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terça-feira, 16 de abril de 2013

Top Five Reasons Why Africa Should Be a Priority for the United States/Brookings Institution

 

Um grupo de investigadores da Brookings Institution (EUA) acaba de publicar mais um interessante relatório com o titulo "Top Five Reasons Why Africa Should Be a Priority for the United States"(que pode ver aqui). Trata-se de uma reflexão sobre o actual potencial do Continente Africano e as estratégias que devem ser prosseguidas pelos EUA e que me leva também a colocar a seguinte questão: Que tipo de prioridade e de relevância deve ter actualmente África para Portugal ?

quinta-feira, 4 de abril de 2013

UNCTAD e UNECA analisam relacionamento económico BRICS - ÁFRICA


Ainda a propósito da última Cimeira dos BRICS, que abordámos no "post" anterior, a UNCTAD – UN Conference on Trade and Investment e a UNECA – Economic Comission for Africa, publicaram dois excelentes trabalhos sobre as relações económicas e comerciais entre os BRICS e o Continente Africano. O documento da UNECA designa-se "Africa-BRICS Cooperation: Implications for Growth, Employment and Structural Transformation in Africa" e o da UNCTAD "The Rise of BRICS and Africa".

A Cimeira dos BRICS e a intenção de criação de um novo banco de desenvolvimento



Terminou há dias na cidade de Durban, na África do Sul, a  "5ª Cimeira dos BRICS" (Brasil, Rússia, India, China e África do Sul). Um comunicado final desta Cimeira pode ver aqui. No entanto, a medida mais emblemática desta iniciativa é a intenção manifestada por este grupo de países de criarem de uma instituição financeira para apoio ao desenvolvimento de projectos nos BRICS, sobretudo na área das infra-estruturas, e eventualmente também em outros mercados emergentes. Ou seja, uma entidade com características muito semelhantes a outras instituições multilaterais de financiamento, tais como o Banco Mundial, Banco Africano de Desenvolvimento ou Banco Asiático de Desenvolvimento. Para uns, esta intenção é bastante difícil de concretizar, face às  diferenças ainda existentes entre os BRICS em relação a este projecto e também ao actual contexto da economia internacional, para outros, esta intenção é exequível  a médio-longo prazo se houver o necessário apoio politico e diplomático. Certo, certo, é que a próxima Cimeira dos BRICS vai ter lugar no Brasil, em 2014, e até lá vamos assistir, seguramente, a um reforço das relações económicas e politicas deste grupo de países com os países da América Central e do Sul.

domingo, 17 de março de 2013

Banca em África: os níveis de bancarização em Angola e em Moçambique

 
Fonte: The Economist
 
Se ainda restavam algumas dúvidas sobre o papel estruturante da banca portuguesa ao nível dos sistema bancário dos PALOP - Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa, e particularmente em Angola e em Moçambique, um artigo recente da revista The Economist, que pode ver aqui, revela que Moçambique e Angola são dos países da África Subsaariana com taxas mais elevadas de bancarização (neste caso, o indicador é a % da população com mais de 15 anos e com uma conta bancária numa instituição financeira). Com efeito, os bancos portugueses, em alguns casos com parceiros locais, foram as primeiras instituições bancárias estrangeiras a instalarem-se em Angola e em Moçambique, a partir do inicio da década de 90 do século passado, e rapidamente expandiram a sua actividade contribuindo decisivamente para o processo de abertura e de expansão da economia destes países.
 

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Brookings Institution: "Foresight Africa: Top Priorities for the Continent in 2013"



Como tem sido tradição nos últimos anos, a Brookings Institution (EUA), através da Africa Growth Initiative, lançou há dias o seu relatório anual  onde são identificadas as principais tendências e prioridades para o Continente Africano em 2013. Leia aqui o referido relatório.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Argélia: mercado de elevado potencial na outra margem do Mediterrâneo



