terça-feira, 16 de março de 2010

Chegou a vez do Vietname? (Actualização)

A Comissão Europeia (CE) anunciou, recentemente, a abertura de negociações com o Vietname com vista à celebração de um acordo  de comércio livre ("free-trade agreement")  - semelhante aos que já assinou com a Coreia do Sul, Perú e Colômbia - que permita a abertura de novos mercados para as empresas da UE27. Entre as áreas identificadas pela CE como apresentando oportunidades de negócios para as empresas europeias contam-se, entre outras, os bens de equipamentos, alguns produtos da fileira alimentar e os produtos farmacêuticos, havendo, todavia, necessidade de existir especial atenção nas negociações sobre os sectores têxtil/confecções e calçado. Ontem, o governo português condecorou, em Lisboa,  com a Comenda da Ordem de Mérito o treinador de futebol Henrique Calisto, seleccionador nacional do Vietname, pelo contributo para a "projecção da imagem de Portugal" e como "catalisador dos nossos interesses interesses económicos, sociais e culturais" neste país asiático. Estará na altura de se olhar com outra atenção para esta importante economia asiática de 86 milhões de consumidores e  que tem apresentado, nos últimos anos, taxas de crescimento do PIB bastante significativas?

P.S. - Dias depois de colocar este post "apanhei" esta noticia referente à organização por parte do ICEX- Instituto Espanhol do Comércio Externo de umas jornadas de cooperação económica e comercial hispano-vietnamitas que terão lugar, entre dias 22 e 24 de Março, nas cidades de Hanoi e Ho Chi Minh e que contarão com a participação de 22 empresas espanholas. Em tempos também já haviamos comentado o interesse espanhol neste mercado.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Uma Europa a 4 velocidades?

O Paulo colocou este interessante post sobre as perspectivas internacionais, em termos geográficos,  para a entrada e saída da crise mundial. Na Europa, e em parte contrastando com a situação observada em outros Continentes, as dinâmicas económicas no conjunto dos países europeus terão 4 velocidades: "In recession", "Moderating", "Recovering" e "Expanding".

quinta-feira, 11 de março de 2010

The New Entrepreneur: Research Review


Turismo continua a atrair investidores internacionais para o Brasil

O Brasil continua a suscitar um forte interesse enquanto destino de eleição para os investimentos no sector do turismo, sobretudo neste periodo que antecede a organização por este país da Fase Final do Campeonato do Mundo de Futebol de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016 . Desta vez, é o importante grupo canadiano Four Seasons que está a analisar o mercado brasileiro com vista a construir um hotel no Rio de Janeiro, um hotel em São Paulo e um resort na praia. Idêntica estratégia de internacionalização tem vindo a ser implementada por alguns grupos turísticos portugueses (Dom Pedro, Pestana, Porto Bay e Vila Galé, entre outros) na sequência, fundamentalmente, do forte impulso que foi dado ao investimento português no Brasil durante os governos de António Guterres.

quarta-feira, 10 de março de 2010

DFID Bloggers

O UK Department for International Devolopment, organismo do governo inglês responsável pelo apoio à cooperação e ao desenvolvimento intenacional, aloja no seu site um conjunto de blogues de funcionários desta organização que estão colocados no estrangeiro e que nos trazem as suas vivências, experiências e reflexões sobre a evolução económica e social dos seus países de expatriamento. Uma iniciativa bastante interessante que merece ser acompanhada por quem se interessa pelas questões do desenvolvimento internacional.

terça-feira, 9 de março de 2010

Jorge Palma - Encosta-te a Mim

Empresa chinesa faz frente a multinacionais de equipamento desportivo

A ofensiva comercial de empresas chinesas nos principais mercados internacionais está a chegar a todos os sectores de actividade e cada vez mais aos segmentos superiores do mercado. Desta feita, a empresa Li Ning, especializada em roupa e equipamento desportivo de gama alta, com cerca de 7500 pontos de venda na China, cotada na bolsa de Hong Kong e com um Centro de I&D em Portland (EUA), pretende fazer frente às principais marcas internacionais deste sector (Adidas, Nike, Puma e Reebok), sobretudo nos mercados europeu e asiático. Em Espanha, a Li Ning tem prevista a abertura, ainda este ano, de uma cadeia de lojas próprias e já é um dos patrocinadores oficiais do Comité Olímpico Espanhol. Ainda a propósito da China, veja aqui este interessante artigo da revista Business Week sobre a forma como gerir parcerias em mercados como a China e a India.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Português eleito "Young Global Leader' 2010"

O World Economic Forum (WEF) acaba de publicar a lista de 197 personalidades seleccionadas como "Young Global Leaders' 2010". Cada ano, o WEF elege um conjunto de homens e mulheres, com idade inferior a 40 anos,  tendo por referência "their professional accomplishments, commitment to society and potential to contribute to shaping the future", e entre os "Young Global Leaders" deste ano conta-se um português: o empresário Stephan Morais, CEO da empresa de mobiliário TemaHome. Em Espanha, o World Economic Forum elegeu Carme Chacón, actual Ministra da Defesa, e Carlos Berrabés, Presidente da empresa Berrabés Consul Holding Group.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Olival: sector de aposta para investimentos dos grandes grupos empresariais espanhóis?

