Mostrar mensagens com a etiqueta Internacionalização. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Internacionalização. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

A selecção e a entrada de PME's em mercados internacionais em 2012


Neste final de ano de 2011, caracterizado por uma forte crise económica e financeira e por grandes incertezas sobre o desempenho da economia portuguesa em 2012, a aposta na internacionalização está no topo da agenda de um grande número de empresas, sobretudo das pequenas e médias empresas nacionais. Neste sentido, abaixo apresento um conjunto de sugestões que me pareceram muito bem conseguidas sobre como seleccionar e como entrar em mercados internacionais, apresentadas por Clive Drinkwater, quadro da UK Trade & Investment, agência de promoção das exportações e do investimento do Reino Unido:

"Market Potential
  • Size of the market, in both volume and value
  • Market growth – getting in nearly when growth is about to happen will help enormously
  • Barriers to Entry
  • Competition – what are your competitors doing? What substitute products/ services are available?
  • Price levels, standards and quality expectations
  • Demographics in market

Geography
  • Are any trading blocs applicable?
  • Will distance affect shipping costs?
  • Will you have to resort to airfreight rather than seafreight to ensure speedy delivery
  • To provide quality service, will you have to consider stocking in market? Consignment stock and issues around bonded warehouses may need to be addressed.

Legal/Regulatory Factors
  • Are there import controls in the market?
    What is the position on import tariffs? How high are they and can you build them into your pricing structure?
  • What legal systems apply? In the UK we use a common law system and this is common in many other Commonwealth countries but also in USA. A code law system is more commonly used by European countries.
  • Is there a separately defined commercial law or code? 
  • How do IPR laws get interpreted in the market?

Political Matters
  • How politically stable is the market?
  • Is there any likelihood of state intervention and what could you do to minimise the possible adverse effects?
  • How is economic growth in market?
  • What is the environment like on trade restrictions?

Cultural and Language Issues
  • Is English widely spoken or understood?
  • Do you have language skills that you can utilise?
  • Are there any shared cultural backgrounds?
  • Have you fully understood the demand factors in market?"

E se pretender aprofundar um pouco mais algumas destas sugestões, veja também o artigo  "5 Keys to Growing Your Export Sales, de Jill Jusko, publicado na revista "IndustryWeek". 

Em síntese, o grande desafio que se coloca às empresas apostadas na internacionalização passa fundamentalmente pela correcta selecção dos mercados e pela escolha da forma mais eficaz de entrada nesses países, tendo sempre presente a necessidade de redução dos riscos, o aumento das oportunidades de negócios e a sustentabilidade da presença da empresa nesses mercados.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Os BRIC têm posição preponderante entre os países em desenvolvimento na captação de investimentos

Net Equity Inflows (in billion USD)

 Fonte: World Bank

De acordo com o World Bank, desde 2005, o Brasil, Rússia, Índia e China (BRIC) receberam mais de metade dos investimentos líquidos em capital efectuados nos países em desenvolvimento. De um total de 1, 130 mil milhões de USD de investimentos realizados nos referidos países cerca de 60% foram efectuados nos BRIC. Por sua vez, no âmbito dos BRIC, a China tem uma posição de grande preponderância tendo recebido, no período de 2005-2010, cerca de metade dos investimentos líquidos canalizados para os BRIC (leia aqui todo o artigo da autoria de Malvina Pollock e Ibrahim Levent). Em função de mais este indicador conclui-se que os BRIC são hoje uma realidade politica e económica incontornável. Ás empresas esta realidade vem também colocar grandes desafios, ou seja, qualquer empresa que pretenda ser sustentável no curto-médio prazo, e independentemente da sua dimensão, sector ou localização, deverá ter uma estratégia de abordagem para os BRIC, seja do ponto de vista da exportação/investimento, seja do ponto de vista da importação.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

