Nokia ou HP? Esta é uma questão que tem vindo a ser estudada pelo Institute of Development Studies (University of Sussex), no âmbito do projecto "Global brands from China", tendo a equipa de investigadores, liderada por Lizbeth Navas-Aleman, chegado, até agora, às seguintes conclusões:
"The project focused on firms in the city of Ningbo, in China's two most exported industries: garments and home appliances. It looked at three ways Chinese firms could acquire branding capabilities:
  • Learning by exporting.
  • Learning at home (through domestic markets).
  • Multichain models (combining exports and domestic or regional sales).
Key Findings
  • Domestic firms have brands – Both sectors showed a high use of branding in domestically oriented firms. This was due to a fiercely competitive national market, requiring after-sales services, networks and investment in innovation.
  • The West has less influence over brands than expected – Chinese brands are developing independently from Western buyers and markets, boosted by soaring domestic demand and expanding regional markets.
  • Brands are mostly initiated and grown from within firms – The influence of the founder or the design team was apparent.
  • Firms value branding – The vast majority of firms in both sectors recognise the long-term value of brands, with plans to develop or launch brands over the next three years.
  • Home appliance buyers expect brands – Firms reported pressure from buyers to develop their own brands. In contrast, garment buyers focus on quality, rather than branding."
Veja mais informações sobre este assunto aqui.

terça-feira, 17 de abril de 2012

Banco Mundial: a tradição cumpriu-se!



Como se tem verificado nos últimos 60 anos, a tradição cumpriu-se! O Banco Mundial vai continuar a ser dirigido por uma personalidade norte-americana e que vai ser, desta vez, Jim Yong Kim (na foto), professor de saúde pública e presidente da Dartmouth University (EUA). Nesta eleição foi derrotada  a candidata nigeriana Ngozi Okonjo-Iweala, depois da desistência do colombiano Jose Antonio Ocampo . Ou seja, o bloco EUA/Europa que controla mais de metade dos votos necessários para a eleição do Presidente do Banco Mundial continua a impor as suas regras, não restando alternativa às economias emergentes do que apresentar os seus candidatos, esperando um dia romper esta tradição. Nestas alturas, surge novamente em debate a questão da necessidade de reforma das instituições de Bretton Woods, criadas num contexto histórico e económico que já tem muito pouco a ver com a realidade de hoje. Será que algum dia as economias emergentes vão conseguir impor essas reformas?

domingo, 15 de abril de 2012

A (nova) diplomacia económica e comercial espanhola e as campanhas de imagem-país

Em Espanha, o governo saído das últimas eleições continua a apostar no reforço da diplomacia económica e comercial, desta vez sob a liderança do Ministro das Relações Exteriores e Cooperação, José Manuel García-Margallo. O ministro espanhol numa intervenção recente referiu que pretende implementar, entre outras medidas, acções de formação em comércio externo dirigidas a diplomatas e duplicar "la potencia de fuego comercial" da acção externa espanhola, questionando o facto de não existirem adidos comerciais/conselheiros comerciais em 47 embaixadas e 54 consulados de Espanha. Acrescentou ainda que uma outra prioridade passa pelo relançamento da promoção da marca "Espanha", pois a percepção externa do seu país no exterior não reflecte o estado actual e o potencial da economia espanhola. Neste último caso, a linha de argumentação é simples e causal: o Estado  realiza campanhas de promoção da imagem do país no exterior;  a notoriedade do país é melhorada; as empresas que têm ou pretendem ter actividade internacional vão sair beneficiadas desta imagem reforçada do seu país de origem.

Em relação a este tipo de campanhas de "imagem país", geralmente com custos bastante elevados, julgo que os resultados têm ficado muito aquém dos esperados,  sobretudo quando estas acções são realizadas por países desenvolvidos, como é o caso de Espanha. Creio que o que pode melhorar efectivamente a imagem e a notoriedade de um país no estrangeiro é o dinamismo, protagonismo e a expansão internacional de empresas e instituições de referência. Para o caso espanhol, a imagem actual imagem do país tem beneficiado bastante da actividade no exterior de empresas e instituições como a Telefónica, Banco Santander, BBVA, Zara, Repsol, Iese, Esade, Real Madrid, FC Barcelona, Abertis, entre outras. Neste sentido, e existindo uma preocupação em melhorar a imagem externa de determinado país, parece-me que os esforços governamentais e institucionais devem focar-se, fundamentalmente, no apoio directo às empresas e às suas marcas no seu processo de internacionalização, criando condições para que estas aumentem a sua competitividade, alarguem a sua intervenção e se tornem verdadeiros "campeões globais".

