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terça-feira, 7 de outubro de 2014

Será que as empresas da América Latina podem ter sucesso na China?

Já todos sabemos que a China (também) tem uma importância cada vez mais preponderante na América Latina. Mas o Banco Inter-Americano para o Desenvolvimento pretendeu também perceber o posicionamento das empresas da América Latina na China, tendo realizado para o efeito um estudo que designou por "LAC Investment in China: A New Chapter in Latin America and the Caribbean-China Relations". Deste trabalho resultaram as seguintes principais conclusões: " (1)  "While natural resources continue to make up the bulk of the region’s exports to China, a diverse group of LAC firms selling products from pastry rolls and passenger jets to IT services have established a strong presence in the Chinese market—showing the answer to that question is a resounding “yes.”; (2) In contrast to LAC-China trade, manufacturing firms are the majority, making up 56 percent of the sample, and representing sectors such as industrial machinery, metals, and foods and beverages. The primary sector accounts for a mere 15 percent of the total; (3) Another important finding is that while the overall amount of LAC foreign direct investment (FDI) in China is small—official data puts the number at US$ 917 million between 2002 and 2012—firms do not need to engage in FDI per se to succeed in China. While FDI figures only reflect productive units set up in China, many LAC firms have reaped the benefits of direct presence in China via commercial affiliates, representative offices, and investments in distribution networks". Estas conclusões constitutem importantes contributos e reflexões para a definição das estratégias de internacionalização das empresas portuguesas para o mercado da China, sobretudo no que diz respeito aos modos de entrada.

terça-feira, 22 de abril de 2014

África em mudança

A última edição do Africa’s Pulse (veja aqui), newsletter bi-anual do Banco Mundial, destaca um conjunto de factos relacionados com a evolução económica e social recente do Continente Africano, nomeadamente (os sublinhados são meus):
 
- “O crescimento económico na África Subsariana (ASS) continua a expandir-se, com os 4,7 por cento de 2013 a subirem para uma previsão de 5,2 por cento em 2014. Este desempenho está a ser incentivado por uma subida do investimento em recursos naturais e infraestruturas, e um robusto consumo das famílias”.
 
- “Os fluxos de capital para a África Subsariana continuaram a crescer, atingindo uma percentagem calculada em 5,3 por cento do PIB regional em 2013, consideravelmente acima da média de 3,9 por cento dos países em desenvolvimento. Os fluxos entrados na região em investimento líquido direto estrangeiro (IDE) cresceram 16 por cento, atingindo um quase-record de USD43 mil milhões em 2013, graças ao impulso de novas descobertas de petróleo e gás em muitos países, incluindo Angola, Moçambique e Tanzânia”.
 
- “A globalização de serviços é potencialmente uma fonte importante de crescimento para países em desenvolvimento. A tecnologia e a terceirização estão a permitir que serviços tradicionais ultrapassem velhos constrangimentos, como a distância física e geográfica. Os serviços modernos, como o desenvolvimento de software, centrais de atendimento e processos administrativos deslocalizados, pode ser negociados tal como produtos manufaturados de valor acrescentado, permitindo aos países em desenvolvimento concentrar o seu enfoque nesses serviços, na inovação e tecnologia, usando os serviços como importante alavanca de crescimento”.
 
- Embora as exportações da África Subsariana continuem concentradas em alguns poucos produtos estratégicos, os países da região fizeram substanciais progressos na diversificação dos seus parceiros comerciais”, refere Francisco Ferreira, Economista Chefe do Banco Mundial para a Região África. “Ao longo da última década, as exportações para mercados emergentes, como os BRIC – Brasil, Rússia, Índia e China – cresceram de forma robusta, devido principalmente à prolongada fase de procura de matérias-primas. Os BRIC receberam apenas 9 por cento das exportações da África Subsariana em 2000, mas, uma década depois, representavam 34 por cento do total das exportações (…) O Dr. Ferreira explica que o total de exportações para os BRIC ultrapassou as exportações da região para o mercado da União Europeia (UE) em 2010 e continua a crescer. Em 2012 as exportações da região para os BRIC atingiram USD 145 mil milhões. Só a China, representava cerca de um quarto (23,3 por cento) do total de exportações de mercadorias. Como é evidente, esta mudança de parceiros comerciais aponta também a vulnerabilidade da região a qualquer abrandamento nos BRIC, em particular na China ”.
 