A desistência da venda do BCP na Polónia e as relações económicas Polónia-Angola


Foto: Pedro Elias/Negócios

Quando no Verão se anunciou a intenção de venda da operação do BCP/Millennium na Polónia tive oportunidade de referir aqui as consequências negativas desta decisão para um conjunto de “stakeholders”, e nomeadamente para as empresas portuguesas envolvidas ou potencialmente interessadas no processo de internacionalização para o mercado polaco e outros mercados da Europa Central e Oriental. Daí que a notícia da desistência, por ora, da venda do Millennium Bank é uma boa noticia! Agora, é tempo do BCP/Millennium recuperar o tempo perdido, pois com certeza muitas decisões estratégicas do banco ficaram nestes últimos meses a aguardar o desfecho deste processo de venda, e de  reforçar a aposta na divulgação das oportunidades de negócios existentes na Polónia, para os seus clientes portugueses, e em Portugal, para os seus clientes polacos, contribuindo assim para o crescimento e sustentabilidade das relações económicas entre os dois países. Por outro lado, e tendo em atenção o actual estádio de expansão da economia e das empresas polacas e a importância das operações do BCP/Millennium em Angola, a par das características da sua actual estrutura accionista dominada por interesses angolanos, o Millennium Bank pode também vir a constituir um instrumento relevante no desenvolvimento das relações económicas entre Angola e a Polónia. As relações entre estes dois países são bastante estreitas - desde os primeiros anos da independência de Angola que os dois países estão representados ao nível de Embaixador - havendo por isso um vasto campo de oportunidades a explorar nas áreas da promoção das exportações e do investimento.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Investir na Guiné-Bissau


Depois de um longo período de instabilidade politica e militar, a bonança parece estar a chegar à Guiné-Bissau. Pelo menos, o Banco Mundial revela algum optimismo em relação às melhorias observadas no ambiente local de negócios e nas condições existentes para a criação e desenvolvimento da actividade empresarial. Para além da relativa estabilidade governativa que o país atravessa e do interesse das autoridades em promoverem o desenvolvimento do sector privado guineense, parte da referida mudança está também relacionada com a actividade realizada pelo CFE – Centro de Formalização de Empresas, entidade que funciona como uma “one stop-shop” para o registo de empresas e que foi criada com o apoio, e beneficia da assistência técnica, do Banco Mundial, IFC, PNUD e Banco Africano de Desenvolvimento. No último relatório “Doing Business´ 2012”, elaborado pelo  Banco Mundial, a Guiné-Bissau foi considerada “among the 10 most improved economies in África this year”, tendo passado da posição 181 para a posição 176 no referido ranking. Para além disso, o “Doing Business’2012” destaca também as reformas efectuadas ao nivel da legislação económica e comercial e a redução do número de procedimentos (de 17 para 9 procedimentos) e de dias para a criação de uma empresa (de 216 para 9 dias) neste país africano. São progressos significativos e imprescindíveis para o desenvolvimento do sector privado da Guiné-Bissau que não estarão a passar despercebidos em Portugal e que poderão (re) estimular o interesse das empresas nacionais por este país, como, aliás, se constata com a partida para Bissau, no inicio desta semana, de uma missão empresarial organizada pela AIP– Associação Industrial Portuguesa.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

UNCTAD publica manuais na área da promoção económica externa



A UNCTAD - United Nations Conference on Trade and Investment, no âmbito do Investment Advisory Series, tem vindo a dar especial especial à publicação de diversos manuais na área da promoção do investimento directo estrangeiro e das exportações. Tratam-se de manuais que abordam de um forma bastante precisa e concreta áreas e dimensões-chave da promoção económica externa. A mais recente publicação do Investment Advisory Series da UNCTAD foi lançada há dias e designa-se "Investment Promotion Handbook for Diplomats". Veja abaixo os restantes manuais já publicados:

- No. 5. Promoting Investment in Tourism.
 68p. UNCTAD/DIAE/PCB/2009/16
http://www.unctad.org/en/docs//diaepcb200916_en.pdf.


- No. 4. Promoting Investment and Trade: Practices and Issues.
78 p. UNCTAD/DIAE/PCB/2009/9
http://www.unctad.org/en/docs/diaepcb20099_en.pdf.


- No. 3. Evaluating Investment Promotion Agencies.
85 p. UNCTAD/DIAE/PCB/2008/2
http://www.unctad.org/en/docs/diaepcb20082_en.pdf.


- No. 2. Investment Promotion Agencies as Policy Advocates.
112 p. UNCTAD/ITE/IPC/2007/6
http://www.unctad.org/en/docs/iteipc20076_en.pdf.