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Entrevista da Embaixadora Margarida Figueiredo ao jornal "Público"


Margarida Figueiredo foi a primeira Embaixadora "full rank" portuguesa, juntamente com Ana Martinho, e a primeira mulher licenciada a entrar no Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE). Foi uma grande Embaixadora de Portugal na Polónia. Em Varsóvia, liderou uma excelente equipa que tive o privilégio de integrar. O jornal "Expresso" numa reportagem que realizou na altura fez-lhe a seguinte descrição "É uma diplomata atípica. Veste-se informalmente, fuma como um turco e é terrivelmente eficaz". Reformou-se recentemente do MNE e no passado Domingo, concedeu uma interessante entrevista ao jornal "Público" que pode ler aqui.

O investimento directo estrangeiro em França em 2011: a crise económica não afectou a atractividade externa da economia francesa


A AFII - Agência Francesa para os Investimentos Internacionais (Invest in France) acaba de publicar o seu relatório anual de actividades referente ao ano de 2011 ("Les investissements étrangers créateurs d' emploi en France en 2011"). Trata-se de um excelente documento de acompanhamento da competitividade internacional e da atractividade externa da economia francesa. Do relatório deste ano há reter as seguintes principais conclusões:

"... la France a maintenu son attractivité en 2011: elle a attiré 698 nouveaux investissements étrangers, à l’origine de 27 958 emplois.

Il s’agit du deuxième meilleur résultat, en nombre de projets, enregistré depuis plus de dix ans. Treize décisions d’investissement ont ciblé la France, chaque semaine en moyenne, l’année dernière.

Ces investissements, recensés par l’AFII et les agences régionales de développement économique, sont le fait d’entreprises étrangères de toutes tailles : PME, pour 28% des projets, ETI (34%) et grandes entreprises (39%).

Les sociétés nord-américaines et européennes sont à l’origine de 85% des nouveaux investissements. Les investisseurs étrangers viennent de quarante pays. 60% des projets sont d’origine européenne. Les entreprises venant d’Amérique du Nord comptent pour 25% du total, celles d’Asie pour 11 %.

Quatre pays (l’Allemagne, les Etats-Unis, l’Italie et la Suisse) sont à l’origine de 52 % des nouveaux investissements créateurs d’emploi en France annoncés en 2011.

Les Etats-Unis retrouvent leur position de premier pays d’origine. Avec 149 décisions d’investissement en 2011, contre 139 l’année précédente, les Etats-Unis comptent pour 21% de l’ensemble des nouveaux investissements étrangers créateurs d’emploi. Cette croissance est liée à la forte progression des investissements dans la fonction de production (+ 75% par rapport à 2010), en particulier dans les secteurs des médicaments et biotechnologies appliquées, équipements médicaux, chimie et plasturgie, matériels aéronautiques et ferroviaires.

L’Allemagne occupe la première place européenne, avec 120 projets d’investissement en 2011, en retrait par rapport à 2010. Cette évolution s’explique en partie par un recul des investissements dans les secteurs de l’énergie-recyclage (12 projets en 2011, contre 53 en 2010), en contraste avec les secteurs, toujours dynamiques, des logiciels et prestations informatiques, des machines et équipements mécaniques, des constructeurs automobiles et équipementiers.

Les investissements provenant des pays émergents se maintiennent, avec des origines plus diverses qu’en 2010. Les BRICS assurent 6% de l’ensemble des projets en 2011, contre 4% en 2006, et 1% en 2003.

Parmi les pays émergents, la Chine est à l’origine de 23 projets d’investissement en 2011, qui vont générer près de 700 emplois. L’Inde conserve sa seconde place parmi ces pays, avec 12 décisions d’investissement, tandis que la Russie (5) et le Brésil (4) voient leurs entreprises confirmer leur intérêt pour des implantations en France. Trois entreprises turques ont annoncé de nouveaux investissements en France".

