quinta-feira, 30 de julho de 2009

Programa de Governo do Partido Socialista para 2009-2013: Propostas na área da internacionalização da economia e das empresas

O Partido Socialista apresentou ontem, em Lisboa, o seu Programa de Governo para o periodo 2009-2013.

Na área da internacionalização da economia e das empresas há a reter, fundamentalmente, as seguintes propostas de actuação:

" ... reforçar a internacionalização da economia. Aumentar as exportações e o investimento directo estrangeiro deve constituir um desígnio nacional para os próximos anos em Portugal. A internacionalização é chave para a recuperação económica (o mercado internacional é de tal forma mais vasto que o mercado interno, que mesmo na actual conjuntura há espaço para crescer), para mais crescimento económico no médio prazo (dada a dimensão do mercado interno e os actuais níveis de endividamento dos agentes económicos), para a mais rápida renovação da base produtiva (pois o investimento estrangeiro modernizador trás consigo factores críticos de modernização) e para a redução do défice externo (pois metade do défice da balança de bens e serviços corresponde a défice comercial não energético). Por isso, para consolidar a estratégia de internacionalização da economia e a mobilizar todos os agentes da sociedade, iremos propor a celebração de um Pacto para a Internacionalização."


"Um Pacto para a internacionalização
a) Firmar um Pacto para a Internacionalização, capaz de promover o rápido aumento das exportações, através do aumento da actividade das actuais empresas exportadoras, do alargamento da base exportadora e da captação de investimento directo estrangeiro modernizador;

b) Aumentar a percentagem de PME exportadoras e aproveitar a mobilização plena da realidade das empresas portuguesas, seja dos sectores modernos e competitivos à escala global, seja dos sectores em modernização e expansão;

c) Dar resposta à actual conjuntura económica internacional, marcada pelo baixo crescimento ou quebra de procura nos mercados tradicionais; pela rápida expansão de novos mercados emergentes e de nichos de procura específicos e pelo ciclo de investimento modernizador em indústrias de alto valor, como as energias e a nova mobilidade;
d) Prosseguir e aprofundar o caminho trilhado nos últimos anos de aumento das exportações de maior valor acrescentado, de forte posicionamento em novos mercados, nomeadamente os países do Magreb, a América do Sul, os PALOP´S ou os países do Golfo e de captação de uma nova geração de investimento directo estrangeiro, assente em tecnologia e conhecimento;
e) Consolidar e desenvolver o novo mapa da diplomacia económica, seleccionando, a par do mercado europeu, até 15 mercados estratégicos fora da Europa para aumento das exportações com apoio da nossa diplomacia e aproveitar as oportunidades em mercados com nível de desenvolvimento intermédio;

f) Institucionalizar um quadro de cooperação estratégica para a internacionalização que envolva representantes das associações empresariais, do Governo e da administração pública (MEI, MNE, AICEP, IAPMEI) e de outras instituições relevantes, como as Universidades, no processo de decisão quanto às prioridades estratégicas a prosseguir na internacionalização, e os respectivos instrumentos de execução;

g) Organizar os meios e agentes da internacionalização de forma a assegurar uma execução coordenada e integrada;

h) Articular a política externa e as políticas de apoio à internacionalização económica (rede diplomática e instrumentos de apoio ao comércio externo e ao investimento), nomeadamente reforçando o apoio da diplomacia económica às empresas, especialmente as PME e realizando missões de apoio à internacionalização junto dos mercados estratégicos;

i) Criar uma rede de altos quadros portugueses de empresas no exterior, articulando-a com a diplomacia económica e a AICEP, tendo em vista detectar, criar e apoiar a concretização de oportunidades de investimento em Portugal ou de internacionalização de empresas portuguesas;

j) Reforçar a relação com as Comunidades Portuguesas, articulando-a com a diplomacia económica;

k) Criar um quadro regulatório favorável e incentivador das actividades exportadoras nos diversos sectores de actividade;

