quarta-feira, 14 de abril de 2010

Leituras: "The new Japanese consumer "

Os hábitos de consumo dos japoneses estão a mudar, como chama a atenção este artigo da Mckinsey. As atitutudes e os comportamentos dos consumidores japoneses estão a aproximarem-se cada vez mais dos perfis dos seus congéneres europeus e dos EUA.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Katyn 2

Donald Tusk e Vladimir Putin
(Foto - AFP/BBC World News)

Com os acontecimentos dos últimos dias envolvendo a comitiva presidencial polaca, “Katyn” tornou-se num local “maldito”, de morte e de sofrimento para todos os polacos.
No entanto, e apesar desta tragédia, alguns observadores referem que “Katyn 2” pode vir a representar um novo marco no relacionamento polaco-russo, a crer nas atitudes e nas declarações que os principais dirigentes russos têm vindo a realizar nos últimos dias. Com efeito, o Primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, não só esteve presente nas primeiras cerimónias alusivas ao “Massacre de Katyn”, realizadas na Quarta-feira passada, ao lado do Primeiro-ministro polaco, Donald Tusk, como tornou a viajar no Sábado para a referida região para expressar a dor e apoio da Rússia à população polaca neste momento tão trágico, como ainda se dirigiu directamente ao povo polaco, juntamente com o Presidente Dmitri Medvédev, manifestando o seu pesar e decretando um dia de luto nacional, num gesto histórico sem precedentes.
Este contexto de grande colaboração estendeu-se também ao acto de abertura e análise das “caixas negras” do avião presidencial sinistrado, tendo as autoridades russas dado indicações de que as mesmas só seriam abertas na presença dos técnicos do Ministério dos Transportes polaco e que a análise das mesmas deveria ser realizada conjuntamente por especialistas dos dois países. Já na semana passada, e numa outra iniciativa sem precedentes, as autoridades de Moscovo permitiram a exibição no canal público de televisão "Kultura" do filme "Katyn", realizado pelo polaco Andrzej Wajda, cujo pai foi uma das vítimas do referido massacre.
Por isso, este trágico acidente, pode vir a converter-se num momento de viragem e de reconciliação nas (sempre) tensas e complicadas relações polaco-russas.
No período em que vivi na Polónia assisti a alguns momentos de tensão entre os dois países. Em alguns casos, acontecimentos sem grande relevância política ou económica, atingiam proporções e contornos que colocavam em cima da mesa a hipótese de corte de relações diplomáticas entre a Polónia e a Rússia. Recordo-me, entre outros, dos problemas com o embargo russo à importação de carne polaca; da crise diplomática resultante de uma zaragata que envolveu jovens polacos e seus contrapartes russos, estes últimos filhos de diplomatas de Moscovo acreditados em Varsóvia; das acusações de ingerência interna realizadas mutuamente por polacos e russos em relação a vários momentos eleitorais realizados na Ucrânia e aos conflitos na Geórgia e na Bielorrússia (regime apoiado por Moscovo, mas onde existe uma minoria polaca); da possibilidade colocada pelos próprios seguidores dos gémeos Kaczynski de demolição do Palácio da Cultura de Varsóvia, monumento emblemático da cidade mas que foi oferecido por Estaline durante o período da chamada “ocupação soviética” (existem réplicas deste monumento em grande parte dos países do antigo Bloco de Leste); das inquietações polacas em relação á movimentação de vasos de guerra russos no enclave de Kalinegrado (enclave separado geograficamente da Rússia e que faz fronteira com a Polónia); das decisões russas em relação ao trajecto do gasoduto germano-russo; das posições russa e polaca sobre a construção de um sistema anti-missil norte-americano em território checo e polaco; das dificuldades da União Europeia em chegar a alguns compromissos com a Rússia, devido às posições tomadas pela Polónia e por alguns dos Estados bálticos (Estónia, Lituânia e Letónia); entre outros.
Neste sentido, uma maior aproximação politica entre a Polónia e a Rússia permitiria ampliar o relacionamento económico bilateral, alterar significativamente o quadro geo-estratégico da Europa Central e Oriental e da Ásia Central e fortalecer as próprias relações da União Europeia e da Nato com a Rússia. No entanto, como hoje referia o politólogo russo Fiodor Loukianov, citado pelo jornal "Le Monde", "...la catastrophe aérienne pourrait aussi raviver certaine méfiance: ce crash (…) pourrait renforcer en Pologne l'idée que tout ce qui est associé à la Russie est terrible et mauvais. Même si l'erreur du pilote est confirmée, il y en aura toujours pour dire que c'est le KGB qui a tué M.Kaczynski". A seguir!