O Presidente francês, François Hollande iniciou ontem uma visita oficial à Argélia. É um momento muito significativo para a politica externa francesa, tendo em atenção as fortes interdependências existentes entre os dois países e as cicatrizes ainda existentes da luta de libertação da Argélia que opôs a França e os movimentos independentistas argelinos. François Hollande está acompanhado por 9 ministros, cerca de 30 grandes empresários, 90 jornalistas e também de uma comitiva bastante representativa de entidades ligadas ao sector da cultura e das artes (significativo também este último dado...a politica externa não se deve limitar ou até ficar refém dos sucessos ou insucessos da diplomacia económica).
No âmbito desta visita, a Renault anunciou que vai abrir uma unidade de montagem de automóveis na Argélia que irá produzir, já a partir de 2014, cerca de 25 000 automóveis/ano da marca Renault Symbol, uma viatura derivada da do Renault Logan. Do lado argelino, Issad Rebrab , líder do Grupo Cevital, o primeiro grupo privado do país com negócios no sector agro-alimentar, distribuição e material eléctrico e electrónico e uma facturação anual de 3 mil milhões de euros, refere que tem a firme intenção de realizar grandes investimentos em França, alguns deles em parceria com entidades do Qatar, pois  "L’Algérie n’a pas de problème d’argent. L’Etat et les entreprises sont mêmes en situation de surliquidités. Mais il nous manque la technologie et le savoir faire technique. Je souhaite racheter des entreprises françaises, qui ensuite transfèreront leur savoir-faire en Algérie. Pour autant, elles ne délocaliseront pas leur production, qui restera en France. En revanche, si elles sont en sureffectifs, elles pourront transférer une partie de leur personnel dans nos sociétés en Algérie" (estes objectivos não encaixam perfeitamente nos planos de expansão internacional de algumas empresas portuguesas?).
Em face deste quadro de referência, da existência de um grande e ambicioso plano de investimentos públicos que está a ser implementado neste país do Norte de África - "Tout le pays est en construction (...) Car Abdelaziz Bouteflika, le président algérien, a lancé un programme titanesque de grands travaux: 2,1 millions de logements, 4 500 kilomètres de routes, 2 200 kilomètres de voies ferrées, 17 barrages, 1.100 établissements scolaires, 300 hôpitaux...Soit 286 milliards de dollars dépensés entre 2010 et 2013...." -, e apesar de alguns condicionalismos existentes ao nível do ambiente de negócios local, não estará na altura dos agentes económicos portugueses voltarem a acompanhar com mais atenção o mercado argelino, a exemplo do que se verificou no passado recente?



P.S. - Sobre este assunto veja também este excelente artigo de Alexandre Kateb publicado no dia 18.12.12, no jornal francês "La Tribune", com o titulo "Pourquoi l' Algérie n' est pas encore une puissance émergente".


 

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Cimeira UE-África do Sul



Está a decorrer durante o dia de hoje, em Bruxelas, a 5ª Cimeira União Europeia-África do Sul. É uma ocasião para a União Europeia e a África do Sul reforçarem as suas relações ao nível politico e económico, existindo um conjunto de temas de interesse comum, nomeadamente a situação económica mundial, os “dossiers” ambiente, comércio e cooperação internacional e também os temas relacionados com a situação em África e no Médio Oriente.

A União Europeia é o principal parceiro comercial da África do Sul (representa 28% das exportações sul-africanas), o primeiro investidor externo no país (77,5% do IDE na África do Sul tem origem nos países da UE27) e o principal parceiro sul-africano no âmbito da ajuda e cooperação internacional (70% do total de ajuda externa). Desde 2004, o comércio externo UE-África do Sul cresceu 128%  e cerca de 3/4 do investimento directo estrangeiro realizado país foi concretizado por empresas da União Europeia.

Como é habitual neste tipo de iniciativas, o Eurostat publicou há dias um ponto de situação actualizado das relações comerciais e de investimento da União Europeia com a África do Sul. A leitura destes dados  permitem tirar algumas ilacções sobre o posicionamento e a competitividade internacional das empresas da UE27 no país em análise mas também face às suas congéneres europeias. De acordo com a Eurostat, e durante o 1º semestre de 2012, a Alemanha é, de longe, o principal exportador para a África do Sul (4,3 mil milhões de Euros; 33% do total das exportações da UE27 para a África do Sul), seguida do Reino Unido (1,9 mil milhões de euros; 14% do total das exportações), enquanto o principal importador da UE27 de produtos “Made in South África” é o Reino Unido (2,9 mil milhões de euros; 30% do total das importações) e o 2º a Alemanha (2 mil milhões de euros; 21% do total das importações). A posição de Portugal é modesta - as exportações nacionais alcançaram 47 milhões de euros (18º fornecedor no âmbito da UE27) enquanto as importações se ficaram pelos 30 milhões de euros (15º cliente no quadro da UE27).