- No. 1. Aftercare: A Core Function in Investment Promotion.
 82p. UNCTAD/ITE/IPC/2007/1
http://www.unctad.org/en/docs/iteipc20071_en.pdf.




sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

O empreendedorismo da Diáspora polaca na Alemanha


 

De acordo com dados da Embaixada da Polónia em Berlim, existem cerca de 100 000 empresas alemãs com capitais polacos, das quais cerca de 95% são empresas em nome individual. De acordo com a mesma fonte, este número de empresas é cerca de 3 vezes superior ao número de firmas constituídas por emigrantes turcos residentes na Alemanha. É um sinal claro do empreendedorismo da Diáspora polaca na Alemanha. Uma Diáspora que cresceu, sobretudo, depois da adesão da Polónia à União Europeia, em Maio de 2004, e que pode agora constituir uma excelente plataforma para a importação e comercialização de produtos polacos na Alemanha, sobretudo ao nível do chamado "mercado étnico", a exemplo do que está a acontecer também com outras comunidades emigrantes polacas "mais recentes" e residentes em países do Norte da Europa (Inglaterra, Irlanda e Escandinávia).

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

As Diásporas e a internacionalização da economia e das empresas



Foto: Getty Images via The Economist

A revista The Economist publicou na semana passada um excelente artigo sobre a importância actual das Diásporas, sobretudo ao nível da partilha e da divulgação de conhecimentos, da criação e alavancagem das oportunidades de negócios e até como facilitadoras dos processos de internacionalização empresarial. Este é um tema cada mais actual e relevante nos países com comunidades emigrantes. Pela sua numerosa e diversificada Diáspora, Portugal tem nesta área um vasto campo de oportunidades por explorar. Para isso, é necessário, sobretudo no actual momento que atravessamos, que este assunto ganhe maior prioridade politica e mediática e que seja feita uma avaliação e uma reflexão sobre o que tem sido, desde 1974, a politica portuguesa de relacionamento com as suas comunidades emigrantes. Depois, que as propostas de actuação sejam, de facto, implementadas e obedeçam a uma estratégia de intervenção com uma duração alargada e vantajosa para todas as partes envolvidas.
Ainda sobre este assunto veja aqui o "paper" de C. Fritz Foley e William R. Kerr  e designado "Ethnic Innovation and U.S. Multinational Firm Activity" sobre o papel das comunidades emigrantes radicadas nos EUA no processo de  internacionalização das multinacionais norte-americadas.

Armada espanhola desembarca na Ásia e na Oceânia


As empresas espanholas dos sectores da construção e serviços estão a comportar-se como autênticas “pontas de lança” do processo de diversificação de mercados e de internacionalização da economia de Espanha. Assim, depois de há algumas semanas um conjunto de empresas espanholas ter ganho  o concurso para a construção de um projecto ferroviário de alta velocidade entre Medina e Meca, na Arábia Saudita, agora algumas dessas mesmas empresas, em parceria com sócios indianos, encontram-se muito bem posicionadas no concurso para a execução de um novo projecto de alta velocidade que irá ligar as cidades de Nova Deli, Bombaim e Calcutá, numa extensão de 1800 km de via. Na mesma altura, a construtora OHL decidiu abrir uma filial em Brisbane, na Austrália com o objectivo de avaliar projectos na área da construção civil e da gestão de infra-estruturas na região da Ásia-Pacifico. Hoje, desembarcou em Jacarta, Indonésia, uma missão empresarial de 20 empresas espanholas com o objectivo de avaliarem as oportunidades de negócios existentes neste país. Em síntese, a crise económica em Espanha está a "estimular" um conjunto de médias e grandes empresas a estalecerem planos de internacionalização cada vez mais ambiciosos e para mercados cada vez mais distantes, quer em termos geográficos quer em termos de “distância psicológica” ("from local champions to global masters"?).

domingo, 20 de novembro de 2011

A internacionalização das empresas e das marcas angolanas: o caso do refrigerante da marca "Blue"


