quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Quais vão ser os próximos BRIC's?



Com o crescente protagonismo económico e politico dos BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), muitos observadores começam agora a questionar sobre quais vão ser os próximos BRIC's. Numa análise realizada pelo jornal espanhol "Expansion", junto de diversas empresas e instituições, dois países repetem-se em todas as avaliações: a Turquia e a Indonésia. A Turquia é um um mercados emergentes com mais potencial, como já chegámos a referir aqui. Quanto à Indonésia, o 4º país mais populoso do mundo (237 milhões de habitantes), teve um crescimento acima dos 4,5% na última década (6,5% em 2011) e conseguiu captar cerca de 20 mil milhões de USD de investimento estrangeiro proveniente, fundamentalmente, de Singapura, Japão e EUA.
Em relação à importância destes dois mercados para as exportações portuguesas, em 2011, e de acordo com o Instituto Nacional de Estatística (dados provisórios), o posicionamento é o seguinte: a Turquia foi o 18º cliente de Portugal com as exportações a alcançarem 306 milhões de euros (+0,7% que em 2010). Já a Indonésia tem uma posição muito mais modesta nas vendas de Portugal ao exterior: foi, em 2011, o 88º cliente de Portugal com as exportações a atingirem cerca de 11 milhões de euros, e sem variação significativa em relação aos valores de 2010. Há por isso, ainda, um longo caminho a percorrer pelas empresas portuguesas na abordagem e presença nestes dois países, sobretudo no caso da Indonésia à qual estivemos politicamente muito ligados devido ao "dossier" de Timor Leste.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Obstáculos ao investimento estrangeiro na Polónia

No âmbito da sua actividade de "aftercare", a Agência Polaca de Informação e Investimento Estrangeiro (PAIiIZ) acaba de publicar um relatório sobre os principais obstáculos e dificuldades com que se deparam, actualmente, as empresas com capitais estrangeiros na Polónia. Este estudo teve  por base um inquérito realizado a esse conjunto de investidores. Entre as principais dificuldades detectadas encontram-se "...barriers mainly in the area of investment incentives system, labour code and tax law. In terms of governmental grants the investors criticized the restriction in merging the government grant with the remaining instruments of support, high limits in criteria rendering possible applying for government grants, limited budget and long procedures. In the field of structural funds the investors complain of the level of availability of information about the on-going competitions, exceeding of assessment deadlines, as well as bureaucratic approach to the settlement of assigned subsidies. Regarding the special economic zones, the most of negative opinions concern the time restrictions in functioning of SEZ (until the end of 2020), exclusion activities classified in PKWiU as financial, absence of possibility to off-set losses as well as restrictive criteria of inclusion of private lands to economic zones. Investors underline also the low competitiveness of Polish labour code comparing to the rest of Europe. They drew attention to the need to increase the flexibility of solutions in the aspect of adjustment of working time and its organisation to the actual needs of employers (e.g. the application of longer settlement periods or the introduction of individual working time accounts). Other barrier is the tax system in Poland, especially the multitude of the amendments to the Acts and conflicting interpretations of the tax authority issued in similar casues. Investors have also doubts regarding the taxation of transport of employees to the employer’s facility, the tax for medical packages purchase by the employer and postulate to establish the so-called VAT groups". Veja o relatório completo aqui.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Mega investimento da Renault/Nissan em Marrocos suscita grande controvérsia em França