A referida publicação acrescenta ainda que os principais riscos ao crescimento e ao desenvolvimento desta região estão fundamentalmente relacionados com a instabilidade política, as alterações dos preços das matérias-primas e a volatilidade local dos preços dos alimentos. Mas são os desafios suscitados pela rápida mudança e transformação económica e social do Continente Africano e os substanciais progressos que os países africanos estão a realizar na diversificação dos seus parceiros comerciais que nesta altura devem merecer a necessária atenção por parte dos actores nacionais envolvidos na realização de negócios e na implementação de actividades de cooperação para o desenvolvimento com esta região.

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Why British (and Portuguese) businesses should consider exporting to Poland?

O "The Guardian", um dos mais importantes e influentes jornais britânicos, publicou há dias um artigo chamando a atenção para a relevância dos mercados da Europa Central e Oriental, e particularmente do mercado da Polónia, como destinos preferenciais para operações de investimento e de exportação das pequenas e médias empresas do Reino Unido. As razões para esta recomendação estão relacionadas, fundamentalmente, com o facto da Polónia constituir um fast-developing country benefiting from post-communist economic liberalisation, with a growing appetite for western products" e estar classificado  "among the top 20 most attractive markets globally for retail brands. The fast developing tastes and stable economy mean that if retail is your business, Poland is a great country to target. With internet penetration of 65% in Poland, there are more than 24 million internet users in Poland. That potential can be accessed by simply translating and localising your website for the Polish market”. Veja o artigo aqui.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Fundos soberanos do Médio Oriente escapam à crise internacional

A crise internacional de 2008/2009 parece não ter afectado a capacidade financeira dos fundos soberanos do Médio Oriente que viram, desde 2007, os seus activos crescerem cerca de 60% e atingirem actualmente um valor de 1.600 mil milhões de USD. Entre os fundos soberanos mais robustos contam-se os da Arábia Saudita (680 mil milhões de USD), Abu Dhabi (425 milhões de USD), Koweit (400 mil milhões de USD), Qatar (175 mil milhões de USD), Oman (16 mil milhões de USD) e Bahrein (11 mil milhões de USD). Estas são entidades com uma intervenção geográfica global e que procuram oportunidades de investimento em múltiplos sectores e empresas. Por isso, deveriam fazer parte do "road map" de instituições internacionais a serem abordadas e visitadas regularmente pelos decisores económicos portugueses, sobretudo os que estão ligados às médias e grandes empresas nacionais mais internacionalizadas.

sábado, 11 de janeiro de 2014

Nova pauta aduaneira angolana

Uma nova pauta aduaneira está, desde o início do ano, em vigor em Angola. Esta nova pauta aduaneira veio introduzir algumas significativas alterações no regime de importação angolano com o aumento das taxas e dos direitos aduaneiros sobre um conjunto de produtos importados do exterior e que na maior parte dos casos já são produzidos nesse país. Com esta medida, as autoridades angolanas pretendem, fundamentalmente, proteger e promover o desenvolvimento da sua indústria, através da substituição das importações pela produção local. É uma decisão que vai ter consequências importantes na estruturação do tecido empresarial angolano, mas também ao nível do comércio externo deste país, quer no que se refere à tipologia dos produtos importados, e respectivos países fornecedores, quer no que diz respeito aos produtos que a médio-longo prazo passarão a ser exportados pelas empresas angolanas. Ou seja, esta nova pauta aduaneira vai ter implicações directas no perfil das exportações portuguesas para Angola e até nas estratégias de internacionalização de algumas empresas nacionais que desenvolvem negócios nesse país.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Espanha e o impasse nas obras de alargamento do Canal do Panamá