l) Definir um sistema de benefícios fiscais ao investimento na internacionalização. O regime dos benefícios fiscais ao investimento na internacionalização será estendido até 2020, alargando as condições de dedução automática do crédito, por forma a simplificar o acesso aos incentivos. O crédito fiscal em IRC será até 20% das aplicações relevantes para as empresas que participem em pólos ou clusters de competitividade e o limiar de investimento a partir do qual a sua atribuição será automática será reduzido para € 100 000. As aplicações relevantes para efeitos da atribuição deste crédito fiscal passam a contemplar também as despesas relacionadas com: I) criação de sucursais ou estabelecimentos estáveis no estrangeiro; II) aquisição de participações de sociedades não residentes ou a criação de sociedades no estrangeiro, desde que a participação directa seja, pelo menos, de 25% do capital social; III) campanhas de projecção plurianual para lançamento e promoção de produtos, prospecção e consolidação de mercados no estrangeiro, incluindo as realizadas com feiras, exposições e outras manifestações análogas com carácter internacional; IV) campanhas internacionais;

m) Simplificar os procedimentos aduaneiros: o Estatuto de Operador Autorizado será alargado a novas empresas, por via de contratualização;

n) Criar um novo fundo, no montante de 250 milhões de Euros, para apoiar operações de capital de desenvolvimento das PME em mercados internacionais;

o) Garantir que, sem prejuízo da necessária avaliação de risco das operações, a actividade de seguros de crédito à exportação disponibiliza um suporte adequado às actividades exportadoras;

p) Criar um sistema integrado de incentivos à localização em Portugal de centros de desenvolvimento e teste de novos produtos e soluções, bem como à participação de empresas e centros de investigação portugueses em parcerias internacionais de excelência, tendo em vista promover comunidades de conhecimento que reforcem a centralidade do País e aumentar as oportunidades de criação de emprego altamente qualificado nos sectores tecnológicos mais avançados;

q) Intensificar a relação com projectos de investimento directo estrangeiro já instalados em Portugal, tendo em vista potenciar o seu alargamento e a captação de novos negócios;

r) Criar 14 Lojas da Exportação no País, enquadradas na rede de agências do IAPMEI e em articulação com a AICEP, nas quais cada exportador terá um gestor de cliente;

s) Criar o programa INOVExport, para apoiar a colocação de até 1.500 jovens quadros em PME exportadoras, em particular jovens quadros com experiência prévia de Erasmus ou INOVContacto e formação intensiva em marketing/vendas;

t) Contratualizar entre as associações empresariais e a AICEP as acções de promoção externa para um horizonte temporal de 4 anos, com uma especialização por áreas geográficas;

u) Aumentar os incentivos não reembolsáveis às acções de promoção no exterior de 45% para 70%;

v) Reforçar os instrumentos de formação e capacitação de empresas para internacionalização, nomeadamente através da disponibilização de I) informação sobre mercados e estratégias de internacionalização; II) apoios especializados a empresas; III) capacitação de quadros e gestores de PME; IV) reforço da ligação às instituições de ensino superior; V) ligação à Business Intelligence Unit;

x) Criar a iniciativa E.EXPORTAR, de forma a dotar as PME de ferramentas tecnológicas ao nível do e-commerce que lhes permitam abordar os mercados internacionais com maior eficiência e rapidez;

z) Apoiar a internacionalização das indústrias criativas, nomeadamente design".

" As relações económicas externas
Os impulsos da globalização continuarão a estimular a internacionalização da economia portuguesa. Será particularmente importante promover políticas públicas que possam contrariar dois aspectos penalizadores para a economia portuguesa: um atraso estrutural do empresariado e de processos de produção, e a grande crise internacional que é particularmente severa para economias abertas como a nossa.

Em ambos os casos a resposta a dar na próxima legislatura exige o reforço dos instrumentos para a internacionalização e uma coordenação mais acentuada desses instrumentos. Há que reforçar os mecanismos de apoio à participação portuguesa em feiras internacionais, e o conhecimento sobre fontes de financiamento internacional, incluindo os bancos multilaterais; e há que assegurar uma articulação muito forte entre o empresariado e as redes de conhecimento desenvolvidas pelas Embaixadas.

