terça-feira, 23 de março de 2010

Fundos Soberanos: a Intervenção do Fundo da Noruega em Espanha

Já antes aqui e aqui havíamos chamado a atenção para a importância da intervenção dos fundos soberanos na economia internacional. Ontem, o El País destaca, num artigo já mencionado no Notas Verbais, a intervenção em Espanha do Fundo da Noruega, o segundo maior fundo soberano do mundo, apenas superado pelo Fundo do Abu Dhabi.
O Fundo da Noruega tem um património de 328 000 milhões de euros, equivalentes a um terço do PIB espanhol, e já investiu em Espanha cerca de 18 204 milhões de euros, dos quais 6 676 milhões de euros em empresas cotadas na Bolsa de Madrid e o restante valor em títulos emitidos por empresas e organismos públicos. Entre as empresas espanholas  participadas pelo Fundo da Noruega, num universo de 77 firmas ou grupos empresariais presentes na Bolsa de Madrid,  contam-se o Banco Santander (1,62% do capital), Telefónica (1,7%), BBVA (1,59%), Iberdrola (1,54%), Repsol (1,47%) e a Inditex (0,78%). Porém, em nenhum caso a participação deste Fundo supera os 3% do capital das empresas, o que obrigaria a uma comunicação formal à entidade de supervisão da bolsa, pelo que a presença accionista desta entidade tem sido bastante discreta e "silenciosa".

segunda-feira, 22 de março de 2010

IKEA no metropolitano de Paris

Veja aqui a singular campanha de marketing que o IKEA está a realizar em Paris, usando quatro estações do metropolitano desta cidade francesa (via Freshome).

sexta-feira, 19 de março de 2010

Perfume & Rui Veloso - Intervalo

A crescente "militarização" da ajuda externa norte-americana


Fonte: William Easterly and Laura Freschi, All U.S. aid by recipient, 2004-2008, O.E.C.D. data

 
A ajuda dos EUA continua a ser fortemente condicionada e influenciada pela estratégia militar e de defesa deste país, conforme se constata da leitura do gráfico em anexo da autoria de William Easterly e Laura Freschi. As posições e as quotas detidas pelo Iraque e pelo Afeganistão, e em menor grau pelo Egipto, Colômbia e Jordânia, confirmam a cada vez mais preponderância dos três D's - desenvolvimento, diplomacia e defesa - na politica de cooperação e desenvolvimento internacional das últimas administrações norte-americanas como é aqui muito bem analisado.

Câmara de Comércio Polónia-Portugal comemora 2º Aniversário



Como já aqui referi a Câmara de Comércio Polónia-Portugal (CCPP), sediada em Varsóvia e dirigida por Pedro Pereira da Silva,  veio dar um forte impulso ao reforço das relações económicas e comerciais entre estes dois países e contribuiu decisivamente para o aumento da visibilidade e da notoriedade de Portugal na Polónia. No corrente mês de Março, a CCPP comemorou o seu 2º aniversário tendo nesse âmbito dinamizado um conjunto de actividades que culminaram com a realização, no dia de ontem, de um jantar de gala, em Varsóvia, onde participaram diversas personalidades da vida política e empresarial dos dois países. Pelo trabalho até agora realizado a CCPP é, sem dúvida, um caso de sucesso do associativismo empresarial português no exterior num mercado de elevado potencial e dinamismo, mas ainda relativamente "recente" para os investidores nacionais.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Leituras: "50 Things You Don’t Know About Africa"

"50 Things You Don’t Know About Africa:

a) The largest population in SSA is 151.3 million in Nigeria; the smallest is 0.1 million in Seychelles.

b) Cape Verde receives the highest net ODA per capita ($438.2); Nigeria receives the lowest ($9.5).

c) In Guinea-Bissau, the agriculture value-added as percentage of GDP is 51.5 percent; in Botswana it is 1.6 percent.

d) In Seychelles, 92 percent of women are literate; the figure is 13 percent for Chad and 15 percent for Niger.

e) Cape Verde has the highest gross enrolment rate in secondary education (90 percent); Niger has the lowest (11 percent).

f) Women in national parliament total seats are the highest with 56.3 percent in Rwanda and the lowest with 1.8 percent in Sao Tome and Principe. (MDG 3)."


Veja as restantes "Things You Don’t Know About Africa" no web site do World Bank.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Jornalistas "abandonam" Bruxelas

O número de jornalistas estrangeiros acreditados junto das instituições comunitárias, em Bruxelas, está a diminuir de forma bastante significativa. De 1300 jornalistas em 2005, passou-se para cerca de 750 jornalistas em 2010. Entre as causas apontadas por alguns observadores para esta situação, encontram-se a crise internacional que tem afectado duramente as empresas de comunicação social,  a fiscalidade belga que é referida como bastante penalizadora para os jornalistas expatriados e o "fraco" desempenho da 1ª Comissão Barroso (2004-2009) que supostamente terá originado um decréscimo do interesse dos cidadãos pelos assuntos europeus. E com isto, Washington consolida, ano após ano, a sua posição como primeiro grande polo jornalistico internacional.