A suspensão das obras de alargamento do Canal do Panamá que estão a ser realizadas por um consórcio de empresas liderado pela construtora espanhola Sacyr, e que integra a empresa italiana Impregilio, a belga Jan de Nul e a panamiana Cusa, está a causar profundas preocupações nos governos panamianos e espanhol. Em causa está o facto da Autoridade do Canal do Panamá não reconhecer trabalhos extra no valor de 1.600 milhões de USD que na opinião do consórcio construtor de devem à existência de falhas geológicas não previstas no caderno de encargos desta obra. Com efeito, este é um dos maiores e mais relevantes contratos de engenharia internacionais, com um valor de 5 250 milhões de USD, e tem uma importância estratégica para as empresas envolvidas, mas também para a sustentabilidade da presença espanhola no Panamá e para própria imagem global da "Marca Espanha". Para a Sacyr, o Panamá representa 25% da sua facturação e para a FCC, outra empresa espanhola envolvida na construção do Metro da Cidade do Panamá, este país constitui o seu 2º mercado internacional detendo uma carteira de projectos de 2.500 milhões de USD e cerca de 2 400 empregados no país. Para além destas duas empresas, estão também presentes no Panamá cerca de 300 firmas espanholas de vários sectores de actividade (o stock de investimento directo estrangeiro espanhol no país é de 3.000 milhões de USD e permitiu a criação de 15 000 empregos) que podem ver os seus negócios afectados se não for encontrada uma rápida resolução para este diferendo. Para já, o governo espanhol encarregou a Ministra do Fomento, Ana Pastor, de assegurar a liderança de uma equipa de mediação com o objectivo de tentar chegar a um acordo em relação a este assunto, facto que vem colocar, uma vez mais, em evidência o papel que o Estado pode desempenhar no apoio à internacionalização das empresas que actuam nos chamados "mercados públicos", e particularmente em economias emergentes. A prazo, veremos também se o eventual atraso na concretização deste projecto não terá consequências em outras geografias, e nomeadamente em Portugal.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Marcas globais e multinacionais de economias emergentes: "Never give up, no matter what"




Via The Economist: "Fortune magazine’s 2012 list of the largest 500 companies by sales revenue included 73 Chinese firms, more than from any other country except the United States, with 132. Yet Interbrand’s 2012 list of the 100 “best global brands” included not one Chinese firm".  Este é um facto relevante, mas que com certeza  irá mudar rapidamente, pois de acordo com a mesma revista  "developing-country firms are swiftly learning the art of branding. A few emerging-market brands have already gone global: it is hard to watch a football match in Europe without having “Emirates” burned onto your retina. More are on the way: Haier of China (white goods), Concha y Toro of Chile (wine), and Natura of Brazil (beauty products). Westerners feeling besieged by the rise of the developing world comfort themselves with the thought that they still hold the high ground of premium-priced branded goods. But they should be in no doubt that emerging-market contenders are mounting their warhorses and readying their battering-rams". A seguir, pois as estas novas multinacionais "Never give up, no matter what"!

sábado, 22 de junho de 2013

"Classe média" em África: a relevância e a necessidade de contextualização




Fonte: HBR Blog Network
 
Via HBR Blog Network um interessante "post" de Bright B. Simons que pode ver aqui sobre a existência ou não de classe média em África e sobre qual a dimensão e características  dessa mesma classe média (outros, como David Cowan, economista no Citigroup Africa, consideram que não existe classe média em África, mas antes "only two super-classes: the über-rich, and a large sprawl of poor people who nevertheless are inclined towards consumption"). São interrogações que têm suscitado diversos estudos, sobretudo de natureza quantitativa, por parte de algumas empresas e organizações internacionais devido, fundamentalmente,  ao potencial de negócio actualmente existente no Continente, em termos globais, ou em em alguns determinados países africanos. Mas Bright B. Simons no referido "post" chama a atenção para o seguinte:  "The qualitative character of the middle class in your targeted African country has implications for your human resource strategy, public relations, government relations, corporate responsibility and citizenship, reliance on local financial instruments, operational effectiveness, and the overall sustainability of your market position. (...)  For the prospective investor in Africa, then, it is obvious that qualitative factors should matter more than quantitative factoids in shaping your strategy."

quinta-feira, 6 de junho de 2013

“Marca España”, ¿para españoles?