A captação de investimento externo continuará a ser uma prioridade, e muito em particular o investimento que cria emprego qualificado e competitivo. Também nesta matéria se exige agora uma articulação mais estreita e coordenada com os diferentes serviços do Estado no exterior.
O reforço da capacidade de penetração internacional dos agentes económicos portugueses passa também pelo desenvolvimento de novas formas de parceria com o empresariado da diáspora portuguesa. O novo impulso a dar à internacionalização da economia portuguesa deve assumir-se como prioridade da acção externa do Estado português."

"As relações com os empresários portugueses no estrangeiro constituirão o pilar do programa NETINVEST, cujo objectivo central se propõe contribuir para facilitar as condições ao investimento em Portugal, à realização de parcerias entre os empresários nacionais com sede em Portugal e os restantes instalados no estrangeiro."

"Estabelecer pontes com mais-valias económicas portuguesas, por exemplo nas áreas das energias renováveis e das tecnologias de informação."

"Melhorar a coordenação com instrumentos de apoio à internacionalização, nomeadamente linhas de crédito concessionais; melhorar a capacidade de intervenção da SOFID e sua articulação com a política de cooperação".

Os nossos comentários em relação a estas propostas ficarão para outra altura.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Are Sovereign Wealth Funds Welcome Now?

Veljko Fotak e William Megginson publicam no “Columbia FDI Perspectives, Nº9, July 2009” um excelente artigo sobre (1) o papel e a intervenção dos fundos soberanos nas economias ocidentais; (2) as mudanças de atitude e de posição dos governos, dos reguladores, das empresas e dos órgãos de comunicação social em relação a estas entidades; (3) e sobre a forma como os governos deverão analisar estes fundos e o seu impacto nas empresas.
De acordo com os autores deste trabalho ,“ ... sovereign wealth funds are not all equal. Governments must realize that SWFs are a heterogeneous group. They vary dramatically in respect to size, funding, objectives, investment style and sophistication. Accordingly, regulators should resist the temptation to restrict SWFs unduly in the event of a fund “misbehaving.” Regulation should, a priori, treat all SWFs equally, but any ad-hoc response should affect the offending fund, rather than the entire category" . E acrescentam ainda que "formulating the proper regulatory response requires striking a fine balance between the need for foreign capital and the danger of foreign governments interfering in sensitive sectors of the economy".
E em Portugal que reflexão temos vindo a fazer sobre este tema?

terça-feira, 28 de julho de 2009

"Influence Potential" dos Estados Membros da UE no Parlamento Europeu

O site EuroActiv dá conta que o "European Institute for Participative Democracy (Qvorum)", “think tank” romeno com sede em Bucareste, acaba de publicar um estudo sobre a 'influence potential' dos 27 Estados- Membros da U.E. no Parlamento Europeu.

De acordo com este trabalho, a Alemanha estará sobre-representada no Parlamento Europeu, tendo assim mais “possibilidades” de influenciar as politicas da União Europeia, enquanto países como a Espanha e a Holanda estão "sub-representados “vis-à-vis” outros Estados com dimensões semelhantes, em termos populacionais, como são os casos da Polónia, para o caso da Espanha, e da Bélgica, Portugal, Hungria, Suécia e Áustria, para o caso da Holanda. Assim, e segundo o referido estudo, a Alemanha "....has secured an unprecedented four committee chairs and eight vice-presidencies, and holds three political group presidencies and another three group vice-presidencies".

UNCTAD: World Investment Prospectus Survey 2009-2011

A UNCTAD acaba de divulgar o "World Investment Prospectus Survey 2009-2011" que analisa, identifica perspectiva as principais tendências internacionais em relação ao investimento directo estrangeiro com base numa "survey" realizada junto de um conjunto de empresas multinacionais.