No entanto, abordagem do mercado sul-africano por parte de algumas empresas europeias tem sido perspectivada no contexto mais amplo da África Austral e da SADC - Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral. A África do Sul é a principal potência económica na África Austral, uma base de operações ("hub") muito relevante para algumas empresas internacionais com negócios na região e é também bastante significativo o número de firmas sul-africanas com investimentos directos em todos os países da SADC. Para o caso de alguns países europeus, entre os quais Portugal, há ainda a acrescentar o potencial económico das respectivas Diásporas que desde que devidamente utilizadas podem permitir o desenvolvimento de boas oportunidades de negócios. Por tudo isto, vale a pena colocar a África do Sul no grupo de mercados internacionais a acompanhar!

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Singapura de olhos postos em África



Depois da China, Japão, Coreia do Sul, India e Taiwan, chegou agora também a vez de Singapura dar sinais claro do interesse em explorar as oportunidades de negócios existentes em África. Nos dias 29 e 30 de  Agosto, as autoridades de Singapura, através do International Enterprise Singapore/Ministério do Comércio e Industria, realizaram a 2ª edição da Conferência “Africa Singapore Business Forum” e assinaram nesta ocasião um acordo com a IFC/World Bank "to jointly identify growth sectors in Africa for Singapore-based companies to invest in and to share business leads and opportunities through partnerships”.

Em 2011, o comércio externo Singapura-África atingiu S$ 13,8 mil milhões o que representou um crescimento de 11,8% para o período 2007-2011. Singapura foi, em 2011, o principal investidor em África no âmbito dos países do ASEAN (cerca de S$ 23,8 mil milhões, o que constituiu um aumento de 29% face ao ano de 2010), existindo 48 empresas com capitais de Singapura instaladas em 42 países africanos (em 2010, existiam 35 empresas em 29 países africanos). Neste âmbito, parece-me que existiem vários oportunidades de negócios a explorar envolvendo empresas portuguesas instaladas em África e empresas e entidades de Singapura, sobretudo nos sectores da banca, seguros, transportes, comunicações, "trading" e infra-estruturas.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Relações Rússia-África

Fonte: RIA-NOVOSTI

O "ThinkAfricaPress" publica um artigo designado por "Russia's Relations With Africa Floundering" que faz uma avaliação do actual estado das relações da Rússia-África. Depois do forte envolvimento russo no Continente Africano na "era soviética", constata-se, actualmente, um aparente desinteresse das autoridades de Moscovo em apostarem no reforço do relacionamento politico e económico com os países africanos, ao contrário do que se verifica, por exemplo, com os restantes BRIC (Brasil, China e Índia). Em 2009, e de acordo com o quadro acima apresentado, o comércio externo da Rússia com África tinha um valor de 7 mil milhões de USD, representando 1,8% das exportações e 1%, das importações russas, existindo também um conjunto de empresas russas, sobretudo do sector dos recursos minerais, com investimentos em vários países africanos. Segundo alguns especialistas citados no referido artigo, e face às inúmeras oportunidades de negócios e de cooperação existentes em África, urge que a Rússia defina rapidamente uma estratégia para esta região que deverá estar associada a uma maior empenho e envolvimento politico do governo de Putin/Medvedev.

terça-feira, 17 de julho de 2012

Espólio da antiga Diamang - Companhia de Diamantes de Angola na Universidade de Coimbra


A Diamang - Companhia de Diamantes de Angola foi, até 11 de Novembro de 1975, data da independência da República de Angola, a empresa concessionária da exploração de diamantes naquela, até então, Província Ultramarina portuguesa.