Foto: Renault/Epa

Na passada Quinta-feira, o CEO da Renault/Nissan, Carlos Ghosn e o Rei de Marrocos, Mohammed VI, inauguraram, nos arredores de Tanger, uma nova unidade de montagem de automoveis do grupo franco-japonês. Esta mega unidade industrial, especialmente dedicada a veículos "low cost", tem uma capacidade de produção de 400 000 veículos/ano, representa um investimento de 1,3 mil milhões de euros e prevê-se que venha a criar cerca de 6 000 postos de trabalho directos e 30 000 indirectos. Mas se este investimento tem suscitado um forte apoio e entusiasmo em Marrocos, devido ao seu carácter estruturante para toda a economia marroquina, dando um forte impulso à criação de um importante "cluster" do sector autómovel neste país do Norte de África, o mesmo não se tem verificado em França. Com efeito, em vésperas de eleições presidenciais, com uma taxa de desemprego elevada e com temas como a "necessidade de uma re-industrialização da economia francesa" e "Compre Produtos Franceses" na ordem do dia, este investimento realizado por uma empresa com capitais públicos franceses, está a gerar uma grande controvérsia (pode aprofundar este assunto aqui). Ou seja, a politica industrial está a voltar à primeira linha da agenda politica francesa, o que poderá levar a própria Comissão Europeia a olhar com mais atenção para este assunto que tem implicações determinantes no modelo de estruturação das economias europeias e no comércio externo da União Europeia com os seus principais parceiros económicos. Por outro lado, depois deste projecto e do interesse de outros construtores (Ford e empresas indianas e chinesas) em realizarem investimentos em Marrocos, tudo indica que estão criadas as condições para o desenvolvimento neste país de um "cluster" automóvel de grande importância.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

How to Develop a Culture of Exporting



Via The Global Small Business Blog.

Investimento americano na Irlanda, Bill Clinton e o papel da Diáspora irlandesa



O investimento estrangeiro com origem norte-americana tem tido um peso muito relevante na economia irlandesa. Este facto deve-se, em grande parte, ao pacote fiscal oferecido pela Irlanda ao investidores estrangeiros e também ao enorme peso politico e económico da Diáspora irlandesa residente nos EUA. Mas apesar das dificuldades que passa actualmente a economia irlandesa e do crescente protagonismo internacional das chamadas "economias emergentes", o governo de Dublin continua a apostar, de uma forma sustentada, na promoção e captação de investimento estrangeiro norte-americano. Exemplo disso  é a conferência "Invest in Ireland" que hoje se vai realizar em Nova York. O principal cabeça de cartaz desta iniciativa é o ex-presidente norte-americano, Bill Clinton, a que se juntarão membros do governo irlandês, representantes do Global Irish Network e "influential friends of Ireland". Aliás, neste âmbito do "benchmarking" do investimento directo estrangeiro e do potencial económico das Diásporas será interessante acompanharmos com atenção as iniciativas Global Irish Network e Global Irish Economic Forum.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Leituras: Third Wave of Globalisation, de Will Straw e Alex Glennie, Institute for Public Policy Research



O Institute for Public Policy Research (IPPR), "Think Tank" ligado ao antigo Comissário Europeu e ex-Ministro Inglês Lord Peter Mandelson, publicou um relatório denominado "Third Wave of Globalisation", onde sõa abordados os impactos, negativos e positivos, da crescente internacionnalização do comércio. De acordo com os autores deste trabalho, Will Straw e Alex Glennie, a crescente globalização do comércio é diferente daquela que se realizou aquando da Revolução Industrial e no pós II Guerra Mundial e que foi dominada pelo Reino Unido e pelos EUA, respectivamente. Hoje, o crescimento do comércio mundial é protagonizado por um conjunto de países emergentes, sobretudo do Continente Asiático, mas os autores deste trabalho recusam caracterizar, exclusivamente, o fenómeno da globalização como um "mixture" de comércio internacional e de movimento de capitais, trabalho e tecnologias. Veja aqui o relatório completo.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Fuga de pilotos espanhóis para companhias aéreas do Médio Oriente


A imprensa espanhola dava conta há dias da autêntica "fuga" de pilotos espanhóis para trabalharem em companhias de aviação do Médio Oriente e de outros países do Continente asiático. Esta situação é caracterizada como uma autêntica sangria e, nos últimos anos, já envolveu entre 2000 e 3000 pilotos espanhóis que foram contratados por companhias como a Emirates, Kuwait Airways, Qatar Airways, Korean Air, Vietnam Airlines, Etihad, entre outras. Em menor grau, julgo que este é um fenómeno que também se está a verificar com pilotos portugueses e que envolverá também o recrutamento de comissários de bordo e até de mecânicos de aeronaves. Como se constata, a fuga de quadros qualificados europeus abrange um leque cada vez maior de profissões e o Médio Oriente é um destino de emigração incontornável.