O culto de Nossa Senhora de Fátima na Polónia

Tive recentemente conhecimento desta impressionante noticia que refere que 68 peregrinos polacos, oriundos da cidade de Rzeszow, percorreram de bicicleta cerca de 4 386 Km para prestarem homenagem a N. Senhora de Fátima e “agradecer-lhe todas as graças concedidas à Polónia e aos polacos”.
Durante os 4,5 anos que vivi em Varsóvia, entre 2003 e 2007, tive oportunidade de constatar, inicialmente com alguma surpresa, a fé e a enorme religiosidade do povo polaco, o papel relevante da igreja católica em todos os sectores da sociedade polaca e também o grande significado local do culto de N. Senhora de Fátima, devido, fundamentalmente, à influência do Papa João Paulo II.
Neste período, assisti também ao luto e à profunda tristeza, dor e consternação de toda a nação polaca com o falecimento do Papa João Paulo II, um dos principais protagonistas das grandes mudanças que se verificaram, em finais do século passado, nos países do antigo bloco comunista.
De assinalar também que o interesse pelo culto de N. Senhora de Fátima na Polónia é um dos factores que contribui para a existência de um maior conhecimento e notoriedade sobre Portugal neste país da Europa Central e Oriental e constitui, ainda hoje, um factores que potenciam os fluxos turísticos de polacos para o nosso país.

sábado, 25 de julho de 2009

Business Week: Special Report on Innovation in a Recession

Leituras: "Business Week - How companies are finding creative ways to come up with new products and services faster and more efficiently—with fewer resources".

sexta-feira, 24 de julho de 2009

“European Attractiveness Survey’2009”/ Ernst&Young

A Ernst&Young acaba de publicar o “European Attractiveness Survey’2009”, desta vez com o subtítulo “Reinventing European Growth”, sob o signo da contracção do investimento directo estrangeiro (IDE), sobretudo ao nível da criação de emprego.

Segundo este trabalho, em 2008, e comparando com os dados de 2007, verificou-se uma redução significativa (-16%) do número de postos de trabalho criados, 176 551 para 148 333 empregos, e uma estabilização do número de projectos de IDE que passaram de 3 712 projectos para 3 718 projectos.



As operações de IDE na Europa, e no que diz respeito ao número de projectos, continuam a ser dominadas por investidores europeus (51% do total), sobretudo alemães, ingleses e franceses, e norte-americanos (25% do total). Os BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) apresentaram, ainda, um reduzido número de projectos (6% do total), mas a tendência é para um crescimento do número de operações, fundamentalmente por parte de investidores chineses e indianos.

Segundo a “European Attractiveness Survey’2009”, os países que acolheram maior número de projectos de investimento estrangeiro, em 2008, foram o Reino Unido (686 projectos, 18% do total), França (523, projectos, 14% do total), Alemanha 390 projectos, 10% do total), Espanha (211 projectos, 6% do total) e Polónia (176 projectos, 5% do total). Por sua vez, os países mais beneficiados, em termos de criação de postos de trabalho, no âmbito destes projectos de IDE, foram o Reino Unido (20 196 empregos), Polónia (15 512), França (12 933), Rússia (12 900) e Hungria (11 659).

Portugal acolheu 37 projectos de IDE que criaram 3 448 postos de trabalho.



Quanto a perspectivas e tendências de curto prazo, esta “survey”, para a qual foram entrevistados 809 “global investors”, em Fevereiro de 2009, refere que os principais investidores internacionais vão apostar, fundamentalmente, nos países da Europa Ocidental (40% dos inquiridos) e da Europa Central e Oriental (39%), seguidos da China (33%), América do Norte (25%) e Índia (20%).

quinta-feira, 23 de julho de 2009

How many jobs are onshorable?

Excelente artigo de Richard Baldwin, Professor de Economia Internacional no Graduate Institute, em Genebra, que debate, com base em alguns trabalhos de Alan Blinder, a problemática do crescimento do "offshoring" de "impersonal services" nos EUA devido ao rápido crescimento das tecnologias da comunicação e informação.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Summer'2009 Books: MBA Reading List

Summer'2009 Books: MBA Reading List: Algumas recomendações de um blog da Business Week.