                                                                Foto: La Vanguardia

Via blogue “Diario de Bruselas” de Beatriz Navarro, correspondente junto da União Europeia do diário espanhol “La Vanguardia”, uma interessante análise e avaliação de uma acção de promoção da “Marca Espanha”, realizada recentemente no Parlamento Europeu, em Bruxelas, e que pode ver aqui. Entre as várias reflexões que são realizadas no referido post é efectuada uma referência ao “… mala costumbre española de hacer promoción exterior para el público interior no ha cambiado nada a pesar de la crisis”, por sinal, bastante oportuna no âmbito da problemática da promoção da imagem externa de um país.

terça-feira, 16 de abril de 2013

Top Five Reasons Why Africa Should Be a Priority for the United States/Brookings Institution

 

Um grupo de investigadores da Brookings Institution (EUA) acaba de publicar mais um interessante relatório com o titulo "Top Five Reasons Why Africa Should Be a Priority for the United States"(que pode ver aqui). Trata-se de uma reflexão sobre o actual potencial do Continente Africano e as estratégias que devem ser prosseguidas pelos EUA e que me leva também a colocar a seguinte questão: Que tipo de prioridade e de relevância deve ter actualmente África para Portugal ?

domingo, 17 de março de 2013

Banca em África: os níveis de bancarização em Angola e em Moçambique

 
Fonte: The Economist
 
Se ainda restavam algumas dúvidas sobre o papel estruturante da banca portuguesa ao nível dos sistema bancário dos PALOP - Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa, e particularmente em Angola e em Moçambique, um artigo recente da revista The Economist, que pode ver aqui, revela que Moçambique e Angola são dos países da África Subsaariana com taxas mais elevadas de bancarização (neste caso, o indicador é a % da população com mais de 15 anos e com uma conta bancária numa instituição financeira). Com efeito, os bancos portugueses, em alguns casos com parceiros locais, foram as primeiras instituições bancárias estrangeiras a instalarem-se em Angola e em Moçambique, a partir do inicio da década de 90 do século passado, e rapidamente expandiram a sua actividade contribuindo decisivamente para o processo de abertura e de expansão da economia destes países.
 

quarta-feira, 6 de março de 2013

"Internationalisation and innovation in MNEs from emerging economies" by Victor Zhang, CEO Huawei UK





Excelente intervenção de Victor Zhang, CEO no Reino Unido da tecnológica chinesa Huawei sobre o tema "Internationalisation and innovation in MNEs from emerging economies".

sábado, 16 de fevereiro de 2013

François Hollande na Índia

 
 