De acordo com este artigo do jornal “Expansión”, a aposta no cultivo de oliveiras para produção de azeite é um das novas apostas dos grandes empresários espanhóis como forma de diversificação dos seus investimentos, depois de durante anos as atenções terem estado viradas para a produção de vinhos.
Como exemplo desta tendência, são apontados os investimentos da família Del Pino, uma das mais poderosas famílias espanholas, proprietária do Grupo Ferrovial, em olivais espanhóis e portugueses e o interesse de alargaram esta actividade para países do Norte de África, Chile, Argentina, EUA, Austrália e até mesmo China. A actualmente, a Innoliva - empresa participada pela família Del Pino, Caixa Catalunya e MRA – possui a maior carteira de olivais da Península Ibérica (cerca de 5 000 hectares de terrenos), mas se vier a concretizar-se a aquisição por parte da Sovena (Grupo Jorge de Mello) dos activos da SOS (aproximadamente 10 000 hectares), a empresa portuguesa tornar-se-á o maior “player” ibérico neste sector, segundo refere o “Expansión”.
Deste artigo há a reter três aspectos que nos parecem bastante interessantes: (1) a importância dos grupos empresariais de base familiar na economia espanhola de que os Del Pino, como os Entrecanales (accionistas do grupo Acciona), são um caso paradigmático; (2) a crescente relevância e atenção que está a ser dada aos sectores agrícola e agro-industrial, e nomeadamente ao cultivo de oliveiras e à produção de azeite e de vinhos, como áreas de atracção de novos investimentos por parte dos grandes grupos empresariais espanhóis; (3) e a existência de um grupo empresarial português com uma posição de liderança na Península Ibérica (quantos mais existirão nesta posição?) e com uma forte presença nos principais mercados internacionais (possui, por exemplo, 80% do capital da East Coast Olive Oil, o maior importador e embalador de azeite nos EUA).

domingo, 28 de fevereiro de 2010

"Imagine", "Woman" e "Happy Christmas (War is Over)" de John Lennon

Ouça e veja  aqui, aqui  e aqui os inesqueciveis temas "Imagine", "Woman" e "Happy Christmas (War is Over)" de John Lennon.

Leituras: "Plano África 2009-2012 - Espanha"

Num artigo publicado este fim-de-semana no jornal "Expresso", e designado "O trabalho de casa de Espanha", Manuel Ennes Ferreira, colunista do referido semanário e professor no ISEG, aborda o tema da estratégia politica e económica espanhola para o Continente Africano, fazendo referência ao documento "Plano África 2009-2010", elaborado pelo Ministério das Relações Exteriores e da Cooperação de Espanha.
Pela importância deste documento, seguem os links para o mesmo nas linguas espanhola, francesa, inglesa e portuguesa e também a versão 2006-2008 do mesmo Plano África, esta ainda sem tradução para língua portuguesa. Veja também o "Plano Ásia-Pacífico 2008-2012" do governo espanhol.

Leituras: "Proposals for Ukraine: 2010—Time For Reforms"

Numa altura em acaba de tomar posse o novo Presidente da Ucrânia, uma Comissão Internacional constituida por diversos especialistas independentes - co-dirigida por Anders Aslund, Senior Fellow do Peterson Institute for International Economis - apresenta, num excelente relatório, um conjunto de propostas para o primeiro ano da nova presidência ucraniana.
Esta Comissão Internacional refere que "After the presidential elections, Ukraine will have a unique opportunity to implement reforms that will lay the foundation for sustainable economic growth. The Commission concludes that Ukraine (1) needs new organizational capacity for reforms, (2) should prioritize reforms, and (3) should use international organizations—the International Monetary Fund, the European Union, and the World Bank—as lighthouses to guide its reforms. The Commission suggests 10 politically feasible priorities in 2010 for Ukraine: carry out gas reform; make the National Bank of Ukraine independent; move toward inflation targeting; cut public expenditures; undertake comprehensive deregulation of enterprise; conclude a European Association Agreement; get privatization going again; legalize private sales of agricultural land; adopt a Law on Public Information; and complete modernizing commercial legislation."
Vamos ver quais vão ser as principais linhas de orientação politica que vão ser implementadas nos próximos meses pelas autoridades de Kiev.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