O "Blue" é uma marca de refrigerantes produzida pela empresa angolana de bebidas Refriango e que começou ser exportado, em finais de 2010, para Portugal. Talvez tenha sido a primeira marca angolana de produtos de grande consumo a ser exportada para a Europa, e nomeadamente para Portugal. Para este facto não será alheio a existência de capitais portuguesas na estrutura accionista da Refriango e a crescente importância da diáspora angolana residente em Portugal. Para além disso, os responsáveis de marketing desta empresa estão de parabéns, pois logo no ano de entrada em Portugal conseguem que a marca "Blue" esteja associada a um feito desportivo de grande relevância nacional. Com efeito, a equipa de voleibol da Associação de Jovens de Fonte Bastardo (na foto), da Ilha Terceira, Açores, patrocinada pela "Blue", sagrou-se, pela primeira vez, campeão nacional na época de 2010/2011.  Esta aposta acertada da Refriango na equipa de Fonte Bastardo revela também o profundo conhecimento existente em Angola da realidade desportiva portuguesa, mas também da realidade económica e empresarial nacional. Um facto às vezes esquecido nos vários discursos que normalmente se fazem sobre as caracteristicas do relacionamento entre os dois países, mais propícios a explorarem o "enorme capital de conhecimento existente em Portugal sobre Angola". Estou certo que depois da "Blue" outras marcas angolanas chegarão a Portugal, caso, por exemplo, de algumas marcas de cerveja e de café, sinal da crescente interdepêndencia entre as duas economias, numa altura em que assiste a algum nervosismo junto dos exportadores nacionais devido à perspectiva de aumento, já em 2012, das taxas e direitos aduaneiros sobre produtos importados por Angola.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Inditex/Zara abriu primeira loja na África do Sul


A Inditex/Zara continua a sua expansão internacional. Na passada Quarta-Feira, abriu a sua primeira loja Zara na África do Sul, nomeadamente no Sandton City Shopping Centre, um dos mais exclusivos centros comerciais de Joanesburgo. Na semana anterior, tinha sido Taipé, capital de Taiwan, a acolher a primeira loja Zara deste pais asiático.  O Peru, Geórgia e Azerbeijão vão ser os próximos mercados de entrada desta marca espanhola, sinal de que o crescimento do Grupo Inditex passa nesta altura, e fundamentalmente, pela entrada e aposta em mercados emergentes.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

A propósito da entrada do Grupo Jerónimo Martins na Colômbia



O Grupo Jerónimo Martins (JM) anunciou esta semana que a Colômbia vai ser o seu novo mercado de expansão internacional, depois de Portugal e da Polónia. Nos próximos 3 anos, o Grupo Jerónimo Martins estima investir cerca de 400 milhões de euros no mercado colombiano. É uma aposta forte de um grupo empresarial que é hoje uma referência mundial no sector da distribuição alimentar . Por sua vez, a Colômbia com 44 milhões de habitantes e uma taxa de crescimento bastante robusta,  é um dos mercados emergentes que oferece maiores potencialidades de negócios em vários sectores de actividade económica.
Esta é também uma noticia que poderá suscitar interesse a algumas empresas portuguesas que apostam nos mercados da América Latina, e nomeadamente na Colômbia, para a sua expansão internacional. A exemplo do que se verificou com a entrada e posterior expansão do Grupo Jerónimo Martins na Polónia, este novo investimento vai criar oportunidades de negócios que permitirão alavancar a penetração de empresas portuguesas e polacas (algumas delas já fornecedoras da JM)  no mercado colombiano, para além de que deverá obrigar a algumas alterações no dispositivo português de diplomacia comercial existente na América Latina.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

"Doing Business'2012" - World Bank



Já está disponivel a edição de 2012 do relatório "Doing Business", elaborado pelo World Bank. O relatório deste ano apresenta as seguintes principais conclusões:

- "Morocco improved its business regulation the most compared to other global economies, climbing 21 places to 94, by simplifying the construction permitting process, easing the administrative burden of tax compliance, and providing greater protections to minority shareholders. Since 2005, Morocco has implemented 15 business regulatory reforms;

- Besides Morocco, 11 other economies are recognized as having the most improved ease of doing business across several areas of regulation as measured by the report: Moldova, the former Yugoslav Republic of Macedonia, São Tomé and Príncipe, Latvia, Cape Verde, Sierra Leone, Burundi, the Solomon Islands, the Republic of Korea, Armenia, and Colombia;