domingo, 11 de abril de 2010

A Polónia em profundo luto

Polónia em estado de choque: Presidente polaco e comitiva morrem em acidente de aviação

Alguns dos elementos da comitiva do Presidente Lech Kaczynski, Via http://www.gazeta.pl/

A Polónia está em estado de choque com a morte, ontem, do Presidente Lech Kaczynski, e comitiva, num acidente de aviação em Smolensk, Rússia.
A delegação polaca, chefiada pelo seu chefe de estado, deslocava-se a Katyn para participar nas cerimónias alusivas ao chamado "Massacre de Katyn" de que já havíamos dado conta aqui.
Pela segunda vez, Katyn atravessa a história polaca. Na primeira, a elite intelectual da Segunda República polaca é asssinada na  floresta de Smolensk, agora a elite da Terceira República  morre neste trágico acidente de avião. Morrem também neste acidente familiares das vitimas de Katyn que havíam sido convidados pela presidência polaca para participarem nas referidas cerimónias.
A grande nação polaca volta a sofrer um acontecimento de extrema violência. A Rússia e a Polónia voltam a cruzar-se em momentos determinantes da sua história, como, aliás, se tem verificado nos últimos séculos.
A Polónia vai ter que ultrapassar mais esta tragédia e encontrar uma nova liderança para algumas das suas instituições.
Hoje, somos todos polacos!

P.S. - Veja aqui o testemunho (via "Le Soir") de Eva Nagoda Niklewicz, cidadã belga de origem polaca, que esteve ontem em Katyn para assistir às comemorações do Massacre.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

"Vinhos de Portugal/Wines of Portugal" reforçam posição nos mercados internacionais


Os vinhos continuam a afirmar-se como um dos sectores da oferta nacional com maior dinamismo, protagonismo e sucesso nos mercados internacionais.
No passado dia 01 de Abril, a ViniPortugal, associação interprofissional que tem como objectivo a promoção dos vinhos, aguardentes e vinagres portugueses no mercado interno e num conjunto seleccionado de mercados externos, realizou, em Nova Iorque, uma importante prova de vinhos que contou com a presença de cerca de 750 pessoas ligadas ao sector e que tiveram a oportunidade de degustar vinhos de 52 produtores nacionais. Um grande evento, com uma enorme adesão, num dos mercados mais competitivos do mundo para o sector dos vinhos.
Também o governo português, através do Ministério da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas, está a dar especial atenção à promoção internacional dos vinhos portugueses, tendo lançado recentemente a marca global ("umbrella") Vinhos de Portugal/Wines of Portugal, com o  objectivo de aumentar a percepção e a notoriedade dos vinhos portugueses no exterior- e disponibilizado uma verba  de 75 milhões de euros, para o periodo de 2009-2013, para a realização de acções de promoção e divulgação nos mercados externos.
O projecto da marca Vinhos de Portugal/Wines of Portugal foi precedido de vários estudos de opinião junto dos consumidores de vinhos do Reino Unido e EUA e irá ser executado pelas diversas entidades deste sector sendo de destacar, pela sua relevância, o papel que vai ser desempenhado pela ViniPortugal, IVDP (Instituto dos Vinhos do Douro e Porto) e CVR's (Comissões Vitivinicolas Regionais).

Katyn

aqui havíamos abordado a questão do Massacre de Katyn, um dos temas mais traumáticos da II Guerra Mundial para a população polaca e mais fracturantes ao nível do relacionamento politico recente entre russos e polacos. Vi, por isso, com especial interesse este post de José Milhazes sobre os últimos desenvolvimentos deste assunto e também com alguma surpresa e satisfação o sinal de abertura dado pelas autoridades de Moscovo ao permitirem a exibição no canal público de televisão "Kultura" do filme "Katyn", realizado pelo polaco Andrzej Wajda, cujo pai foi uma das vítimas do referido massacre (ou "acontecimento", na versão russa deste acto).

terça-feira, 6 de abril de 2010

Despesas militares: algumas estatisticas internacionais























Algumas informações sobre as despesas de alguns países na área da defesa que obtivemos via DataBlog/The Guardian.