A empresa foi fundada em 1917 e teve na sua estrutura accionista capitais portugueses – da firma Henry Burnay & Companhia, depois Banco Burnay e do Banco Nacional Ultramarino; belgas – da Société Générale de Belgique e da Mutualité Coloniale; franceses – da Banque de l’Union Parisienne, e dos Estados Unidos da América – do grupo Ryan-Guggenheim. A este grupo inicial viriam a juntar-se, ao longo do tempo, outros investidores.

A Diamang tinha uma área concessão de cerca de 52.000 km2 (mais de metade da área de Portugal Continental que é de 92 090 Km2), que praticamente cobria as actuais províncias das Lundas Norte e Sul. Confinava, a oeste e sul com o restante território de Angola, a sudeste com a actual Zâmbia (então, Rodésia do Norte) e a norte e nordeste com a actual República Democrática do Congo (o então Congo Belga e depois Zaire). A cerca de12 Km a sul da actual República Democrática do Congo, situa-se o Dundo, povoação fundada pela Diamang, e que constituiu o seu centro administrativo na Lunda.

A Diamang foi sucedida, em 1981, pela Endiama – Empresa Nacional dos Diamantes de Angola. Em parte da antiga área de concessão da Diamang continua a intervir uma sociedade mineira participada pelo estado português, através da SPE-Sociedade Portuguesa de Emprendimentos, e do estado angolano, com a participação da Endiama, e designada por SML - Sociedade Mineira do Lucapa.

A Diamang foi uma empresa referência e bastante poderosa em Angola. Gozava de uma grande autonomia face às autoridades coloniais portuguesas e por lá passaram muitos quadros portugueses de grande qualidade, sobretudo na área da geologia.

O espólio documental, fotográfico e fonográfico da Diamang está a ser analisado, digitalizado e disponibilizado ao público pela Universidade de Coimbra no âmbito do projecto "Diamang Digital". Uma excelente iniciativa que nos recorda uma dimensão muito relevante da antiga presença empresarial portuguesa em África, nomeadamente em Angola,  e pouco conhecida das gerações mais jovens.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

EUA reforçam actividades de "intelligence" em África



África suscita actualmente um grande interesse em termos politicos, económicos e empresariais por parte de antigos e novos parceiros externos. Mas não só! Os EUA estão a reforçar e a expandir as suas operações de "intelligence" em África, como aqui é explicado pelo Embaixador David Shinn. Numa perspectiva mais global, a administração Obama divulgou há dias um "paper" com a estratégia  norte-americana para a África Subsaariana ("The US Strategy Toward the Sub - Saharan Africa") que pode ver aqui. A seguir!

domingo, 3 de junho de 2012

Africa Attractiveness Survey (E&Y) - Angola e Moçambique em posições de destaque


A empresa internacional de consultadoria Ernst & Young acaba de publicar a segunda edição do "Africa Attractiveness Survey" . Uma publicação que sistematiza um conjunto de informações bastante diversificadas sobre as principais caracteristicas e tendências do investimento directo estrangeiro (IDE) em África. Nesta edição, a equipa de consultores da Ernst & Young chegou às seguintes, principais conclusões:

1." The number of Foreign Direct Investment (FDI) projects in Africa grew 27% from 2010 to 2011, and have grown at a compound rate of close to 20% since 2007.

2. Despite this growth, there remain lingering negative perceptions of the continent — but only among those who are not yet doing business in Africa.

3. The story of Africa’s progress, not just in economic but also in socio-political terms, needs to be told more confidently and consistently.

4. This broad-based progress is underscored by a substantial shift in mindset and activities among Africans themselves, with increasing self-confidence and continued strong growth in intra-African FDI (which has expanded by 42% since 2007).

5. Regional integration is critical to accelerated and sustainable growth. Creating larger markets with greater critical mass will not only enhance the African investment proposition, it is also the only way for Africa to compete effectively in the global economy.

6. Bridging the infrastructure gap will be a key enabler of regional integration, growth and development. It also remains a key challenge and opportunity for investors."