 
Foto: AFP / RAVEENDRAN
 
O Presidente francês François Hollande efectuou esta semana uma deslocação oficial à Índia. A primeira visita oficial bilateral que faz à Ásia e onde esteve acompanhado por 6 ministros - Negócios Estrangeiros, Defesa, Comércio Externo, Ensino Superior e Ciência, Tranportes e Cultura (os sublinhados são meus) - e por cerca de 60 empresas de grande, média e e pequena dimensão. Com esta visita a França pretende reforçar o seu relacionamento  bilateral, a todos os níveis, com este gigante asiático. Na área económica, e para além da promoção das exportações e do investimento francês na Índia (nesta altura existem cerca de 750 empresas indianas com capitais francesas que empregam 250 000 trabalhadores), deu-se também particular atenção à captação de investimento indiano e à necessidade de rápida conclusão do Acordo Comercial entre a Índia e a União Europeia, em negociação desde 2007 (sem dúvida, um importante desafio para João Gomes Cravinho, actual Embaixador da União Europeia na Índia).  Uma última e pertinente observação deixada pelo CEO da SNCF (Caminhos de Ferro franceses), Guillaume Pepy, por ocasião desta visita e que com certeza é também válida para outras empresas europeias interessadas no mercado indiano "En Inde, tout passe par le politique, on ne fait rien sur une base purement business. Une telle visite peut donc avoir un effet facilitateur pour accélérer les choses dans un pays où tout prend beaucoup de temps pour se faire". Face à complexidade desta visita e da abordagem deste mercado, Laurent, Goulvestre não hesitou em publicar no jornal francês "LesEchos" uma "carta aberta" a François Hollande, designada  "10 conseils à François Hollande pour réussir en Inde ...", em que depois das várias recomendações termina deste modo "Et enfin, les Indiens ne connaissent rien de notre savoir-faire et n’ont pas d’a priori. Il est cependant très difficile de les séduire par notre technologie car ils pensent déjà être en avance sur de nombreux points. Ce n’est qu’avec des démonstrations percutantes ou encore avec une technologie très avancée qu’ils seront à l’écoute".

 

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

"Chinese Outbound Investment in European Union", European Union Chamber of Commerce in China



A European Union Chamber of Commerce in China, em colaboração com as consultoras KPMG e Roland Berger, lançou um interessante estudo designado por "Chinese Outbound Investment in European Union" onde se analisa o investimento estrangeiro da China nos países da União Europeia. O estudo pode ser obtido aqui e tem o seguinte indíce:

1. Foreword
2. Executive summary
2.1 To European policy makers
2.2 To Chinese policy makers
2.3 Further recommendations
2.4 Key survey findings

3. Background information: Chinese ODI in context
3.1 China FDI vs. ODI
3.2 Destination of Chinese ODI globally and to the EU
3.3 EU member states as recipients of Chinese ODI
3.4 Sectors invested in by Chinese enterprises in the EU
3.5 Size and type of Chinese ODI
3.6 SOEs and POEs as outbound investors
3.7 Key conclusions 
3.8 A note on the measurement of Chinese ODI

4. Study background
4.1 Survey
4.2 Interviews
4.3 Respondents’ profile summary

5. Findings
5.1 Strategy
5.1.1 Why look outside of China?
5.1.2 Motivations for investing
5.1.3 Destination and rationale
5.1.4 Perceptions of the EU investment environment
5.1.5 Key conclusions
5.2 EU FDI policy and approval processes
5.2.1 Regulatory obstacles
5.2.2 Key conclusions
5.3 EU operating and non-regulatory environment
5.3.1 Operating difficulties in the EU
5.3.2 Business-framework related difficulties
5.3.3 Operating, market and infrastructure difficulties
5.3.4 Key conclusions



quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

O Conselho da Diáspora Portuguesa e a Rede de Conselheiros para a Internacionalização da Economia Portuguesa