Em síntese, apesar da crise económica, a França continua a ser um destino competitivo e atractivo para o investimento estrangeiro que continua a ter origem, fundamentalmente, nos países da Europa e da América do Norte. Por sua vez, os países emergentes ainda têm um peso pouco relevante enquanto investidores em França, mas esta posição tenderá a alterar-se no curto-médio prazo. Por sua vez,  as operações de investimento directo estrangeiro são realizadas, em termos muito semelhantes, por grandes empresas, algumas delas multinacionais, e por pequenas e médias empresas.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Quem vai ser o próximo Presidente do Banco Mundial?


Começou a corrida à liderança do Banco Mundial (World Bank). Até agora este tem sido um lugar "reservado" aos EUA, no âmbito de um "acordo de cavalheiros" que tem permitido que a liderança do FMI (Fundo Monetário Internacional) seja ocupada por candidatos europeus. Desta vez, e depois do Presidente Obama ter designado Jim Yong Kim, professor de saúde pública e presidente da Dartmouth University (EUA),  como o candidato dos EUA à presidência do Banco Mundial, 11 directores executivos desta instituição internacional, oriundos de economias emergentes ou em vias de desenvolvimento, apresentaram as candidaturas da nigeriana  Ngozi Okonjo-Iweala e do colombiano José Antonio Ocampo (na foto). Joseph Stiglitz faz aqui uma interessante análise sobre o perfil dos vários candidatos. O jornal britânico The Guardian está a promover um inquérito à opinião dos seus leitores sobre este assunto e um conjunto de 100 reputados economistas já subscreveram uma petição defendendo a eleição de José Antonio Ocampo (veja aqui também). Parece haver unanimidade em relação à qualidade dos três candidatos. Resta agora perceber se vingará a tradição e o peso politico e accionista dos EUA e dos países desenvolvidos na instituição, e neste caso Jim Yong Kim será o próximo Presidente do Banco Mundial, ou se será dada uma oportunidade às chamadas economias emergentes para ocuparem um dos postos de internacionais de maior relevo, e aí o Okongo-Iweala e Ocampo disputarão a eleição. Um assunto a acompanhar com atenção.

How important is China as an export market?


Via Financial Times este interessante quadro sobre o peso das exportações para a China, no ano de 2011, num conjunto de países. No âmbito dos BRIC (Brasil, Russia, India e China), o mercado chinês é particularmente relavante para as empresas brasileiras (17,3% das exportações totais), seguidas das empresas indianas (8,8%) e das russas (6,8%). De salientar também, o peso da China nas exportações da Austrália (27,4%). No caso português, as vendas à China, em 2011, representaram 0,9% das exportações nacionais (0,6% em 2010, fonte INE).

sexta-feira, 30 de março de 2012

Sinais da globalização: Telefónica encerra "call centers" na América Latina e transfere esses serviços para Espanha


A multinacional espanhola Telefónica anunciou há dias a transferência para Espanha de um conjunto de "call centers" que possuía na América Latina a fim de tentar travar a fuga de clientes insatisfeitos com a qualidade dos serviços prestados. A grande questão em relação a esta noticia é sabermos se se trata de uma decisão pontual de uma determinada empresa ou se um movimento mais global de relocalização deste tipo de serviços para os países desenvolvidos. Neste caso, a relocalização não tem aparentemente a ver com os custos dos serviços prestados (mais baratos nos países em desenvolvimento onde normalmente estão localizados), mas com as exigências de uma maior qualidade e controlo sobre os mesmos. Se decisão que foi agora tomada pela Telefónica for seguida por outras empresas poderá vir a colocar em risco milhares de postos de trabalho em alguns dos países que mais se têm destacado no "outsourcing" de "call centers", como são os casos da Índia, Filipinas, China, Irlanda, México, Tunísia, Marrocos, Senegal e África do Sul. Mas, por outro lado, decisões deste género podem vir a constituir autênticos "balões de oxigénio", através da criação de emprego, para algumas das endémicas economias europeias. Em síntese, o carácter brutal da globalização ou, numa outra perspectiva, duas das faces da globalização!

terça-feira, 27 de março de 2012

Israel: the start-up nation?