Inditex soma e segue

A multinacional espanhola Inditex, o maior grupo mundial no sector da moda (detentor das marca Zara, Pull & Bear, Bershka, Stradivarius e Oysho), apresentou esta semana as contas referentes ao ano de 2009, tendo alcançado resultados muito positivos, apesar da crise internacional: a facturação superou os 11 000 milhões de euros, mais 7% que no ano anterior, e foram atingidos resultados líquidos positivos de 1.314 milhões de euros (mais 5% que em 2008).
Na base desta deste sucesso está a actividade internacional da Inditex que representou 68% das vendas totais da empresa (mais 2% que em 2008). Neste momento, esta empresa possui 4 607 pontos de venda, em 74 países, e o plano de expansão internacional prevê a abertura entre 365 e 425 novas lojas, das quais cerca de 98% serão localizadas em 46 países (a Ásia terá um quota de de 40%).
As vendas no Continente Europeu representaram 46% do volume total de negócios e merece especial destaque o reforço que foi efectuado da presença do grupo Inditex na Rússia (37 estabelecimentos) e na Polónia (34 estabelecimentos). Para 2010, está prevista a entrada em novos mercados, nomeadamente na Bulgária, Índia e Cazaquistão, e o lançamento de uma loja “on line” da Zara, uma das marcas do Grupo Inditex, nos mercados de Espanha, Portugal, França, Alemanha, Itália e Reino Unido.
A estratégia deste grupo empresarial é um “case study” que deveria ser estudado e seguido com mais atenção por algumas empresas portuguesas, sobretudo as que operam na fileira da moda. Com efeito, a Inditex, liderada por Amancio Ortega, soube ultrapassar um conjunto de diversas adversidades, relacionadas com a sua integração num sector económico dito "tradicional", ter sido criada numa das regiões mais desfavorecidas de Espanha (Galiza) e ter origem num país que não tinha associada uma grande notoriedade na área da moda (ao contrário, por exemplo, de França ou de Itália), definindo, na altura certa, um plano de expansão internacional num grupo de mercados de elevado potencial para a oferta da empresa.

terça-feira, 16 de março de 2010

Polónia prossegue politica de organização de grandes eventos internacionais

Depois da candidatura da cidade de Wroclaw à organização da Expo 2012, derrotada na fase final do concurso pela cidade sul-coreana  de Yeosu e da aposta na co-organização com a Ucrânia da Fase Final do Campeonato Europeu de Futebol de 2012,  a Polónia prepara-se, agora, para apresentar uma proposta, em conjunto com a Eslováquia, para a realização dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2026. Como se constata, estes exemplos revelam a existência de uma estratégia clara, e diríamos eficaz, das autoridades de Varsóvia - sobretudo no período logo após a adesão à União Europeia -na dinamização de grandes eventos internacionais como forma de promoção  e de reposicionamento da imagem externa do país e de rápida transformação e modernização dos equipamentos desportivos e das várias infraestruturas do país (estradas, auto-estradas, rede de caminhos de ferro, aeroportos, hotéis, restauração, etc..). 

Chegou a vez do Vietname? (Actualização)

A Comissão Europeia (CE) anunciou, recentemente, a abertura de negociações com o Vietname com vista à celebração de um acordo  de comércio livre ("free-trade agreement")  - semelhante aos que já assinou com a Coreia do Sul, Perú e Colômbia - que permita a abertura de novos mercados para as empresas da UE27. Entre as áreas identificadas pela CE como apresentando oportunidades de negócios para as empresas europeias contam-se, entre outras, os bens de equipamentos, alguns produtos da fileira alimentar e os produtos farmacêuticos, havendo, todavia, necessidade de existir especial atenção nas negociações sobre os sectores têxtil/confecções e calçado. Ontem, o governo português condecorou, em Lisboa,  com a Comenda da Ordem de Mérito o treinador de futebol Henrique Calisto, seleccionador nacional do Vietname, pelo contributo para a "projecção da imagem de Portugal" e como "catalisador dos nossos interesses interesses económicos, sociais e culturais" neste país asiático. Estará na altura de se olhar com outra atenção para esta importante economia asiática de 86 milhões de consumidores e  que tem apresentado, nos últimos anos, taxas de crescimento do PIB bastante significativas?

P.S. - Dias depois de colocar este post "apanhei" esta noticia referente à organização por parte do ICEX- Instituto Espanhol do Comércio Externo de umas jornadas de cooperação económica e comercial hispano-vietnamitas que terão lugar, entre dias 22 e 24 de Março, nas cidades de Hanoi e Ho Chi Minh e que contarão com a participação de 22 empresas espanholas. Em tempos também já haviamos comentado o interesse espanhol neste mercado.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Uma Europa a 4 velocidades?