Um outro dado interessante deste relatório sobre este Continente composto por 54 países e por uma população de cerca de mil milhões de habitantes tem a ver com a classificação dos 15 principais destinos de novos projectos de IDE em África, no período de 2003 a 2011 (Quadro acima). Estes 15 países representaram 82% do total  novos projectos de IDE em África. A lista é liderada pela África do Sul, surgindo em posições de destaque alguns países do Norte de África - Egipto, Marrocos, Argélia, Tunísia e Líbia - mas também Angola (7º lugar) e  Moçambique (14º), economias  que despertam cada vez maior interesse junto dos investidores internacionais.

terça-feira, 1 de maio de 2012

A "nova" Líbia e as oportunidades para a economia da Tunísia


A Líbia pós-Gadaffi pode ter um papel determinante na melhoria da situação económica e social de alguns países vizinhos, sobretudo da Tunísia. Com efeito a situação de instabilidade que a Líbia atravessa tem permitido o crescimento significatico da exportações de produtos tunisinos, sobretudo agro-alimentares, para a Líbia; a presença de 700 000 a 900 000 refugiados líbios tem originado o aumento do consumo interno e a procura de alojamento na  hotelaria tunisina   (a atravessar uma grave crise); e o processo de reconstrução da economia líbia pode trazer, a curto-médio prazo, oportunidades de negócios para as empresas e para os trabalhadores tunisinos que no período de Gadaffi já constituiam uma das principais comunidades emigrantes no país. Para apoiar algumas destas iniciativas, o governo de Tunis, através do Instituto de Promoção das Exportações (CEPEX), acaba de inaugurar uma nova delegação em Benghazi e a principal associação patronal tunisina, UTICA, pretende abrir um escritório em Tripoli de modo a poder apoiar a internacionalização das empresas suas associadas. Estas e outras conclusões, mas também os desafios que se colocam à Líbia e aos seus vizinhos, sobretudo à Tunísia,  constam de um relatório recente do Banco Africano de Desenvolvimento designado por “New Libya, New Neighborhood: What Opportunities for Tunisia?” e que pode ver aqui.

P.S. - Esta crescente interdependência entre as economias líbia e tunisina, a par da proximidade histórica, cultural e linguística existente entre os dois países, pode também trazer oportunidades de negócios na Líbia para algumas das empresas portuguesas instaladas da Tunísia. Estas já conhecem a região, e o respectivo ambiente de negócios, e isoladamente ou em parceria com os seus sócios tunisinos deverão estar atentas à evolução da economia líbia.

terça-feira, 27 de março de 2012

Israel: the start-up nation?


Israel é um caso de sucesso mundial na criação de "start-ups". As explicações para este facto foram analisadas num livro da autoria de Dan Senor and Saul Singer, lançado em 2009, e designado por "The Start-Up Nation - The Story of Israel's Economic Miracle” . Na opinião dos autores deste livro "Israel is not just a country, but a comprehensive state of mind". Ou seja, "Israelis innovate because they have to. The land is arid, so they excel at water and agricultural technology. They have little oil, so they furrow their brows to find alternatives. They are surrounded by enemies, so their military technology is superb and creates lucrative spin-offs, especially in communications. The relationships forged during military service foster frenetic networking in civilian life. A flood of immigrants in the 1990s gave national brainpower a mighty boost. The results are the envy of almost everyone outside Silicon Valley" e também a liderança mundial do investimento per capita em venture-capital (veja quadro abaixo/fonte: The Economist).


Porém, algumas destas empresas "star-up born global" não chegam a atingir a "fase adulta" ou a média/grande dimensão. São rapidamente compradas por empresas e investidores estrangeiros, sobretudo norte-americanos! E este facto, entre outros, coloca novos desafios aos empreendedores israelitas: What's next for the Start-up nation (veja video acima)?