Israel é um caso de sucesso mundial na criação de "start-ups". As explicações para este facto foram analisadas num livro da autoria de Dan Senor and Saul Singer, lançado em 2009, e designado por "The Start-Up Nation - The Story of Israel's Economic Miracle” . Na opinião dos autores deste livro "Israel is not just a country, but a comprehensive state of mind". Ou seja, "Israelis innovate because they have to. The land is arid, so they excel at water and agricultural technology. They have little oil, so they furrow their brows to find alternatives. They are surrounded by enemies, so their military technology is superb and creates lucrative spin-offs, especially in communications. The relationships forged during military service foster frenetic networking in civilian life. A flood of immigrants in the 1990s gave national brainpower a mighty boost. The results are the envy of almost everyone outside Silicon Valley" e também a liderança mundial do investimento per capita em venture-capital (veja quadro abaixo/fonte: The Economist).


Porém, algumas destas empresas "star-up born global" não chegam a atingir a "fase adulta" ou a média/grande dimensão. São rapidamente compradas por empresas e investidores estrangeiros, sobretudo norte-americanos! E este facto, entre outros, coloca novos desafios aos empreendedores israelitas: What's next for the Start-up nation (veja video acima)?

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Leituras: The Top 10 Books on the Economics of Poverty


Via post publicado por Amid Lockwood no blogue da Stanford Social Innovation Review, abaixo apresentamos a opinião da referida autora sobre os Top 10 Books on Economics of Poverty:

"The White Man’s Burden: Why the West’s Efforts to Aid the Rest Have Done So Much Ill and So Little Good (2006)
by William Easterly
Easterly, a celebrated economist, presents one side in what has become an ongoing debate with fellow star-economist Jeffrey Sachs about the role of international aid in global poverty. Easterly argues that existing aid strategies have not and will not reduce poverty, because they don’t seriously take into account feedback from those who need the aid and because they perpetuate western colonial tendencies.

The End of Poverty: Economic Possibilities for Our Time (2006)
by Jeffrey Sachs
Taking an almost entirely diametrical approach than Easterly, Sachs outlines a detailed plan to help the poorest of the poor reach the first rung on the ladder of economic development. By increasing aid significantly to provide the basic infrastructure and human capital for markets to work effectively, Sachs argues such investment is not only economically sound but a moral imperative.

The Bottom Billion: Why the Poorest Countries are Failing and What Can Be Done About It (2007)
by Paul Collier
Economist and Africa expert Collier analyzes why a group of 50 nations, home to the poorest one billion people, are failing. Considering issues such as civil war, dependence on extractive industries, and bad governance, he argues that the strongest industrialized countries must enact a plan to help with international policies and standards.

The Fortune at the Bottom of the Pyramid: Eradicating Poverty Through Profits (2009)
by C.K. Prahalad
Prahalad, a business strategy professor, was among the first to argue that the fastest growing market in the world was made up of the world’s poorest people. He details the purchasing power of this segment, and advocates that big businesses should learn how to understand this population’s needs in order to develop products that address both economic mobility and corporate growth and profit.

Creating a World Without Poverty: Social Business and the Future of Capitalism (2009)
by Muhammad Yunus
Yunus, an economist and Nobel Prize Winner, was among the first to describe a social business as one that is modestly profitable but designed primarily to address a social objective. Using this approach, he argues that modern-day capitalism is too narrowly defined, particularly in its emphasis on profit maximization. By including social benefits in the equation, he believes that markets and the poor themselves can alleviate poverty.

Out of Poverty: What Works When Traditional Approaches Fail (2009)
by Paul Polak
Polak, a psychiatrist, has applied a behavioral and anthropological approach to alleviating poverty, developed by studying people in their natural surroundings. He argues that there are three mythic solutions to poverty eradication: donations, national economic growth, and big businesses. Instead, he advocates helping the poor earn money through their own efforts of developing low-cost tools that are effective and profitable.

Dead Aid: Why Aid is Not Working and How There Is a Better Way for Africa (2009)
by Dambisa Moyo
Moyo, a Zambia-born economist, asserts that aid is not only ineffective—it’s harmful. Her argument packs a strong punch because she was born and raised in Africa. Moyo believes aid money promotes the corruption of governments and the dependence of citizens, and advocates that an investment approach will do more to help reduce poverty than aid ever could.