Polacos estão felizes e confiantes

A crise económica internacional está a afectar, em maior ou menor grau, todos os países e os níveis de confiança e expectativas dos agentes económicos e das famílias. Neste quadro geral de contracção económica, de encerramento de empresas, de despedimentos, existem ainda alguns países onde a população se mostra confiante, segura, optimista e feliz. Um destes países é a Polónia. Segundo dados divulgados na semana passada pelo Instituto de Estatística Polaco (GUS), cerca de ¾ dos inquiridos estão satisfeitos ou muito satisfeitos com a sua situação, o valor mais elevado desde que este estudo anual foi lançado, em 1993. Entre as razões apontadas para esta situação, estão as mudanças ocorridas no país desde a adesão à União Europeia, em 2004, e o facto da economia polaca continuar a crescer, ainda que de forma muito pouco significativa, em 2009.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Estudo da Transparency International revela dados sobre a corrupção em Portugal

Numa altura em que a problemática da corrupção volta à agenda politica em Portugal, a ONG (Organização Não-Governamental) Transparency International (TI) acaba de divulgar um novo relatório sobre este assunto, designado “Global Corruption Barometer' 2009", e que passou quase despercebido em Portugal. Aliás, no site desta organização onde é feito o levantamento da cobertura mediática deste trabalho, não há, até á data em que escrevemos este post, qualquer referência à a artigos publicados na imprensa portuguesa sobre este assunto, ao contrário do que sucedeu em outros países.

Este estudo da TI foi efectuado em 69 países, entre Outubro de 2008 e Fevereiro de 2009, e contou com a participação de 73 132 pessoas.
Em termos globais, metade dos entrevistados tem a percepção de elevados níveis de corrupção no sector privado, fenómeno que está a também afectar alguns países desenvolvidos como o Canadá, Dinamarca, Islândia, Luxemburgo, Holanda, Noruega, Portugal, Espanha e Suíça.
Da leitura do "Global Corruption Barometer'2009", constata-se que 33% dos portugueses consideram o sector privado como aquele que é mais afectado pela corrupção, seguido dos partidos políticos (29%), funcionários públicos (15%), sistema judicial (14%), parlamento (5%) e meios de comunicação social (4%).
Já quanto ao combate à corrupção, cerca de 73% dos portugueses consideram que a actuação do governo tem sido ineficaz, enquanto 16% acreditam que as medidas implementadas pelas autoridades nacionais têm obtido resultados. No entanto, e apesar de haver uma elevada percepção de corrupção na sociedade portuguesa, somente 2% dos portugueses admite ter pago subornos, nos últimos 12 meses, para obter algum bem ou serviço.
Face à crescente relevância do tema da corrupção em Portugal, é com alguma expectativa que aguardamos as propostas de combate à corrupção que vão ser apresentadas nos programas eleitorais dos vários partidos políticos que concorrem às próximas eleições legislativas. Para que este assunto não volte a ser colocado apenas a meio da legislatura por alguns deputados mais "incómodos" mas, infelizmente, sem quaisquer consequências politicas!

As mudanças nas “Cajas de Ahorros” espanholas e as suas implicações em Portugal

Segundo uma notícia hoje publicada no diário espanhol “L´Expansion”, Rafael González-Gallarza Granizo, especialista em “Bancos e Cajas” e em “Mercados Financeiros” e sócio do prestigiado escritório de advogados Garrigues, prevê que desaparecerão, no curto-médio prazo, metade das actuais 45 “Cajas de Ahorros”, o que significa uma das piores contracções, dos últimos 60 anos, no mercado financeiro espanhol.

Esta mudança, vai realizar-se, fundamentalmente, através de um processo de fusões das referidas entidades financeiras que, aliás, tem estado a ser estimulado pelo Banco Central Espanhol e pelos Governos de várias Comunidades Autónomas, como é o caso da Catalunha. Hoje mesmo a imprensa espanhola dava também da conta da iminência de um acordo entre a CajaSur y Unicaja para além de se conhecerem negociações entre a Caja Duero y Caja España.

Apesar das dificuldades que algumas destas entidades estão a passar, devido à crise internacional e, em muitos casos, às politicas de crédito pouco criteriosas e e/ou executadas por orientações de natureza politica, não podemos esquecer que as “Cajas” tiveram um papel relevante no desenvolvimento económico e empresarial das 16 Comunidades Autónomas espanholas.

Ao terem um cariz marcadamente regional, pois os Governos das Comunidades Autónomas são geralmente accionistas das “Cajas” da sua região e têm um papel determinante na gestão e na estratégia das mesmas, estas entidades deram dimensão, capacidade financeira e “massa critica” a muitas empresas espanholas, através da entrada no seu capital social, o que lhes permitiu ganharem competitividade no mercado interno e avançarem, de forma mais sustentada, para a abordagem e entrada em mercados internacionais. Sinal deste dinamismo, algumas destas “Cajas” acompanharam a internacionalização das empresas das suas regiões e criaram representações no exterior, nomeadamente em Portugal.