Vote for the Best Aid Blogs of 2011


Via blogue "A view from the Cave", vote aqui para o "Best Aid Blogs of 2011", em 12 diferentes categorias.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Companhia de aviação turca interessada em adquirir a sua congénere polaca



Por diversas vezes já tivemos oportunidade de chamar atenção neste bloque (veja por exemplo aqui) para o crescente protagonismo internacional da economia e das empresas turcas. A Turquia é hoje uma das principais economias emergentes mundiais e está a alargar a sua zona de expansão e influência para diversos países do Norte de África, Próximo e Médio Oriente e Ásia Central. E agora também para a Polónia. De acordo com esta noticia, a companhia aérea estatal turca - Turkish Airlines - está interessada em adquirir a sua congénere polaca - Lot Polish Airlines. A Lot é uma das maiores companhias de aviação da Europa Central e Oriental e, desde 2009, tem vindo a atravessar algumas dificuldades financeiras.

Wine Books of the Year


Via blogue The Wine Economist, a informação de que os livros  Wine Wars , de Mike Veset, e In Search of Pinot Noir, de Benjamin Lewis, foram nomeados para o prémio "wine books of the year 2011", por  Paul O’Doherty,  "book reviewer"  no site da jornalista Jacis Robinson (JancisRobinson.com), uma referência mundial na análise e critica de vinhos. 

Português entre as personalidades mais influentes na Polónia


O jornal polaco Gazeta Prawna acaba de anunciar o seu ranking anual das "50 personalidades mais influentes na Polónia", este ano liderado por Jacek Rostowski, ministro das finanças polaco. Mas neste ranking, surge, desta vez, um português, na 19ª posição. Trata-se de Pedro Pereira da Silva, Country Manager do Grupo Jerónimo Martins na Polónia. Um reconhecimento público pelo excelente trabalho que vem vindo a desenvolver na Polónia. Em 13 anos, a cadeia de "discount" Biedronka, adquirida em 1998 pelo Grupo Jerónimo Martins, passou de 240 lojas para 1 870 lojas e, em 2011, facturou cerca de 5,8 mil milhões de euros, o que representou um crescimento de cerca de 20% relativamente ao ano de 2010.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Rússia: um mercado cada mais relevante para as empresas polacas



O crescimento da economia polaca, a crise que afecta os países da Europa Central e a significativa melhoria das relações politicas e diplomáticas entre a Polónia e a Rússia são factores que estão a potenciar o crescimento das relações económicas russo-polacas. De acordo com o Instituto de Estatística Polaco (GUS), nos primeiros 11 meses de 2011, as exportações polacas para a Russía cresceram 23,8%, em comparação com o período homólogo do ano anterior. No mesmo período, as vendas polacas para os países da UE27 cresceram 11,4%, enquanto que para a Zona Euro registaram um aumento de 9,9%. Estes dados indiciam, claramente, que existe uma vasta área de expansão e de penetração económico-comercial para as empresas polacas no Leste do Continente Europeu, nomeadamente na Rússia, Ucrânia, Bielorússia e países Bálticos, e até em alguns países da Ásia Central.

Portugal/Golfo Pérsico: Depois da abertura de representações diplomáticas, segue-se o estabelecimento de ligações aéreas regulares



Depois da recente abertura das representações diplomáticas de Portugal nos Emirados Arábes Unidos e no Qatar (até há pouco, Portugal apenas tinha uma representação diplomática na Arábia Saudita), a TAP vai passar a ter rotas regulares para Abu Dhabi (na foto), nos Emirados Árabes Unidos, a partir de Lisboa, Porto e Faro. Este enquadramento institucional e a existência de ligações aéreas directas com estes países são factores que poderão impulsionar, de um forma decisiva, o relacionamento económico de Portugal com as monarquias do Golfo, ao nível das exportações, da captação de investimento estrangeiro e até do turismo.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Depois do México, Portugal é o país com maior número de filiais de empresas espanholas