- The Republic of Korea was a new entrant to the top 10;

- Governments in 125 economies out of 183 measured implemented a total of 245 business regulatory reforms—13 percent more reforms than in the previous year. In Sub-Saharan Africa, a record 36 out of 46 economies improved business regulations this year. Over the past six years, 163 economies have made their regulatory environment more business-friendly. China, India, and the Russian Federation are among the 30 economies that improved the most over time. Read about reforms;

- Singapore led on the overall ease of doing business, followed by Hong Kong SAR, China, New Zealand, the United States and Denmark."

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

It’s time for São Tomé!



Na sequência das últimas eleições presidenciais realizadas em São Tomé e Príncipe, a revista "The Economist" dedica um artigo a este arquipélago a que chama "Sao Tome and Principe: The Chocolate Islands". É um artigo que chama a atenção para as potencialidades económicas existentes em São Tomé e Príncipe, sobretudo nos sectores do turismo e da exploração petrolífera. Mais, a "The Economist" considera que "It´s time for São Tomé!". É uma posição que partilho. No entanto, adiantaria que para São Tomé e Príncipe entrar numa nova fase de desenvolvimento e económico e social é necessário  que haja, em primeiro lugar, estabilidade política, a par de um melhor  funcionamento das instituições (ou seja, "melhor governação").  Depois, o governo terá de tentar superar as dificuldades existentes ao nível das infra-estruturas do país e também as debilidades do sistema de educação/formação (a questão da malária, julgo que tenderá a resolver-se a curto-médio prazo)
Durante alguns anos, primeiro a partir de Lisboa, e mais tarde a partir de Luanda, e enquanto Conselheiro Comercial Não-Residente junto da Embaixada de Portugal em São Tomé, desloquei-me várias a São Tomé e Príncipe. Tive a oportunidade de acompanhar, com alguma atenção, a evolução da situação económica, contactar entidades e instituições locais e de  realizar diversas iniciativas que envolveram empresas e associações empresariais portuguesas e são-tomenses. Desta magnifica e útil experiência pude constatar, e divulgar, as oportunidades de negócios existentes neste país, fundamentalmente, nos sectores do turismo (eco-turismo, "bird watching") e da agricultura, sobretudo ao nível do cultivo de alguns produtos agrícolas de exportação (cacau, café, pimenta, flores, legumes, entre outros). Por isso, e agora também com as perspectivas das receitas resultantes da exploração petrolífera, julgo que este poderá ser um bom momento para algumas empresas portuguesas  avaliarem, ou reavaliarem, as oportunidades de negócios existentes neste país. Para este "pequeno" país de 160 mil habitantes, as exportações portuguesas atingiram, em 2010, cerca de 42,7 milhões de euros (56º cliente de Portugal) e os investimentos nacionais foram de 2,7 milhões de euros. Aos interessados na realização de investimentos em São Tomé e Príncipe, consultem aqui e aqui  o "Guia do Investidor para São Tomé e Príncipe", elaborado pelo Earth Institute e pelo The Vale Columbia Center on Sustainable International Investment, ambas as entidades ligadas à Columbia University (EUA).

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Barreiras na abordagem de mercados extra-comunitários: dados de um inquérito envolvendo empresas belgas



Num estudo realizado recentemente na Bélgica pela DHL e pela UNIZO (organização empresarial de profissionais liberais e pequenas e médias empresas) junto de 500 PME's com menos de 200 trabalhadores, constatou-se que cerca de 85% das empresas têm actividades de exportação ou de importação, direccionadas, fundamentalmente, para os seguintes mercados/regiões geográficas: França (74%), Alemanha (46%), Holanda (44%), África (10%), Ásia/Oceânia (10%), Médio Oriente (6%) e América do Norte (5%). A Bélgica, tal como a Holanda, são pequenos países com uma grande vocação exportadora e são hoje dois dos principais "traders" globais, No entanto, e numa altura em que lá, como cá, se aposta na abordagem de mercados extra-comunitários, caracterizados por  fortes índices de crescimento e grandes oportunidades de negócios, cerca de 35% das empresas belgas inquiridas encontram nesses países diversas barreiras, nomeadamente ao nível dos procedimentos alfandegários de importação/exportação, para além de outros obstáculos não formais. Por isso, é neste tipo de mercados que os dispositivos públicos de diplomacia comercial são, e tenderão a ser, mais procurados pelas empresas, sobretudo pelas PME's, e em que deverão estar devidamente ajustados aos fluxos e às características dessa procura empresarial.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