"A.T. Kearney Foreign Direct Investment (FDI) Confidence Index'2010"

A empresa de consultadoria A.T. Kearney acaba de publicar  o estudo "Foreign Direct Investment (FDI) Confidence Index'2010".
Na opinião dos dirigentes de empresas internacionais que participaram nesta "survey", a China é o país mais atractivo para a realização de operações de investimento directo estrangeiro, seguida dos EUA, India, Brasil e Alemanha.
Neste ranking de 25 países, e para além da Alemanha (5ª posição), são ainda apontados outros países da UE27 como destinos com grande potencial de atracção de investimento estrangeiro: a Polónia (6ª posição), Reino Unido (10ª), França (13º), Roménia (16ª) e Rep. Checa (17ª). A Espanha que geralmente surgia bem classificada neste tipo de "surveys", "desaparece" deste ranking da A.T.Kearney, devido com certeza à grave crise económica que este país atravessa actualmente.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Jogos Olímpicos e Exportações

Os grandes eventos desportivos, como os Jogos Olimpicos ou as Fases Finais dos Campeonatos do Mundo de Futebol, são manifestações com consequências bastante positivas para os países organizadores traduzidas geralmente no incremento dos fluxos turísticos, na construção e/ou modernização de infraestruturas e no aumento da notoriedade internacional desses países. Porém, e de acordo com um "paper" recente de  Andrew Rose e Mark Spiegel, designado por "The Olympic Effect" e que encontrámos no blog GlobalEdge, este tipo de eventos podem ter um impacto muito significativo ao nivel do comércio externo, contribuindo, em muitos casos, para um aumento em cerca de 30% nas trocas comerciais com o exterior do país-anfitrião. Nesta perspectiva, e para o caso português, quais terão sido os efeitos do Euro'2004 na balança comercial nacional? 

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Leituras: "The BRICs and the power of the acronym"

Post de Gideon Rachman, colunista do Financial Times, sobre as mais recentes discussões em relação ao termo "BRIC" (Brasil, Rússia, India e Brasil), criado, em 2001, por Jim O’Neill, Chief Economist da Goldman Sachs.

Leituras: "L'impossible réforme de la diplomatie culturelle"

Artigo do jornal "Le Monde" sobre a reforma da diplomacia cultural francesa. Uma proposta bastante ambiciosa e que, a concretizar-se, poderá vir a representar a principal "marca" da passagem de Bernard Kouchner pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros Francês.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

"Outsourcing", "Offshoring" e "Backshoring"

A revista Strategy+Business num dos seus últimos números, e num artigo de William J. Wolstein, chama a atenção a relocalização para os EUA de um conjunto de actividades e de negócios que ainda há pouco havíam sido alvo de "offshoring" ou de "outsourcing" para o Continente Asiático e/ou para países da Europa Central e Oriental. Em relação a este novo movimento de "deslocalização", designado "backshoring", o autor do artigo apontou alguns exemplos deste fenómeno nos EUA, referindo os casos das empresas tecnológicas NCR e GE. Na opinião de William J. Wolstein "...the making of commoditized staples like shoes, clothing, and consumer electronics will mostly remain in Asia. Backshoring will be more prevalent at the high end of the technology spectrum, in industries such as telecommunications and health care that are sensitive to quality and fast product cycles or in cases in which companies feel they can profit from getting immediate and ongoing feedback from U.S. customers". Se este "movimento" de relocalização para países desenvolvidos de actividades económicas de alto valor acrescentado ganhar uma maior expressão, e afirmar-se como uma tendência, não criará oportunidades para a instalação em Portugal de empresas inovadoras? Se sim, que tipo de medidas deverão ser concretizadas para facilitar/incrementar o investimento destas empresas?

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Do immigrants create exports? Evidence from Spain


Um estudo publicado no Vox refere que a imigração têm um papel determinante na promoção das relações comerciais. Tendo por base uma análise do caso espanhol, os autores deste trabalho concluem que  "...doubling the number of immigrants leads to a 10% increase in exports to their country of origin. The effect is even bigger for countries which are culturally different. People often perceive the economic consequence of immigration as an increase in the supply of unskilled labour and as increasing the demand for public goods. Neither effect – whether real or perceived – is considered as a benefit. But immigrants bring more than their skills. Immigrants bring both knowledge of and connections with the markets, the populations and the economies of their “mother” countries. This often ignored contribution to the economic activity of the host country may help connect buyers and sellers, and help overcome hurdles to economic interactions, such as weak international legal institutions."
Uma excelente pista de pesquisa para o caso português onde a imigração, bem como a emigração, é uma realidade relevante e incontornável do nosso sistema económico e social.