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Mega investimento da Renault/Nissan em Marrocos suscita grande controvérsia em França


Foto: Renault/Epa

Na passada Quinta-feira, o CEO da Renault/Nissan, Carlos Ghosn e o Rei de Marrocos, Mohammed VI, inauguraram, nos arredores de Tanger, uma nova unidade de montagem de automoveis do grupo franco-japonês. Esta mega unidade industrial, especialmente dedicada a veículos "low cost", tem uma capacidade de produção de 400 000 veículos/ano, representa um investimento de 1,3 mil milhões de euros e prevê-se que venha a criar cerca de 6 000 postos de trabalho directos e 30 000 indirectos. Mas se este investimento tem suscitado um forte apoio e entusiasmo em Marrocos, devido ao seu carácter estruturante para toda a economia marroquina, dando um forte impulso à criação de um importante "cluster" do sector autómovel neste país do Norte de África, o mesmo não se tem verificado em França. Com efeito, em vésperas de eleições presidenciais, com uma taxa de desemprego elevada e com temas como a "necessidade de uma re-industrialização da economia francesa" e "Compre Produtos Franceses" na ordem do dia, este investimento realizado por uma empresa com capitais públicos franceses, está a gerar uma grande controvérsia (pode aprofundar este assunto aqui). Ou seja, a politica industrial está a voltar à primeira linha da agenda politica francesa, o que poderá levar a própria Comissão Europeia a olhar com mais atenção para este assunto que tem implicações determinantes no modelo de estruturação das economias europeias e no comércio externo da União Europeia com os seus principais parceiros económicos. Por outro lado, depois deste projecto e do interesse de outros construtores (Ford e empresas indianas e chinesas) em realizarem investimentos em Marrocos, tudo indica que estão criadas as condições para o desenvolvimento neste país de um "cluster" automóvel de grande importância.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

A desistência da venda do BCP na Polónia e as relações económicas Polónia-Angola


Foto: Pedro Elias/Negócios

Quando no Verão se anunciou a intenção de venda da operação do BCP/Millennium na Polónia tive oportunidade de referir aqui as consequências negativas desta decisão para um conjunto de “stakeholders”, e nomeadamente para as empresas portuguesas envolvidas ou potencialmente interessadas no processo de internacionalização para o mercado polaco e outros mercados da Europa Central e Oriental. Daí que a notícia da desistência, por ora, da venda do Millennium Bank é uma boa noticia! Agora, é tempo do BCP/Millennium recuperar o tempo perdido, pois com certeza muitas decisões estratégicas do banco ficaram nestes últimos meses a aguardar o desfecho deste processo de venda, e de  reforçar a aposta na divulgação das oportunidades de negócios existentes na Polónia, para os seus clientes portugueses, e em Portugal, para os seus clientes polacos, contribuindo assim para o crescimento e sustentabilidade das relações económicas entre os dois países. Por outro lado, e tendo em atenção o actual estádio de expansão da economia e das empresas polacas e a importância das operações do BCP/Millennium em Angola, a par das características da sua actual estrutura accionista dominada por interesses angolanos, o Millennium Bank pode também vir a constituir um instrumento relevante no desenvolvimento das relações económicas entre Angola e a Polónia. As relações entre estes dois países são bastante estreitas - desde os primeiros anos da independência de Angola que os dois países estão representados ao nível de Embaixador - havendo por isso um vasto campo de oportunidades a explorar nas áreas da promoção das exportações e do investimento.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Índia reforça presença em África


Foto: BBC

Depois do Brasil e da China, a Índia aposta agora no reforço da sua presença económica e empresarial em África. Nesta fase, as empresas indianas parecem muito interessadas no sector da agricultura e na exploração de recursos naturais, em países como a África do Sul, Etiópia, Senegal, Tanzânia ou Moçambique. Desde 2005, já foram criadas de raiz ou adquiridas por interesses indianos cerca de 79 empresas africanas. Estes factos comprovam que os BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) começam, cada vez mais, a disputar entre si a presença em espaços económicos mais alargados, sinal das profundas mudanças que se estão a verificar na economia internacional.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Investir na Guiné-Bissau