O Banco BIC (Angola) e a expansão internacional da banca angolana



Fernando Teles, Presidente do Banco BIC (Angola), accionista de referência desta instituição bancária e um notável gestor e empreendedor, concedeu uma interessante entrevista que pode ser lida no último número da revista "Exame Angola" onde são abordados com algum detalhe temas relacionados com o sector bancário em Angola, o futuro da economia angolana e também os projectos da instituição que dirige para os mercados português e angolano.
No entanto, chamou-me particular atenção os comentários de Fernando Teles sobre a estratégia de internacionalização do Banco BIC (Angola) que poderá passar, fundamentalmente, pela entrada e/ou reforço de operações em alguns mercados lusófonos (Portugal, Brasil e Cabo Verde) e também por alguns países da África Central e Austral (África do Sul, Congo, Rep. Democrática do Congo, Zimbabwe e Namíbia). De um modo geral, outros bancos angolanos têm estado também a seguir, ou têm intenções de seguir, esta estratégia de internacionalização centrada nos mercados de proximidade linguística e cultural da lusofonia (incluindo aqui também São Tomé e Príncipe e Guiné-Bissau) e nos mercados africanos de proximidade geográfica, com destaque para a África do Sul. No entanto, e enquanto observador da realidade económica e empresarial angolana, parece-me que existem dois outros países que, a curto prazo, poderão entrar na “short list” de mercados alvo para a internacionalização da banca angolana , a saber: (i) a China, pelo seu protagonismo económico internacional - “the indispensable economy", como a "The Economist" lhe chamou em 2010 - , pela aposta que está a fazer no Continente Africano e também pela dimensão da relação comercial e económica que tem com Angola; (ii) e Espanha, pelo forte interesse das empresas espanholas no mercado angolano, pela relativa proximidade cultural e linguística e pelo impulso que os sucessivos governos espanhóis têm dado às relações com África, e nomeadamente com Angola (por exemplo, a Iberia vai passar a ter muito brevemente ligações aéreas directas entre Madrid e Luanda). Com o estabelecimento de operações directas (por exemplo, através de sucursais ou filiais) nestes dois países, a banca angolana estaria em condições de acompanhar e alavancar a internacionalização dos grandes grupos económicos angolanos para os referidos mercados e de apoiar as empresas exportadores e investidores chineses e espanhóis na sua expansão para Angola.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Leituras: "Relatório Internacionalização e Desenvolvimento", coordenado por Jorge Braga de Macedo (Actualização)

Relatório do grupo de trabalho constituído por despacho do Primeiro-Ministro, e coordenado por Jorge Braga de Macedo, com o objectivo de "apresentar um novo modelo de organização e articulação dos serviços e organismos do Estado vocacionados para a promoção e a captação de investimento estrangeiro, para a internacionalização da economia portuguesa e a cooperação para o desenvolvimento" de modo a "consagrar uma plataforma comum que fortaleça a diplomacia económica e que assegure uma adequada articulação com outras plataformas representativas do sector privado".


P.S. - Veja aqui uma versão mais alargada do Relatório (87 páginas) disponibilizada no Portal do Governo.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Espanha: marroquinaria de luxo reforça competitividade face à concorrência asiática


De acordo com a imprensa espanhola, os produtores locais de produtos em marroquinaria estão bastante optimistas com as perspectivas de negócios existentes para este sector de actividade, devido sobretudo ao aumento da procura por parte de clientes estrangeiros (em 2010, as exportações espanholas cresceram 6% relação ao ano anterior). Com efeito, e sobretudo no sector da marroquinaria de luxo onde se produzem e comercializam pequenas séries, está a consolidar-se uma tendência que se tem vindo a observar em outros países da União Europeia e que passa pelo regresso da produção à Europa de produtos que até há bem pouco tempo estavam a ser produzidos em alguns mercados asiáticos, como a China e Índia. As dificuldades dos produtores asiáticos em garantirem preços competitivos para pequenas séries, a par de dificuldades na cadeia logistica com o cumprimento de prazos de entrega, certificação de qualidade e o crescimento da contrafacção destes mesmos produtos, abrem excelentes oportunidades de negócios neste nicho de mercado para as empresas europeias.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Português lidera ranking da edição polaca da revista Forbes