Por diversas vezes neste blogue (ver Etiquetas, separador "Diásporas"), tive a oportunidade de chamar a atenção para a necessidade das autoridades portuguesas definirem uma estratégia de envolvimento activo da diáspora portuguesa no âmbito da política externa nacional, sobretudo na sua vertente económica e comercial. Por isso,  saúdo e registo com especial satisfação o anúncio da criação do Conselho da Diáspora Portuguesa. Trata-se de uma excelente iniciativa que pretende envolver os mais destacados elementos da diáspora portuguesa  numa estratégia de aumento da visibilidade e credibilidade da imagem de Portugal no exterior e de reforço da capacidade de "lobby" portuguesa nos diversos países de acolhimento da nossa emigração. Recordo,  no entanto, que a 21 de Julho de 1999,  o ICEP (actual AICEP) e a Confederação Mundial dos Empresários das Comunidades Portuguesas (actual, Confederação Internacional dos Empresários Portugueses), constituiram a chamada Rede de Conselheiros para a Internacionalização da Economia Portuguesa (RCIEP) que já incorporava alguns dos objectivos hoje anunciados para o Conselho da Diáspora Portuguesa. No âmbito desta estrutura, foram nomeados por sucessivos governos, como Conselheiros para a Internacionalização da Economia Portuguesa, alguns dos  mais destacados gestores e empresários da diáspora portuguesa que, de um modo geral, se envolveram de uma forma bastante determinada e profissional nesse projecto (tive a oportunidade de acompanhar de perto o trabalho de excelência desenvolvido pelo grupo de Conselheiros no mercado da Polónia). Por isso,  espero que este antigo "network"  venha a ser envolvido na iniciativa agora anunciada que julgo que deverá ter, claramente, uma maior abrangência,  e que seja também aproveitada toda a experiência adquirida no projecto RCIEP que teve "momentos altos" mas que, por vicissitudes várias, acabou por perder dinamismo e vitalidade.


P.S. - Sobre este assunto veja também o post "Portugal, um país sem mulheres ilustres" no blogue Vistas Largas.
 

A Amazon.com vai passar a vender vinho "on line" nos EUA

 
A Amazon.com, o  maior site mundial de vendas "on line"  anunciou a criação de uma "on line store" para o sector dos vinhos que vai estar disponivel, numa primeira fase, para 12 Estados dos EUA. Não é a primeira vez que a Amazon tenta desenvolver esta área de negócio. Já em 2000, havia avançado com um projecto nesta área - Wineshopper.com - que viria a falhar. Se esta nova iniciativa da Amazon.com vier a ter o sucesso que a empresa espera ter e que passará pelo alargamento da cobertura geográfica da referida "on line store" para outras partes do mundo, irá revolucionar o mercado mundial dos vinhos, sobretudo ao nível da estruturação e desenvolvimento dos diversos canais de distribuição deste produto. Um tema que merece ser acompanhado com atenção pelas empresas portuguesas exportadoras de vinhos! 

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Argélia: mercado de elevado potencial na outra margem do Mediterrâneo



O Presidente francês, François Hollande iniciou ontem uma visita oficial à Argélia. É um momento muito significativo para a politica externa francesa, tendo em atenção as fortes interdependências existentes entre os dois países e as cicatrizes ainda existentes da luta de libertação da Argélia que opôs a França e os movimentos independentistas argelinos. François Hollande está acompanhado por 9 ministros, cerca de 30 grandes empresários, 90 jornalistas e também de uma comitiva bastante representativa de entidades ligadas ao sector da cultura e das artes (significativo também este último dado...a politica externa não se deve limitar ou até ficar refém dos sucessos ou insucessos da diplomacia económica).
No âmbito desta visita, a Renault anunciou que vai abrir uma unidade de montagem de automóveis na Argélia que irá produzir, já a partir de 2014, cerca de 25 000 automóveis/ano da marca Renault Symbol, uma viatura derivada da do Renault Logan. Do lado argelino, Issad Rebrab , líder do Grupo Cevital, o primeiro grupo privado do país com negócios no sector agro-alimentar, distribuição e material eléctrico e electrónico e uma facturação anual de 3 mil milhões de euros, refere que tem a firme intenção de realizar grandes investimentos em França, alguns deles em parceria com entidades do Qatar, pois  "L’Algérie n’a pas de problème d’argent. L’Etat et les entreprises sont mêmes en situation de surliquidités. Mais il nous manque la technologie et le savoir faire technique. Je souhaite racheter des entreprises françaises, qui ensuite transfèreront leur savoir-faire en Algérie. Pour autant, elles ne délocaliseront pas leur production, qui restera en France. En revanche, si elles sont en sureffectifs, elles pourront transférer une partie de leur personnel dans nos sociétés en Algérie" (estes objectivos não encaixam perfeitamente nos planos de expansão internacional de algumas empresas portuguesas?).
Em face deste quadro de referência, da existência de um grande e ambicioso plano de investimentos públicos que está a ser implementado neste país do Norte de África - "Tout le pays est en construction (...) Car Abdelaziz Bouteflika, le président algérien, a lancé un programme titanesque de grands travaux: 2,1 millions de logements, 4 500 kilomètres de routes, 2 200 kilomètres de voies ferrées, 17 barrages, 1.100 établissements scolaires, 300 hôpitaux...Soit 286 milliards de dollars dépensés entre 2010 et 2013...." -, e apesar de alguns condicionalismos existentes ao nível do ambiente de negócios local, não estará na altura dos agentes económicos portugueses voltarem a acompanhar com mais atenção o mercado argelino, a exemplo do que se verificou no passado recente?