IPAD - Apoios concedidos no 2º semestre de 2009

É hoje publicada em Diário da República uma informação sobre os beneficiários dos apoios concedidos, no 2º semestre de 2009, pelo IPAD - Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Does your age determine your political beliefs?


Via Aidwatch.

Espanha e EUA (2)

A cidade de Madrid pretende ficar “más cerca (mais próxima) ” dos EUA, seguindo uma tendência geral de aproximação económica a este país por parte do governo central e de algumas comunidades autónomas espanholas.
Com o referido objectivo, o “alcalde” de Madrid, Alberto Ruiz-Gallardón, apresentou este mês um plano de 77 medidas para incrementar as relações comerciais e turísticas com os EUA. Das iniciativas preconizadas no plano do “município” de Madrid, destacam-se as seguintes: aumentar a atractividade da cidade de modo a permitir a instalação de um maior número de empresas norte-americanass; facilitar a internacionalização das empresas madrilenas mais dinâmicas para o mercado norte-americano; criar novas ligações aéreas; desenvolver parcerias com cidades norte-americanas, à semelhança do que já efectuaram com a cidade de Nova York; promover novos segmentos turísticos; criar novos produtos de atracção turística direccionados para o referido país; aumentar os períodos de estadia e os gastos dos turistas; entre outros.
Refira-se que neste momento as empresas com capitais norte-americanos já representam cerca de 7% do PIB espanhol. Destas empresas, cerca de metade estão localizadas na cidade de Madrid, proporcionando perto de 90 000 postos de trabalho, sendo também Madrid o principal destino urbano para os turistas norte-americanos.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Turquia e África

Depois dos BRIC (Brasil, Rússia, India e China) e das monarquias árabes do Golfo, chegou também agora a vez da Turquia anunciar que pretende reforçar a sua presença económica e empresarial em África (recorde-se que alguns países africamos fizeram em tempos parte do Império Otomano). Em finais do mês passado, o Presidente turco Abdullah Gul realizou um périplo por alguns países africanos, acompanhado por uma comitiva de cerca de 140 empresários, com o objectivo de promover os interesses económicos do seu país nesta região. Segundo este artigo da "The Economist", os empresários turcos ("the anatolian tigers") pretendem vender "...a range of finished goods, from washing powder to jeans. Turkish contractors are angling to build airports, housing and dams. Turkish Airlines now has regular flights to Addis Ababa, Dakar, Johannesburg, Lagos and Nairobi". O ponto de partida para esta nova ofensiva económica é bastante animador: as exportações turcas para África passaram de 1,5 mil milhões de USD, em 2001, para 10 mil milhões de USD, em 2009!

Leituras: "Da luta de classes"

Post de Pedro Adão e Silva no seu blogue "Léxico Familiar" sobre Gordon Brown, Primeiro-Ministro inglês e lider do partido trabalhista.

Leituras: "La lenta agonía de un organismo internacional "

Post de Bernardo de Miguel, correspondente em Bruxelas do jornal espanhol Cinco Dias, no seu blogue "La UE, del revés", sobre a UEO - União da Europa Ocidental, organismo internacional de que Portugal é membro, juntamente com a Bélgica, Luxemburgo, França, Reino Unido, Itália, Alemanha, Grécia e Espanha.

terça-feira, 30 de março de 2010

África: telecomunicações e "business process outsourcing" (actualização)

Este artigo da The Economist chama a atenção para a relação entre a modernização tecnológica na área das telecomunicações e o desenvolvimento do "business process outsourcing (BPO)" em África, e nomeadamente no Quénia. No caso particular deste país da Costa Oriental africana, os investimentos na área da fibra óptica vão permitir a amplicação da actual oferta de "call centres", a criação de cerca de 120 000 novos postos de trabalho até 2020, segundo estimativas do governo local, para além de trazerem outros efeitos indutores bastante positivos para o resto da economia. No contexto africano, merecem especial destaque os investimentos realizados nos últimos anos na área dos "call centres" em países como a África do Sul, Egipto, Ghana, Senegal, Tunisia e  Marrocos -  no caso destes três últimos países prestando serviços a empresas sediadas, principalmente, em França ("offshore outsourcing") - e até mesmo em Cabo Verde que é normalmente utilizado como plataforma de "outsourcing" para algumas firmas e entidades portuguesas. Veja  aqui o post sobre o estudo "Global Services Location Index 2009" da AT Kearney e aqui um trabalho recente realizado pela empresa de consultadoria alemã IT Consult Gmbh para o CDE - Centre for Development of Enterprise sobre  "The strategy for the offshoring of business processes (Business Process Offshoring) between European and African SMEs".