Como já aqui e aqui referimos, a Eurocash, empresa polaca com capitais portugueses, tem uma posição bastante relevante no contexto da economia deste país da Europa Central e Oriental. Mas, desta vez também é noticia o seu CEO e principal accionista, Luís Amaral (na foto). Com efeito, e de acordo com a edição polaca da revista Forbes, Luís Amaral ocupa, pela primeira vez,  o 1º lugar deste ranking, à frente de um conjunto de outros bem sucedidos empresários polacos. Daqui envio os votos de parabéns e de continuação de sucessos!

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Más noticias para a a economia portuguesa: Millennium/BCP coloca hipótese de venda da sua operação na Polónia


Num post colocado há dias, fiz uma referência aos principais bancos estrangeiros nos mercados da Europa Central e Oriental e à actividade dos bancos portugueses nesta região, nomeadamente ao banco detido pelo Millennium/BCP na Polónia (Bank Millennium).

A imprensa de hoje dá conta da provável venda desta operação. Estão a ser avançadas várias explicações para esta intenção que vão desde a situação financeira do Grupo Millennium/BCP, às recomendações/imposições da “troika” sobre a necessidade de alavancagem do sistema bancário português às novas prioridades de alguns dos accionistas de referência desta instituição, leia-se a petrolífera angolana Sonangol. De acordo com a mesma notícia, o Millennium/BCP vai agora passar a concentrar as suas atenções no mercado doméstico e também em Angola, Brasil, Moçambique e China.
Pela relevância deste anúncio não apenas para o Grupo Millennium/Bcp, mas também para a economia e para as empresas portuguesas, vale a pena contextualizar e destacar alguns factos sobre a actividade deste banco português na Polónia:

- é um “case study” internacional de um processo de reestruturação bancária bem sucedido pela capacidade que houve de transformar, aquando da sua aquisição, um banco praticamente falido (Big Bank Gdanski) e com uma intervenção muito concentrada no Norte da Polónia numa operação bancária de sucesso e com implantação em todo o território polaco.

- a entrada do Millennium/BCP no mercado polaco fez-se no “timing” certo (finais da década de 90) e soube aproveitar todas as oportunidades decorrentes das profundas mudanças económicas e politicas verificadas neste país, sobretudo no período pós-adesão à União Europeia. O mesmo sentido de oportunidade não se verificou em algumas outras operações no estrangeiro: na Turquia, esteve em contraciclo e vendeu a operação quando o país passou a ser considerado com um dos mercados emergentes de maior potencial e quando se verificou uma maior aposta neste país por parte da diplomacia económica e comercial portuguesa; na Roménia, a derrota no processo de privatização da Banca Comerciala Romana para o banco austríaco Erste Bank, obrigou o banco português a avançar com uma operação de raiz num contexto económico particularmente difícil; e em Angola onde operação do Millennium/BCP esteve durante vários anos circunscrita à sucursal de Luanda do Banco Português do Atlântico (a licença foi dada a este banco que viria mais tarde a ser comprado pelo BCP), o que permitiu a rápida expansão em todo o território angolano de outros bancos portugueses – nomeadamente do Grupo BPI, através do Banco de Fomento Angola, e até do Banco Totta e Açores (hoje participado pelo Santander e pela Caixa Geral de Depósitos), situação que está agora a tentar ser corrigido.

- é actualmente o 6º maior banco na Polónia, um dos mercados bancários europeus mais competitivos e onde têm a concorrência dos principais “players” internacionais nesta área (bancos alemães, italianos, austríacos, franceses, nórdicos e americanos).