Depois de um longo período de instabilidade politica e militar, a bonança parece estar a chegar à Guiné-Bissau. Pelo menos, o Banco Mundial revela algum optimismo em relação às melhorias observadas no ambiente local de negócios e nas condições existentes para a criação e desenvolvimento da actividade empresarial. Para além da relativa estabilidade governativa que o país atravessa e do interesse das autoridades em promoverem o desenvolvimento do sector privado guineense, parte da referida mudança está também relacionada com a actividade realizada pelo CFE – Centro de Formalização de Empresas, entidade que funciona como uma “one stop-shop” para o registo de empresas e que foi criada com o apoio, e beneficia da assistência técnica, do Banco Mundial, IFC, PNUD e Banco Africano de Desenvolvimento. No último relatório “Doing Business´ 2012”, elaborado pelo  Banco Mundial, a Guiné-Bissau foi considerada “among the 10 most improved economies in África this year”, tendo passado da posição 181 para a posição 176 no referido ranking. Para além disso, o “Doing Business’2012” destaca também as reformas efectuadas ao nivel da legislação económica e comercial e a redução do número de procedimentos (de 17 para 9 procedimentos) e de dias para a criação de uma empresa (de 216 para 9 dias) neste país africano. São progressos significativos e imprescindíveis para o desenvolvimento do sector privado da Guiné-Bissau que não estarão a passar despercebidos em Portugal e que poderão (re) estimular o interesse das empresas nacionais por este país, como, aliás, se constata com a partida para Bissau, no inicio desta semana, de uma missão empresarial organizada pela AIP– Associação Industrial Portuguesa.

domingo, 20 de novembro de 2011

A internacionalização das empresas e das marcas angolanas: o caso do refrigerante da marca "Blue"


O "Blue" é uma marca de refrigerantes produzida pela empresa angolana de bebidas Refriango e que começou ser exportado, em finais de 2010, para Portugal. Talvez tenha sido a primeira marca angolana de produtos de grande consumo a ser exportada para a Europa, e nomeadamente para Portugal. Para este facto não será alheio a existência de capitais portuguesas na estrutura accionista da Refriango e a crescente importância da diáspora angolana residente em Portugal. Para além disso, os responsáveis de marketing desta empresa estão de parabéns, pois logo no ano de entrada em Portugal conseguem que a marca "Blue" esteja associada a um feito desportivo de grande relevância nacional. Com efeito, a equipa de voleibol da Associação de Jovens de Fonte Bastardo (na foto), da Ilha Terceira, Açores, patrocinada pela "Blue", sagrou-se, pela primeira vez, campeão nacional na época de 2010/2011.  Esta aposta acertada da Refriango na equipa de Fonte Bastardo revela também o profundo conhecimento existente em Angola da realidade desportiva portuguesa, mas também da realidade económica e empresarial nacional. Um facto às vezes esquecido nos vários discursos que normalmente se fazem sobre as caracteristicas do relacionamento entre os dois países, mais propícios a explorarem o "enorme capital de conhecimento existente em Portugal sobre Angola". Estou certo que depois da "Blue" outras marcas angolanas chegarão a Portugal, caso, por exemplo, de algumas marcas de cerveja e de café, sinal da crescente interdepêndencia entre as duas economias, numa altura em que assiste a algum nervosismo junto dos exportadores nacionais devido à perspectiva de aumento, já em 2012, das taxas e direitos aduaneiros sobre produtos importados por Angola.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Clusters aeronáuticos na Bacia do Mediterrâneo

A empresa canadiana Bombardier anunciou esta semana na Feira Aeronáutica do Dubai que vai avançar, já no próximo ano, com a construção de uma unidade industrial em Marrocos que se vai dedicar à fabricação de aviões. Este investimento vai atingir cerca de 148 milhões de euros e espera-se que esteja operacional em 2013. De acordo com a empresa, as razões para a escolha desta localização do Norte de África foram os custos de produção bastante competitivos em termos internacionais, os baixos custos de transporte e de operação logística e a proximidade geográfica em relação à Europa. Aliás, motivações muito semelhantes às que levaram a brasileira Embraer a escolher Évora (Portugal) para a instalação da sua futura fábrica de aviões. Não deixa, por isso, de ser muito curiosa as opções de localização de investimentos - a região da Bacia do Mediterrâneo - destas duas companhias de aviação que são grandes concorrentes no segmento dos aviões executivos e dos pequenos aviões comerciais. A prazo, iremos ter em cada uma das margens do Mediterrâneo dois importantes "clusters" aeronáuticos" que irão competir entre si e que vão alavancar a instalação de um conjunto de outras empresas a montante e a jusante do sector aeronáutico (não esquecendo também que é no sul de França, em Toulouse, que está localizada a sede da Airbus).