segunda-feira, 29 de março de 2010

Espanha e EUA (1)

Já antes havíamos aqui  e aqui feito referência ao interesse das empresas espanholas  e das suas élites económicas e empresariais  numa maior aproximação ao mercado dos EUA. Como corolário destes interesses e vontades, os EUA foram, entre Janeiro e Setembro 2009, o primeiro país de destino do investimento directo espanhol no exterior (IDEE), com os investimentos a alcançarem 4 231 milhões de euros e a representarem cerca de 47,8% do total do IDEE. Por outro lado, os EUA são o 2º maior investidor estrangeiro em Espanha, em termos de stock de IDE, com uma presença muito forte nos sectores de maior incorporação tecnológica.
Em termos de comércio externo, os EUA foram, em 2009,  o 6º mercado mundial para as exportações espanholas, e o 1º cliente fora da UE27, estando envolvidas nestas operações de exportação cerca de 14 000 empresas/ano.
Não temos dúvidas em afirmar que parte deste sucesso estará, com certeza, relacionado com o nivel de prioridade politica que o mercado dos EUA tem merecido por parte das autoridades espanholas e com apoio institucional que as empresas do país vizinho têm tido no mercado norte-americano, quer através da rede de "oficinas económicas y comerciales" de Espanha nos EUA (Chicago, Los Angeles, Miami, Nova York, Washington e San Juan de Puerto Rico), quer através dos programas de promoção "Plan Made In/By Spain" e "España, Technology for Life". Refira-se ainda que, por exemplo,  no "Plan Made In/By Spain", e segundo dados do ICEX -Instituto Espanhol de Comércio Externo, estiveram envolvidas, em 2009, cerca de 1 500 empresas espanholas que participaram, por sua vez, em 289 acções de promoção económica e comercial.

sábado, 27 de março de 2010

Mary J. Blige, U2 - One

Leituras: Estudo "O sector cultural e criativo em Portugal"

O Ministério da Cultura promoveu recentemente uma sessão pública para apresentação do estudo “O sector cultural e criativo em Portugal”.
Este trabalho foi realizado pela empresa Augusto Mateus & Associados, na sequência de uma encomenda do referido ministério, e pretendeu avaliar com profundidade a relevância económica do sector cultural e criativo em Portugal.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Fundações "familiares": Fundação Francisco Manuel dos Santos (Portugal) e Fundação Rafael del Pino (Espanha)

A propósito da excelente iniciativa que constituiu o lançamento da PORDATA - Base de Dados de Portugal Contemporâneo realizada pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, ligada à familia Soares dos Santos  (accionistas de referência do Grupo Jerónimo Martins), lembrei-me de uma outra fundação com características familiares existente em Espanha e que se destaca também pela qualidade das iniciativas que promove. Trata-se da Fundação Rafael del Pino, ligada à familia Del Pino, uma das maiores poderosas familias espanholas que controla, entre outras empresas, o grupo de construção civil e obras públicas Ferrovial. As principais áreas de actuação da Fundução Rafael Del Pino são a formação de dirigentes empresariais,  divulgação cientifica de trabalhos ligados às areas da economia, gestão, direito e e história, oferta de programas de bolsas de estudo e a promoção e defesa do património cultural espanhol.
Dentro destas actividades destaco a relevância dada por esta fundação à cooperação internacional com as melhores escolas de gestão do mundo, sobretudo norte-americanas, que tem permitido a dinamização regular de sessões, designadas por "Conferências Magistrales", sobre temas da actualidade económica e empresarial e dirigidas, sobretudo, a empresários e dirigentes das principais empresas espanholas. O programa de "Conferências Magistrales" foi inaugurado, no dia 18 de Maio de 2001, por Bill Clinton, Presidente dos EUA, e por lá já passaram vários Prémios Nobel da Economia, CEO's de vários multinacionais, destacados politicos e universitários, entre outras individualidades. Na última "Conferencia Magistrale", realizada no dia 23 de Março, participou Richard M. Locke, Vice-Dean do MIT Sloan School of Business. Durante o periodo em que vivi em Madrid tive oportunidade de assistir a algumas destas sessões, graças à atenção do Vicente José Montes Gan, e este é  o tipo de eventos que contribuem para que Madrid seja hoje uma capital moderna, dinâmica e internacional.