- é uma referência de boas práticas e de inovação no mercado, sobretudo nas áreas comercial, marketing e tecnologias de informação, graças à elevada qualidade da equipa de gestão do banco que integra, entre outros, um conjunto de excelentes profissionais portugueses (a eventual venda desta operação vai também colocar desafios muito grandes ao Millennium/BCP ao nível das perspectivas de desenvolvimento de carreiras e da integração destes quadros internacionais nas estruturas do banco).

- é uma operação que se tem relevado de elevada rentabilidade e que apresenta um grande potencial de crescimento. Ainda há dias foram revelados os resultados do 1º semestre deste ano do Bank Millennium que atingiram 216,4 milhões de zlotys (54,7 milhões de euros) e que significaram um aumento de 57% em relação ao período homólogo do ano anterior. Por outro lado, as perspectivas de evolução do negócio são bastante animadoras devido à (ainda) reduzida taxa de bancarização polaca e ao potencial de uma economia em crescimento, com cerca de 40 milhões de consumidores e com localização geo-estratégica muito privilegiada.

- é também um “investimento bandeira” de Portugal nesta parte da Europa e que contribuiu bastante, a par de outros investimentos bem conhecidos, para o aumento da curiosidade dos polacos em relação a Portugal e até da notoriedade dos produtos e serviços portugueses neste país. Este investimento permitiu também que muitas empresas nacionais iniciassem o seu processo de internacionalização para a Polónia quer fornecendo serviços para o próprio banco, quer sensibilizando, mobilizando e acompanhando muitos empresários nacionais na abordagem e na realização de investimentos neste mercado.

- foi uma entidade que desde a primeira hora, a par do Grupo Jerónimo Martins, Mota-Engil, BES, Colep e AJR Development, contribuiu de uma forma decisiva para a criação da Câmara de Comércio Polónia-Portugal, sediada em Varsóvia, e que será, provavelmente, a mais dinâmica câmara de comércio bilateral de Portugal no estrangeiro.

Haverá com certeza bastantes justificações para a se colocar a hipótese de venda do Bank Millennium, a jóia da coroa do Millennium/BCP. Mas os motivos que acabei de enumerar são suficientes para eu considerar que se trata de uma “má noticia” para Portugal e para a economia portuguesa.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

European Enterprise Awards´2011 - Comissão Europeia


O Vice-Presidente da Comissão Europeia, Antonio Tajani, entregou há dias, em Budapeste, os galardões referentes aos "European Enterprise Awards´2011", inicitiva que teve este ano a sua 5ª edição e que tem sido promovida pela Direcção Geral da Empresa e da Industria da Comissão Europeia.

Este ano, os projectos premiados foram os seguintes:

Grand Jury’s Prize
«Barcelona Activa - With its mission to transform entrepreneurship and business growth in Barcelona, the entrepreneurship centre set up by the Barcelona City Council acts as a reference point and hub for entrepreneurs. Using an innovative model of online and on-site services it trains and coaches hundreds of thousands of potential entrepreneurs and has helped create more than 6,000 new companies, Spain ... (More Information).


Promoting the Entrepreneurial Spirit
Together we can do more! Beekeeping, Honey Production, Forest and Sustainable Development - Capitalising on the discovery of a unique bee race by training disadvantaged groups in beekeeping to improve the local economic and social situation, Düzce University, Turkey ... (More Information).


Investing in Skills
Centre for Amsterdam Schools for Entrepreneurship (CASE) - Multidisciplinary entrepreneurship education through real-life practice in all faculties and all levels of study for local university students, Amsterdam Centre for Entrepreneurship, the Netherlands .... (More Information).


Improving the Business Environment
E-factory - Stimulating rural entrepreneurship through e-trade and innovative micro-investment system, The Uppsala Regional Council, Sweden ... (More Information).


Supporting the Internationalisation of Business
Rethinking the Product - Internationalising local businesses by stimulating product experimentation to create prototypes which are presented at international events and fairs, Chamber of Commerce of Prato, Italy ...(More Information).


Responsible and Inclusive Entrepreneurship
The Hotel Panda - in Budapest uses a unique training and employment model to integrate disabled people into the business world, Hungary ... (More Information).


The Jury's special mention has been awarded to:
"Mentoring for Migrants", an initiative which supports qualified workers of ethnic background with their integration into the Austrian labour market... (More Information)».