Nesta altura, têm sucursais ou escritórios no nosso país algumas das principais “Cajas”, como são os casos da Caja Madrid, Caja Galicia, Caja Duero, Caixanova, Bancaja, Caja Badajoz, Caja Salamanca y Soria, La Caixa, entre outras. Por sua vez, algumas destas instituições têm posições accionistas importantes em empresas portuguesas (por exemplo, a Cajastur tem 5% da EDP e a La Caixa tem cerca de 30% do BPI) e em empresas espanholas instaladas em Portugal (por exemplo a holding do Grupo Pescanova tem entre os seus accionistas a Caixa Galicia, com uma posição de 20%, e a Caixanova com 5% do capital).

Em síntese, parece-nos que este processo de concentração bancária em Espanha, principal parceiro económico de Portugal, deverá ser acompanhado com atenção pelas autoridades e agentes económicos nacionais devido às suas implicações directas e indirectas na economia e no tecido empresarial português.

domingo, 19 de julho de 2009

Empresas espanholas continuam a investir e a apostar no estrangeiro

O investimento directo espanhol no exterior (IDEE), em 2008, atingiu 38 638 milhões de Euros (brutos), o que representou um decréscimo de 64,6%, em relação a 2007 (ano em se atingiram valores de investimento excepcionais), segundos dados revelados pelo Ministério da Industria, Turismo e Comércio de Espanha . De qualquer modo, o investimento das empresas espanholas no exterior continuou a ser superior ao investimento de empresas estrangeiras no mercado espanhol, situação que se verifica desde 1997.

Os países que integram a OCDE foram os principais destinos do IDEE, ao representarem 85% do total das operações de investimento realizadas. Por países, os EUA foram o principal destino de investimento (22,5%), seguidos do Reino Unido (16,1%), Holanda (12,3%) e México (11,4%). Por sua vez, Portugal, Grécia e França constituiram também destinos relevantes (com valores superiores a 3% do total para cada um destes países) dos investidores espanhóis, enquanto os países da América Latina captaram 17,5% do total de IDEE.

Quanto às Comunidades Autónomas espanholas com mais preponderância enquanto emissoras de investimento estrangeiro, destacam-se a Comunidade de Madrid (32,4%), seguida da Catalunha (20,4%), Cantábria (18,1%) e País Basco (15,5%).

sexta-feira, 17 de julho de 2009

A transição politica no Gabão

Em meados da década de 90 do século passado, desloquei-me em trabalho a Libreville, capital no Gabão, com o objectivo de fazer um levantamento das oportunidades de negócios para as empresas portuguesas e de contactar as principais instituições locais ligadas às áreas económica e empresarial.
Dessa viagem, e dos contactos que realizei, houve um conjunto de factos que, na altura, me impressionaram bastante. Em primeiro lugar, a forte presença francesa a todos os níveis da sociedade gabonesa, e nomeadamente na área económica. Empresas e interesses franceses, com ligações ao mais alto nível do poder politico, controlavam a economia gabonesa, e nomeadamente as áreas dos petróleos, banca, infra-estruturas, madeiras e distribuição alimentar (numa deslocação a um supermercado tive oportunidade de ver alfaces, tomates, leite do dia e iogurtes franceses que eram enviados diariamente, e por avião, a partir de Paris. Para além disso, era bem visível todo o dispositivo militar francês no país (a França possuía uma base aérea, ao lado do aeroporto internacional de Libreville), como se destacava também a enorme quantidade de assessores franceses que trabalhavam nos vários ministérios que visitei. Em segundo lugar, recordo também o poder absoluto que dispunha o Presidente Omar Bongo neste pequeno país africano com cerca de 1,4 milhões de habitantes (nesta visita, e depois de um encontro na Delegação da Comissão Europeia com um conselheiro económico francês, tive também oportunidade de assistir, junto à magnifica e tranquila marginal de Libreville, a todo o aparato de segurança que rodeava a chegada de Omar Bongo de uma viagem ao estrangeiro ....). Omar Bongo governou de forma autocrática o Gabão durante mais de 40 anos, e foi uma peça fundamental na politica externa africana de França e na intermediação de um conjunto de conflitos regionais, nomeadamente no Congo, República Democrática do Congo e Angola. Agora, e quando se esperava, numa perspectiva minimalista, alguma mudança de protagonistas na vida politica gabonesa, depois da morte de Omar Bongo, o seu filho, Ali-Ben Bongo, prepara-se para ser o candidato do principal partido (PDG) às eleições presidenciais, previstas para o próximo mês de Agosto, e assim suceder ao seu pai. Será que há coisas que nunca mudam?