O Instituto Nacional de Estatística de Espanha publicou recentemente um interessante relatório, designado "La Empresa en el Mundo Global: Estadísticas sobre Empresas Filiales", sobre o investimento espanhol no exterior e o investimento estrangeiro em Espanha. Abaixo destacamos algumas das conclusões que nos pareceram mais relevantes deste estudo:

Em termos de investimento espanhol do exterior, e segundo o INE Espanhol, existiam, em 2009, cerca de 4 132 empresas espanholas instaladas no exterior, das quais 49,4% nos países da União Europeia e 40,7% na América. O país com maior numero de filiais de empresas espanholas é o México (9,5% do total e representando 391 empresas), seguido de Portugal (8,7%/359 empresas), EUA (8,3%/341 empresas), Reino Unido (8,1%/333 empresas) e França (6,6%/274 empresas).

No que se refere ao volume de negócios, as filiais de empresas espanholas no exterior alcançaram, em 2009, o valor de 159 800 milhões de euros. Em termos sectoriais, o contributo para este volume de negócios é liderado pela industria (34,4%), seguido dos serviços (29,3%) e do comércio (27,4%). O maior volume de negócios das filiais espanholas do sector industrial tem origem nos países do Continente Americano (59,4), enquanto os países da Zona Euro concentram mais de metade do volume de negócios das filiais do sector do comércio.

Em relação ao investimento estrangeiro em Espanha, e segundo a mesma publicação, estavam instaladas em Espanha, em 2009, cerca de 8 064 empresas filiais de empresas estrangeiras nos sectores da industria, comércio e serviços. Estas empresas empregavam mais de 1 milhão de trabalhadores, o que representa cerca de 10,9% do total de postos de trabalho nos referidos sectores.

O principal país de origem das filiais de empresas estrangeiras em Espanha, em termos de número de empresas, é a Alemanha (15,8% do total), seguida da França (13,9%), EUA (12%), Holanda (11,8%) e Reino Unido (9,3%). Em termos de volume de negócios, lideram as filiais de empresas francesas (23,8%), logo seguidas das empresas com capitais da Alemanha (14,2%), EUA (12%), Reino Unido (9,6%) e da Holanda (9,2%).

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

A relevância das agências de promoção e captação de investimento estrangeiro: o caso da "Invest in Bogota"

         Figure: Bogota, Colombia # of inbound FDI projects (cumulative)
       by targeted and non-targeted sectors between 2003-2011

                                              Source: fDi Markets Database, Authors Calculations

A captação de investimento directo estrangeiro (IDE) está hoje no topo da agenda de decisores políticos e empresariais. Na execução e implementação das políticas nacionais de promoção e captação de IDE assumem especial relevo as agências de promoção de investimento. Mas se há uns anos atrás a actividade destas instituições passava mais ou menos despercebida, hoje a sua acção está muito mediatizada e sujeita ao escrutínio público por parte de dirigentes políticos, empresários, jornalistas e opinião pública em geral. Este facto reforça a necessidade de se procederem a avaliações periódicas sobre o desempenho destas organizações e o seu contributo para a captação de projectos de IDE, como aquela que está a ser realizada na Invest in Bogota, agência de promoção de investimento da cidade de Bogotá, capital da Colômbia (Lisboa tem uma agência semelhante, designada por InvestLisboa),  por Ku Hornberger, economista do Banco Mundial. Os resultados desta investigação indicam que desde a criação da Invest Bogota, em Setembro de 2006, triplicaram o número de projectos de IDE instalados em Bogota, sobretudo nos sectores identificados como prioritários pelos responsáveis desta agência (cf. quadro acima). Hoje estão instaladas, em Bogota, cerca de 1 205 empresas multinacionais, fundamentalmente na área da hotelaria, logística, BPO/Call Center e indústria transformadora, tendo a Invest Bogota intermediado, desde 2006, mais de 280 milhões de USD de IDE que geraram cerca de 3600 empregos. Em síntese, e de acordo Kusi Hornberger, “…when done proactively with sector focus and a high level of professionalism, government or private sector investment promotion activities can impact economic development by helping to increase the flow of productivity-enhancing FDI and jobs into a location.”