P.S. - Sobre este assunto veja também este excelente artigo de Alexandre Kateb publicado no dia 18.12.12, no jornal francês "La Tribune", com o titulo "Pourquoi l' Algérie n' est pas encore une puissance émergente".


 

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

ICEX (Espanha) – Ferramentas de apoio ao investimento directo no estrangeiro


Com o objectivo de apoiar as empresas espanholas interessadas em realizar operações de investimento directo no estrangeiro (IDE), o ICEX, organismo espanhol congénere da AICEP,  sistematizou recentemente no seu portal institucional um conjunto de informações bastante relevantes sobre o referido tema, a saber:

- Um directório das empresas espanholas com investimentos no estrangeiro.
- Um guia das principais agências internacionais envolvidas na captação e promoção do investimento estrangeiro, com informações sobre sistemas de apoios e incentivos ao IDE.
- Um simulador dos custos de instalação de empresas em mercados internacionais com dados bastante detalhados sobre todos os encargos relacionados com esse tipo  de operações.

Trata-se, efectivamente, de um conjunto de ferramentas bastante úteis para suporte e apoio à decisão das empresas espanholas interessadas em promover a sua internacionalização via investimento directo estrangeiro.

sábado, 3 de novembro de 2012

Os escritórios de advogados portugueses e a internacionalização empresarial


Os escritórios de advogados portugueses têm hoje um papel muito activo na promoção da internacionalização das empresas nacionais. Actualmente, os escritórios de advogados portugueses dinamizam, com bastante regularidade, acções na área da promoção da internacionalização que vão desde seminários e workshops de divulgação de mercados internacionais, elaboração de guias de negócios e outros materiais informativos, captação e assessoria a investidores estrangeiros, até ao apoio e co-organização de missões empresariais. Os escritórios de advogados portugueses constituem hoje, aquilo a que em marketing internacional, se costuma designar por "external internacionalization triggers", isto é agentes ou factores externos à empresa que estimulam o inicio do processo de internacionalização empresarial. A jusante de todo este processo estes mesmos escritórios acompanharam a internacionalização de muitos dos seus clientes e estaleceram parcerias e/ou criaram sucursais em diferentes mercados, sobretudo naqueles que têm constituído os principais destinos do investimento directo português no estrangeiro (Brasil, Espanha, Palop, Norte de África, China e Macau e Países da Europa Central e Oriental). Este fenómeno passa-se também em outros países, como por exemplo em França.
 
Mas este inteligente posicionamento dos escritórios de advogados vem colocar também novos desafios aos actores tradicionais do sistema português de apoio á internacionalização empresarial. Refiro-me às associações empresariais (regionais, sectoriais, multisectoriais), câmaras de comércio bilaterais, instituições bancárias e seguradoras, empresas de consultadoria e entidades públicas envolvidas na promoção económica externa do país. Também nesta área a crise por que passa actualmente a economia portuguesa irá potenciar a clarificação do papel destes diferentes actores, saindo "vencedores" os que conseguirem antecipar tendências e se posicionarem correctamente neste sistema, o mesmo é dizer os que conseguirem reflectir e actuar estratégicamente numa área cada vez globalizada e mais exigente em termos de recursos e de conhecimentos.