Doing Business in India'2009

O Banco Mundial acaba de lançar o estudo "Doing Business in India' 2009". Trata-se de um relatório de leitura obrigatória para quem pretender fazer a abordagem e realizar negócios neste mercado.

Investimento estrangeiro em Espanha cresce apesar da crise económica

O investimento directo estrangeiro (IDE) em Espanha, em 2008, atingiu 37 715 milhões de Euros (bruto), o que constitui um crescimento de 0,4% em relação ao ano anterior, segundo dados divulgados pelo Ministério da Industria, Turismo e Comércio de Espanha. Em termos líquidos, o IDE em Espanha alcançou 34 543 milhões de Euros, o que significou um incremento de 26,7% em relação a 2007. Trata-se de um facto bastante relevante, tendo em atenção a crise económica que se tem feito sentir no pais vizinho, sobretudo, desde o 2º semestre de 2008.

Por zonas geográficas, a União Europeia foi o 1º investidor em Espanha, representando 93,2% do total de IDE. Em termos de países, o Reino Unido foi o primeiro investidor (46,3% do total, devido principalmente à operação de compra da Altadis pela Imperial Tobacco), seguido da Alemanha (26,3%), França (7,8%) e Holanda (4,1%).

Sinal da forma eficaz e sustentada como as autoridades espanholas têm vindo a fazer a promoção e angariação de IDE, a agência estatal que tem estas funções, designada por Invest in Spain, foi recentemente galardoada com o prémio “The Best Foreign Investment in Europe. Real Estate-Green Tech”, na “7th World Investment Conference” que teve lugar em La Baule, França.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Banca angolana instala-se em Portugal

Depois do BAI - Banco Africano de Investimentos e do BIC - Banco Internacional de Crédito, chega a agora a vez do BPA - Banco Privado do Atlântico também se instalar em Portugal. O BPA, tal como o BAI, é um banco participado pela Sonangol e pelo Grupo BCP/Millennium. O Presidente do Conselho de Administração do BPA é Carlos Silva, ex-administrador do Banco Espírito Santo Angola, e conta também com Isménio Macedo, antigo Director-Geral da Sucursal do BCP/Millennium em Angola, como administrador. Por sua vez, António Monteiro, ex-Embaixador de Portugal em Paris e ex-Ministro dos Negócios Estrangeiros será um dos rostos do BPA em Portugal. Estas são entidades que pretendem ter um papel preponderante no apoio, captação e intermediação dos inúmeros e cada vez mais relevantes negócios que se fazem entre empresas portuguesas e angolanas, concorrendo directamente com os bancos portugueses instalados em Angola.

O bom exemplo de Cabo Verde


Em África, Cabo Verde é um exemplo ímpar de transição democrática, de funcionamento das instituições, de liberdade de opinião, de desenvolvimento económico, de gestão da ajuda internacional, de aposta na sociedade do conhecimento. Agora, é também de assinalar o sucesso que este pequeno país - sem grande relevância no contexto politico-diplomático africano, mas com alguns quadros muito bem preparados - está a alcançar na abordagem das instituições internacionais. Esta estratégia acaba de atingir novos resultados com a selecção (entre 65 candidatos), e posterior nomeação, de Helena Semedo, ex-Secretária de Estado e ex-Ministra das Pescas de Cabo Verde (num governo do partido MPD), para directora-geral para África da FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação), em acumulação com o cargo de adjunta do Director-Geral da FAO.