O Paulo colocou este interessante post sobre as perspectivas internacionais, em termos geográficos,  para a entrada e saída da crise mundial. Na Europa, e em parte contrastando com a situação observada em outros Continentes, as dinâmicas económicas no conjunto dos países europeus terão 4 velocidades: "In recession", "Moderating", "Recovering" e "Expanding".

quinta-feira, 11 de março de 2010

The New Entrepreneur: Research Review


Turismo continua a atrair investidores internacionais para o Brasil

O Brasil continua a suscitar um forte interesse enquanto destino de eleição para os investimentos no sector do turismo, sobretudo neste periodo que antecede a organização por este país da Fase Final do Campeonato do Mundo de Futebol de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016 . Desta vez, é o importante grupo canadiano Four Seasons que está a analisar o mercado brasileiro com vista a construir um hotel no Rio de Janeiro, um hotel em São Paulo e um resort na praia. Idêntica estratégia de internacionalização tem vindo a ser implementada por alguns grupos turísticos portugueses (Dom Pedro, Pestana, Porto Bay e Vila Galé, entre outros) na sequência, fundamentalmente, do forte impulso que foi dado ao investimento português no Brasil durante os governos de António Guterres.

quarta-feira, 10 de março de 2010

DFID Bloggers

O UK Department for International Devolopment, organismo do governo inglês responsável pelo apoio à cooperação e ao desenvolvimento intenacional, aloja no seu site um conjunto de blogues de funcionários desta organização que estão colocados no estrangeiro e que nos trazem as suas vivências, experiências e reflexões sobre a evolução económica e social dos seus países de expatriamento. Uma iniciativa bastante interessante que merece ser acompanhada por quem se interessa pelas questões do desenvolvimento internacional.

terça-feira, 9 de março de 2010

Jorge Palma - Encosta-te a Mim

Empresa chinesa faz frente a multinacionais de equipamento desportivo

A ofensiva comercial de empresas chinesas nos principais mercados internacionais está a chegar a todos os sectores de actividade e cada vez mais aos segmentos superiores do mercado. Desta feita, a empresa Li Ning, especializada em roupa e equipamento desportivo de gama alta, com cerca de 7500 pontos de venda na China, cotada na bolsa de Hong Kong e com um Centro de I&D em Portland (EUA), pretende fazer frente às principais marcas internacionais deste sector (Adidas, Nike, Puma e Reebok), sobretudo nos mercados europeu e asiático. Em Espanha, a Li Ning tem prevista a abertura, ainda este ano, de uma cadeia de lojas próprias e já é um dos patrocinadores oficiais do Comité Olímpico Espanhol. Ainda a propósito da China, veja aqui este interessante artigo da revista Business Week sobre a forma como gerir parcerias em mercados como a China e a India.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Português eleito "Young Global Leader' 2010"

O World Economic Forum (WEF) acaba de publicar a lista de 197 personalidades seleccionadas como "Young Global Leaders' 2010". Cada ano, o WEF elege um conjunto de homens e mulheres, com idade inferior a 40 anos,  tendo por referência "their professional accomplishments, commitment to society and potential to contribute to shaping the future", e entre os "Young Global Leaders" deste ano conta-se um português: o empresário Stephan Morais, CEO da empresa de mobiliário TemaHome. Em Espanha, o World Economic Forum elegeu Carme Chacón, actual Ministra da Defesa, e Carlos Berrabés, Presidente da empresa Berrabés Consul Holding Group.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Olival: sector de aposta para investimentos dos grandes grupos empresariais espanhóis?

De acordo com este artigo do jornal “Expansión”, a aposta no cultivo de oliveiras para produção de azeite é um das novas apostas dos grandes empresários espanhóis como forma de diversificação dos seus investimentos, depois de durante anos as atenções terem estado viradas para a produção de vinhos.
Como exemplo desta tendência, são apontados os investimentos da família Del Pino, uma das mais poderosas famílias espanholas, proprietária do Grupo Ferrovial, em olivais espanhóis e portugueses e o interesse de alargaram esta actividade para países do Norte de África, Chile, Argentina, EUA, Austrália e até mesmo China. A actualmente, a Innoliva - empresa participada pela família Del Pino, Caixa Catalunya e MRA – possui a maior carteira de olivais da Península Ibérica (cerca de 5 000 hectares de terrenos), mas se vier a concretizar-se a aquisição por parte da Sovena (Grupo Jorge de Mello) dos activos da SOS (aproximadamente 10 000 hectares), a empresa portuguesa tornar-se-á o maior “player” ibérico neste sector, segundo refere o “Expansión”.
Deste artigo há a reter três aspectos que nos parecem bastante interessantes: (1) a importância dos grupos empresariais de base familiar na economia espanhola de que os Del Pino, como os Entrecanales (accionistas do grupo Acciona), são um caso paradigmático; (2) a crescente relevância e atenção que está a ser dada aos sectores agrícola e agro-industrial, e nomeadamente ao cultivo de oliveiras e à produção de azeite e de vinhos, como áreas de atracção de novos investimentos por parte dos grandes grupos empresariais espanhóis; (3) e a existência de um grupo empresarial português com uma posição de liderança na Península Ibérica (quantos mais existirão nesta posição?) e com uma forte presença nos principais mercados internacionais (possui, por exemplo, 80% do capital da East Coast Olive Oil, o maior importador e embalador de azeite nos EUA).