Poor Economics A Radical Rethinking of the Way to Fight Global Poverty (2011)
by Abhijit Banerjee & Esther Duflo
Using the framework of randomized control trials, which allow for large-scale data collection to evaluate the effectiveness of an intervention, these two development economists assess the impact of a wide range of development programs in alleviating poverty. They have found that most programs have not been designed with a rigorous understanding of the behaviors and needs of the poor or how aid effects them, they advocate that for programs to be successful they must be designed with evidence gathered from direct interaction with those who they are meant to benefit.

Development As Freedom (2000)
by Amartya Sen
A Nobel Prize winning economist, Sen examines the essential role that elementary freedoms, social and political, have in improving the prosperity of the society at large. Although his focus on human welfare as a central aspect of economic thought is not universally accepted among economists, this approach inserts elements of ethics into a field from which it is often not emphasized. Although this is a difficult read, the concepts included are important to the dialogue about the causes and remedies to the economics of poverty.

Good to Great and the Social Sectors (2005)
by Jim Collins
Meant to accompany the seminal business book Good to Great that examined why companies succeed or fail and found nine key aspects, including: leadership, simplicity, discipline and innovation, this work focuses on applying these lessons to the nonprofit sector. While more focused on management of organizations than macro economic issues, this short and easy to read monograph suggests a roadmap of how those interested in addressing issues of poverty should pursue these efforts".

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Em Memória de Zeca Afonso - "Traz outro amigo também"


Zeca Afonso morreu a 23 de Fevereiro de 1987. No dia em que se assinalam os 25 anos da sua morte, Zeca Afonso é recordado neste blogue.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Portugal, o Mar e os portos portugueses



Nos últimos tempos, a temática do Mar tem suscitado a realização de diversas iniciativas que, em termos gerais, pretendem despertar e sensibilizar a sociedade civil e as entidades oficiais para as potencialidades que este importante recurso pode trazer para o desenvolvimento económico de Portugal. Tem vindo a concluir-se que há muito trabalho para fazer e que é necessária uma parceria forte e eficaz entre o sector público e o privado para que se possam obter os melhores resultados na exploração da chamada "fileira do mar". Sinal do muito que há para fazer nesta área são os dados agora publicados pelos Serviços de Estatística da Comissão Europeia sobre o movimento dos portos nos países da União Europeia. Com efeito, nenhum porto nacional figura no "Top-20 Container Ports in 2010 (on the basis of volume of containers handled)", nem no "Top-20 Cargo Ports (on the basis of gross weight of goods handled)", apesar de Portugal dispor da maior região marítima da União Europeia. Nos dois casos,  a liderança é ocupada pelo porto de Roterdão (Holanda), seguido dos portos de Antuérpia (Bélgica) e de Hamburgo (Alemanha). Nos dois rankings, os portos espanhóis estão bem posicionados: no "Top-20 Container Ports", surgem os portos de Valência (5º lugar), Algeciras (8º), Barcelona (10ª) e Las Palmas (14º); no "Top-20 Cargo Ports" aparecem os portos de Algeciras (7º) e Valência (9º). São sinais da dimensão da nossa economia e do volume das trocas comerciais de Portugal com o exterior, mas também da relativa "periferia económica" dos portos portugueses. Como é que se poderá alterar esta situação?

domingo, 19 de fevereiro de 2012

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Quais vão ser os próximos BRIC's?



Com o crescente protagonismo económico e politico dos BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), muitos observadores começam agora a questionar sobre quais vão ser os próximos BRIC's. Numa análise realizada pelo jornal espanhol "Expansion", junto de diversas empresas e instituições, dois países repetem-se em todas as avaliações: a Turquia e a Indonésia. A Turquia é um um mercados emergentes com mais potencial, como já chegámos a referir aqui. Quanto à Indonésia, o 4º país mais populoso do mundo (237 milhões de habitantes), teve um crescimento acima dos 4,5% na última década (6,5% em 2011) e conseguiu captar cerca de 20 mil milhões de USD de investimento estrangeiro proveniente, fundamentalmente, de Singapura, Japão e EUA.
Em relação à importância destes dois mercados para as exportações portuguesas, em 2011, e de acordo com o Instituto Nacional de Estatística (dados provisórios), o posicionamento é o seguinte: a Turquia foi o 18º cliente de Portugal com as exportações a alcançarem 306 milhões de euros (+0,7% que em 2010). Já a Indonésia tem uma posição muito mais modesta nas vendas de Portugal ao exterior: foi, em 2011, o 88º cliente de Portugal com as exportações a atingirem cerca de 11 milhões de euros, e sem variação significativa em relação aos valores de 2010. Há por isso, ainda, um longo caminho a percorrer pelas empresas portuguesas na abordagem e presença nestes dois países, sobretudo no caso da Indonésia à qual estivemos politicamente muito ligados devido ao "dossier" de Timor Leste.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Obstáculos ao investimento estrangeiro na Polónia

No âmbito da sua actividade de "aftercare", a Agência Polaca de Informação e Investimento Estrangeiro (PAIiIZ) acaba de publicar um relatório sobre os principais obstáculos e dificuldades com que se deparam, actualmente, as empresas com capitais estrangeiros na Polónia. Este estudo teve  por base um inquérito realizado a esse conjunto de investidores. Entre as principais dificuldades detectadas encontram-se "...barriers mainly in the area of investment incentives system, labour code and tax law. In terms of governmental grants the investors criticized the restriction in merging the government grant with the remaining instruments of support, high limits in criteria rendering possible applying for government grants, limited budget and long procedures. In the field of structural funds the investors complain of the level of availability of information about the on-going competitions, exceeding of assessment deadlines, as well as bureaucratic approach to the settlement of assigned subsidies. Regarding the special economic zones, the most of negative opinions concern the time restrictions in functioning of SEZ (until the end of 2020), exclusion activities classified in PKWiU as financial, absence of possibility to off-set losses as well as restrictive criteria of inclusion of private lands to economic zones. Investors underline also the low competitiveness of Polish labour code comparing to the rest of Europe. They drew attention to the need to increase the flexibility of solutions in the aspect of adjustment of working time and its organisation to the actual needs of employers (e.g. the application of longer settlement periods or the introduction of individual working time accounts). Other barrier is the tax system in Poland, especially the multitude of the amendments to the Acts and conflicting interpretations of the tax authority issued in similar casues. Investors have also doubts regarding the taxation of transport of employees to the employer’s facility, the tax for medical packages purchase by the employer and postulate to establish the so-called VAT groups". Veja o relatório completo aqui.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Mega investimento da Renault/Nissan em Marrocos suscita grande controvérsia em França


Foto: Renault/Epa

Na passada Quinta-feira, o CEO da Renault/Nissan, Carlos Ghosn e o Rei de Marrocos, Mohammed VI, inauguraram, nos arredores de Tanger, uma nova unidade de montagem de automoveis do grupo franco-japonês. Esta mega unidade industrial, especialmente dedicada a veículos "low cost", tem uma capacidade de produção de 400 000 veículos/ano, representa um investimento de 1,3 mil milhões de euros e prevê-se que venha a criar cerca de 6 000 postos de trabalho directos e 30 000 indirectos. Mas se este investimento tem suscitado um forte apoio e entusiasmo em Marrocos, devido ao seu carácter estruturante para toda a economia marroquina, dando um forte impulso à criação de um importante "cluster" do sector autómovel neste país do Norte de África, o mesmo não se tem verificado em França. Com efeito, em vésperas de eleições presidenciais, com uma taxa de desemprego elevada e com temas como a "necessidade de uma re-industrialização da economia francesa" e "Compre Produtos Franceses" na ordem do dia, este investimento realizado por uma empresa com capitais públicos franceses, está a gerar uma grande controvérsia (pode aprofundar este assunto aqui). Ou seja, a politica industrial está a voltar à primeira linha da agenda politica francesa, o que poderá levar a própria Comissão Europeia a olhar com mais atenção para este assunto que tem implicações determinantes no modelo de estruturação das economias europeias e no comércio externo da União Europeia com os seus principais parceiros económicos. Por outro lado, depois deste projecto e do interesse de outros construtores (Ford e empresas indianas e chinesas) em realizarem investimentos em Marrocos, tudo indica que estão criadas as condições para o desenvolvimento neste país de um "cluster" automóvel de grande importância.